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Vitor Roque, a joia que causa conflito entre Cruzeiro e Athletico

Atacante de 17 anos teve multa rescisória milionária paga pelo clube paranaense após empilhar gols na base e se destacar no profissional

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 14 abr 2022, 09h48 - Publicado em 14 abr 2022, 08h00

Ainda sem completar maioridade, Vitor Roque virou manchete nos principais jornais do país e o motivo não foi exclusivamente os seus feitos dentro de campo. Joia da base do Cruzeiro e destaque de 2021 nos torneios sub-17, o garoto não renovou com o clube mineiro e teve a multa rescisória paga pelo Athletico Paranaense. Apesar de Roque, de 17 anos, já ter sido anunciado como reforço do Furacão, o negócio ainda segue contestado pela diretoria cruzeirense, que alega irregularidades e promete entrar na Justiça.

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O atacante natural de Timóteo, cidade do interior de Minas Gerais, caiu nas graças dos cruzeirenses na temporada 2021, quando foi artilheiro do Campeonato Mineiro sub-17, com 11 gols marcados, e no Brasileiro da categoria, com 10 bolas na rede. Tratado como joia, a diretoria do clube estabeleceu uma multa rescisória de 300 milhões de euros (1,5 bilhão de reais) para times estrangeiros, mas não fechou sua renovação, o que abriu as portas para o Athletico.

O valor da multa rescisória de um jogador para o mercado nacional é calculado com base no salário do atleta, multiplicado por 2.000 reais. Como o salário de Vitor Roque era de apenas 12.000 mensais, o clube paranaense garantiu sua contratação ao depositar em juízo o valor de 24 milhões de reais.

O Cruzeiro alega ter tentado reajustar salário de Vitor Roque. De acordo com o diário O Tempo, nas primeiras negociações, o staff do atleta teria pedido 60.000 reais mensais. O Cruzeiro ofereceu 40.000 como contraproposta, mas não houve acordo, e agora o clube mineiro deve entrar com uma ação na 14ª Vara do Trabalho, onde o atleta conseguiu a rescisão unilateral de seu contrato. 

O Cruzeiro possuía apenas 50% dos direitos do jogador. Outros 35% pertenciam ao América (seu primeiro clube) e os 15% restantes à família. A despeito do imbróglio judicial, o Athletico já anunciou o jogador como reforço em suas redes sociais. 

Vitor é hoje tratado como “diferenciado” para sua idade, mas nem sempre foi assim, de acordo com Mario Henrique, ex-treinador das bases do Cruzeiro e atualmente no sub-17 do Goiás, em conversa com PLACAR. “Quando o Roque chegou no Cruzeiro, estava no mesmo nível dos outros jogadores. Tanto que no começo da pré-temporada, logo que eu cheguei, ele não era titular. A gente cobrou muito quanto a peso, intensidade e agressividade.”

Integrado ao cotidiano cruzeirense e conhecedor das categorias de base do clube, Éder Toscanini, fundador e ex-líder da Máfia Azul, principal torcida organizada do clube, rasgou elogios ao jovem atacante. “É um menino de caráter, ótimo dentro e fora dos campos. Muito bom de bola e realmente vai vencer na vida como jogador. É um ser humano que reflete o que visamos na Toca da Raposa, a integridade.” Tosca, como é apelidado, ainda lamentou a forma que a saída de Vitor Roque aconteceu, com problemas entre os clubes.

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Antes de defender o Cruzeiro, o habilidoso jogador esteve no América Mineiro e, por isso, sua ida ao lado azul de Belo Horizonte teve certo destaque. Mario Henrique, enquanto esteve por lá, sempre buscou tratá-lo igualmente, o que rendeu curiosas histórias: “Teve um lance engraçado em um treino. Eu acabei dando uma dura muito forte nele, olhei pro lado e estava toda a diretoria. Na hora eu pensei que iam achar ruim, mas logo desencanei, porque é meu trabalho. Aí acabou o treino, o Roque encostou de lado e começou a chorar sozinho. Naquela hora fiquei com medo de ser mandado embora (risos), porque eles tinham um jeito especial com o garoto. Fui perguntar o motivo do choro e ele respondeu soluçando: ‘Mario, é que nunca tinham falado assim comigo’.” Da situação em diante, o treinador relatou que manteve o tom de cobrança e sentiu a evolução em diversos aspectos.

Jogadores do Cruzeiro celebram vitória no Campeonato Mineiro
Jogadores do Cruzeiro celebram vitória no Campeonato Mineiro – Staff Images/Cruzeiro/Divulgação

Observado pela comissão técnica do elenco principal, em 12 de fevereiro, Vitor estreou neste ano, em 22 minutos contra a Tombense, pelo Campeonato Mineiro. O jovem recebeu chance na rodada seguinte, também na reta final da partida. A primeira grande atuação, porém, aconteceu contra o Villa Nova de Nova Lima, com um gol marcado.

O destaque aconteceu neste ano, mas poderia ter sido em 2021, como contou o ex-treinador de Vitor. “Outro ‘causo’ legal foi quando levaram o Roque para treinar com o profissional, ia ser relacionado. Mas parece que ele fez alguma coisa que o Vanderlei Luxemburgo não gostou e tomou uma dura, não levaram ele para o jogo. No dia seguinte, apareceu para treinar comigo e eu já sabia, então perguntei sobre a bronca e ele confirmou, mas também falou que a minha dura era muito pior.” Mario completou dizendo que ainda mantém contato com a joia do futebol brasileiro e sente extrema felicidade com o que vem acontecendo.

Desde o primeiro jogo como profissional, Roque entrou em campo 11 vezes e marcou 6 gols. Ostentando uma média de um tento a cada 104 minutos, a joia passou a se consolidar e dar indícios de um futuro animador. Dada a oportunidade de mercado, quem se deu melhor foi o Athletico, que recentemente teve os jovens Renan Lodi e Bruno Guimarães no plantel. Os atletas hoje defendem Atlético de Madri e Newcastle, respectivamente.

Vitor Roque marcou um gol em seu primeiro clássico como profissional -
Vitor Roque marcou um gol em seu primeiro clássico como profissional – @vitor_roque9/Instagram

Depois de um início marcante como profissional, o atacante virou pauta do jornal espanhol AS. Roque foi tratado como a grande joia do Cruzeiro de Ronaldo. “Se destaca pelo bom uso que mostra dos dois pés. Isso o torna um finalizador imprevisível, capaz de controlar com qualquer um e terminar com o oposto. Dessa forma, ele pode enfrentar e driblar em qualquer direção e ser uma grande ameaça para os defensores”, destacou a matéria.

Terror das defesas profissionais neste momento, Vitor Roque obviamente foi uma pedra no sapato de adversários nas categorias de base, como relata Lucas Laguna, goleiro que enfrentou o atacante em Athletic 0x5 Cruzeiro, jogo em que a joia marcou três gols, pelo Mineiro sub-17 de 2021: “Ele é muito rápido, tem facilidade para se posicionar, principalmente na área. Bate bem com as duas pernas e tem o cabeceio também. Muito difícil de parar.”

Contratado pelo Athletico, o jovem chega para disputar a posição com nomes como Pablo e Marcelo Cirino. Versátil, Vitor Roque também desempenha funções pelas pontas, o que o coloca na disputa com Pedro Rocha, David Terans, Agustín Canobbio, Tomás Cuello e Marlos.

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