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Wellington Paulista, o artilheiro discreto: ‘Fico na minha, gosto de gol’

Em ótima fase pelo América Mineiro, jogador de 38 anos diz que nunca buscou status de estrela, mas sonha em fazer história no Coelho

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 11 mar 2022, 21h53 - Publicado em 12 mar 2022, 08h00

Wellington Pereira do Nascimento, mais conhecido como Wellington Paulista, é a prova de que nem todo jogador de futebol sonha com o estrelato. Reservado quanto a vida particular, o veterano atacante contou em entrevista a PLACAR que sempre priorizou o desempenho em campo e pouco ligou para elogios ou críticas. Em resumo: o negócio dele é fazer gol e nada mais. Com a camisa 9 do América Mineiro, o jogador de 38 anos vive ótima fase, dominando o setor ofensivo do clube que já faz história na Copa Libertadores, apesar da instabilidade no Campeonato Mineiro.

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Bastante regular nas últimas temporadas, com uma média de 15 gols por ano, o atacante, ainda assim, não agrada a todos e convive com contestações desde o início da carreira. Ele garante lidar bem com isso e dá de ombros no debate sobre ser um atacante subestimado. “Algumas pessoas falam para mim que eu deveria ter mais visibilidade. Mas eu sou um cara simples, não gosto de aparecer em redes sociais. Entro em campo, comento sobre o meu jogo e não fico procurando intriga. Quando não se busca status, acaba sendo menos falado, diferente de alguns jogadores que nem fazem tanto gol mas adoram uma mídia.”

Autor de 45 gols nos últimos três anos, o centroavante foge do rótulo de artilheiro e alega dificuldade em falar de si mesmo. Goleador máximo de dois campeonatos estaduais (Mineiro de 2012 e Carioca de 2008) e autor de seis tentos em fases eliminatórias da Libertadores, o centroavante, porém, deixa a modéstia um pouco de lado em falar do gosto por bola na rede. “Fico na minha, eu gosto é de fazer gol. E sei fazer”.

Diante da dificuldade que muitos clubes do futebol atual têm em encontrar um centroavante, Wellington falou sobre as caraterísticas e evolução da posição. “O camisa 9 sempre vai existir. É que hoje em dia o futebol está tão movimentado e complexo que um centroavante sem muita mobilidade pode perder espaço. É uma característica diferente, que acaba sofrendo no futebol. Eu, particularmente, sempre gostei de me movimentar e para mim foi bom. Mas o mais fixo, que eu gosto, hoje acaba ficando para trás.”

Hora de brilhar no Coelho

Wellington brilhou na virada do América sobre o Guarani do Paraguai -
Wellington brilhou na virada do América sobre o Guarani do Paraguai – Mourão Panda / AFC/Divulgação

Depois de três anos no Fortaleza, a escolha para a carreira foi mudar de ares. O atacante de 38 anos deixou a capital cearense e desembarcou em Belo Horizonte, terra em que brilhou pelo Cruzeiro, mas desta vez para defender o América. O clube centenário de Minas Gerais disputa nesta temporada a primeira Libertadores da história e pode garantir vaga na fase de grupos caso passe pelo Barcelona do Equador.

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“Eu cheguei no América para a busca de novos desafios. Estão fazendo uma estrutura muito bacana, com hotel, novos campos e tudo do mais alto nível. O clube procura coisas grandes e isso motiva”, contou sobre o que encontrou no lado verde e preto de BH.

Na jornada em busca de fazer história na primeira Libertadores do Coelho, o atacante relatou sua emoção na virada histórica sobre o Guarani do Paraguai, na fase anterior. O América havia perdido a ida, em casa, por 1 a 0, e sofreu 2 a 0, na volta, ainda no primeiro tempo. De forma heroica, o time mineiro buscou a virada por 3 a 2 e venceu nos pênaltis. “Para ser sincero, depois que tomamos 2 a 0, a primeira palavra que passou na cabeça foi: ‘azedou’. Não que tinha acabado, mas estava muito difícil. A gente tinha que fazer três gols em 45 minutos.”

“E aí a gente entrou motivado para o segundo tempo. Os gols foram saindo e o foco começou a ser exclusivo na vitória, tanto que no terceiro, nos acréscimos, eu estava tão focado que acabei discutindo com o Lucas Kal. Achei que tinha tempo para fazer mais e ele falou: ‘Wellington, acabou, mano. Agora é pênalti’. Depois que olhei o placar e vi.”

Apelidos e Europa

Wellington Paulista em ação pelo West Ham -
Wellington Paulista em ação pelo West Ham – Griffiths/Reprodução

Apesar de tentar com frequência fugir da fama, Wellington é um nome praticamente folclórico do futebol brasileiro e seus inúmeros apelidos contribuem para isso. Já foi  chamado de Paulisterooy, quando jogava pelo Botafogo, em referência ao artilheiro holandês Ruud van Nistelrooy, e agora de Kuririn, personagem do Dragon Ball, por uma sugestiva aparência. “Teve Paulisterooy, depois veio o WP9, Wellingol e agora o Kuririn. São todos legais, nunca me incomodou. A galera vem, fala e pega, são legais.”

Durante sua longa carreira, Wellington Paulista teve duas passagens pelo futebol europeu. Em 2007, o atacante chegou ao Alavés, para disputar a segunda divisão espanhola e a Copa do Rei, campeonato em que estreou marcando contra o Barcelona. A passagem, porém foi curta. “Ir para o Alavés aconteceu depois de acabar o ano no Santos e o Luxemburgo dizer que precisava de um elenco mais experiente. Eu era jovem, não ia ter muito espaço. Quando pintou a oportunidade, fui, fiz quatro anos de contrato e marquei gol contra o Barcelona na estreia, mas minha mãe teve um problema de saúde e voltei para ficar perto.”

Seis anos depois, o atacante recebeu a oportunidade de jogar o Campeonato Inglês, pelo West Ham. A passagem por terras britânicas foi curta, mas segundo o próprio, serviu como aprendizado. “Sobre aconselhar jovens a ir para fora, eu procuro falar para pensar no financeiro, sabe? Não adianta você ir para fora, sofrer e não ganhar dinheiro para ajudar sua família. Mas se tiver como dar essa mão e o lugar for bacana profissionalmente, aí sim. Não adianta se esconder no exterior.”

Apesar de carregar o gentílico de seu estado, Wellington não teve grande brilho nos grandes clubes paulistas, em suas passagens por Palmeiras e Santos. Mas guarda um carinho especial pelo clube em que começou – e pretende encerrar – sua carreira. “Comecei pelo ‘Juventinho’, né? Vamos ver se consigo encerrar a carreira lá no Juventus da Mooca, porque é onde nasci, fui criado e sempre torci na Javari.”

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