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Uefa veta estádio arco-íris e causa LGBT+ acirra Alemanha x Hungria

Entidade alega que evento não pode sofrer com interferências políticas e sugeriu outras datas; manifestação sofreu forte oposição de governo húngaro

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 19h11 - Publicado em 22 jun 2021, 10h19

A Uefa anunciou nesta terça-feira, 22, veto ao pedido de autoridades da Alemanha para iluminar a Allianz Arena com um arco-íris, símbolo da causa LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e simpatizantes). A iniciativa havia partido da prefeitura de Munique para demonstrar apoio ao mês de orgulho ao movimento durante a partida entre Alemanha e Hungria, nesta quarta, às 16h.

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A entidade europeia alega que o evento não pode sofrer com “interferências políticas” e sugeriu aos alemães o uso do símbolo em outras datas alternativas. “A Uefa, através dos seus estatutos, é uma organização política e religiosamente neutra. Dado o contexto político deste pedido específico – uma mensagem visando uma decisão tomada pelo parlamento nacional húngaro – a UEFA deve recusá-lo”, explicou a Uefa em comunicado.

“A Uefa propôs à cidade de Munique iluminar o estádio com as cores do arco-íris em 28 de junho – o Dia da Libertação da Rua Christopher – ou entre 3 e 9 de julho, que é a semana do Dia da Rua Christopher em Munique”, acrescentou em outro trecho.

O assunto, no entanto, está longe de um desfecho pela série de questionamentos sobre influências políticas. Clubes, jogadores e diversas pessoas já se manifestaram contrários a decisão da Uefa nas redes sociais. A decisão teve influência decisiva de uma ofensiva do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, apoiado pelo governo de extrema-direita de Budapeste.

Diversos clubes da Europa, como o Barcelona, já se posicionaram contrários à atitude da Uefa.

Na última semana, Órban aprovou uma nova lei que proíbe a disseminação de conteúdo que promova a igualdade de gênero. Estudantes, menores de 18 anos, não terão acesso a qualquer conteúdo que faça menção ou referências ao homossexualismo. A lei também monitora o conteúdo publicitário de empresas, que também possam sugerir ou incentivar o tema.

Antes do início da Euro, o político defendeu torcedores húngaros que vaiaram jogadores da Irlanda que se ajoelharam em protesto contra o racismo, em amistoso no último dia 8. Ele alegava que tal postura não “tinha lugar” na cultura húngara. Na competição, a Uefa abriu investigações depois de receber denúncias de manifestações racistas e contrárias a protestos que defender igualdade racial.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Peter Szijjarto, comemorou a decisão da Uefa: “Graças a Deus, nos círculos da liderança do futebol europeu o bom senso ainda prevalece e eles não acompanharam a provocação política. A UEFA tomou a decisão certa”, disse em suas redes sociais.

Antes, ele havia falado em tom ameaçador que “tentativas de fazer isso na história mundial acabaram muito mal”, além de chamar o movimento de “nocivo e perigoso”.

A Federação Alemã de Futebol (DFB, pela sigla original) afirmou preferir que qualquer protesto ou manifestação seja realizado em data diferente a do jogo. No último jogo da Alemanha, vencido por 4 a 2 sobre Portugal, o goleiro e capitão da equipe, Manuel Neuer, utilizou a braçadeira de capitão com as cores do arco-íris. A Uefa chegou a abrir investigação, mas optou por não punir o goleiro.

A polêmica influência política de Orbán ainda promete novos contornos. Na Eurocopa, a Hungria é a única sede a receber 90% da capacidade de público no estádios, mesmo em meio a avanços da Covid-19. A Puskás Arena foi o maior investimento entre os estádios do torneio.

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