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Tite é o alvo fácil, mas laterais, Vini Jr. e Gabigol precisam se ajudar

Falácia sobre 'marcar lateral', antes usada com Gabriel Jesus e agora com novos personagens, ignora graves falhas técnicas e de concentração dos atletas

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 28 jan 2022, 11h00 - Publicado em 28 jan 2022, 10h32

Poderia ter sido um excelente teste, diante de uma seleção competitiva e que estará no Catar, forte fisicamente, em ambiente hostil, mas não houve quase nada a se aproveitar do empate em 1 a 1 diante do Equador, em Quito, na última quinta-feira, 27. O jogo foi completamente condicionado pelas expulsões precoces e pela bizarra arbitragem de Wilmar Roldan, cujas decisões erradas obrigaram o VAR a quebrar totalmente o ritmo do duelo. Para piorar, a escolha de Tite (que já não tinha Neymar, nem Paquetá) por sacar Coutinho após o cartão vermelho infantil de Emerson Royal deixou a seleção brasileira sem ligação, incapaz de cadenciar o jogo e tirar o que nossos pontas Raphinha e Vinicius Junior, depois Antony, têm de melhor. O técnico gaúcho, como todos os seus antecessores, sempre será o alvo mais fácil, mas verdade seja dita: diversos atletas que ainda buscam vaga no Mundial também precisam se ajudar.

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As laterais são o maior problema do ciclo de 2018 até aqui. Os apenas regulares Danilo e Alex Sandro se beneficiam de insegurança demonstrada por seus concorrentes. Na esquerda, Renan Lodi pintou como solução, mas falhou feio na final da Copa América e não consegue se firmar no Atlético de Madri. Guilherme Arana, do Atlético Mineiro, deve receber novas chances, mas se destacar no futebol brasileiro não será suficiente. Ótimo no apoio, ele teria de evoluir demais na marcação para poder enfrentar nomes do nível de Mbappé, Messi, Salah e outros possíveis rivais.

Na direita, a força física e boa fase de Emerson Royal deu esperanças à torcida e a Tite, mas o jovem do Tottenham pisou feio na bola logo em sua melhor chance, expulso com pouco mais de 20 minutos de partida. Tite disse que não “entregará sua cabeça numa bandeja” mas fica num dilema: convém dar-lhe uma segunda chance ou é melhor ir em bolas de segurança, como Daniel Alves, de 38 anos, ou até mesmo Fagner? Guga, outro jovem testado, nem sequer se firmou no Galo. Há ali uma óbvia carência que Tite não conseguiu solucionar.

O problema é marcar lateral?

Desde a Copa da Rússia, na qual Gabriel Jesus, o camisa 9 do time, passou em branco, a discussão sobre o posicionamento dos homens de frente é usado como justificativa para a falta de pontaria e boas tomadas de decisões. Uma bobagem que não cabe mais em 2022. .Jesus fez uma Copa ruim e desde então jamais conseguiu atender as expectativas como homem de referência. Tanto que parece disputar mais a vaga na seleção como ponta, como atua no Manchester City de Guardiola (marcando bastante, por sinal). A bola da vez agora é Vinicius Junior, que contra o Equador repetiu o que fez nas outras quatro partidas pelas Eliminatórias: alguns bons dribles, várias bolas perdidas, nenhum gol ou assistência e diversas decisões equivocadas (confira seus números abaixo).

Destaque do Real Madrid com 12 gols e 5 assistências em 21 jogos na temporada, Vinicius Junior brilha menos na seleção não por precisar marcar mais (tem média de 1.2 desarmes por jogo em La Liga e apenas 0.2 nas Eliminatórias, segundo dados do Sofa Score), mas porque, sem Luka Modric, Toni Kroos e Karim Benzema ao lado, recebe menos bolas redondas por jogo. E também devido às suas próprias falhas. Diante da Argentina, jogo em que teve boa atuação, chamou a atenção por uma espetacular lambreta… e por uma finalização equivocadíssima, na qual tentou encobrir o goleiro Martínez, mas chutou torto. Vini tem apenas 21 anos, é excelente, carismático e tem a cara dos grandes craques brasileiros. Mas precisar evoluir se quiser estar entre os 11 em Doha, até porque Neymar e Paquetá ocupam a mesma faixa de campo que ele.

Vinicius Junior participando do momento defensivo do Real Madrid em jogo de La Liga
Vinicius Junior participando do momento defensivo do Real Madrid em jogo de La Liga ESPN/Reprodução
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Em certa medida, Gabigol, que diante do Equador também repetiu velhos erros (entrou em uma rotação abaixo do jogo e foi presa fácil para a forte defesa adversária nas divididas) sofre do mesmo problema. No Flamengo, o atacante está acostumado a receber mais bolas e consegue usar o que tem de melhor, a finalização. Na prateleira de seleções, o nível de exigência é outro e Gabriel Barbosa não tem mostrado ferramentas para se livrar da marcação e buscar mais espaços. Novamente, a falta de um meia de qualidade, como o uruguaio De Arrascaeta, também lhe atrapalha. Mas não só.

É um fato, não temos mais Ronaldos ou Romários, nem mesmo um Luís Fabiano, e agora cabe a Tite encontrar soluções para ter um time mais letal. Não é à toa que o técnico tem demonstrado preferência por atletas como Matheus Cunha, atualmente, e Richarlison, em outros momentos. Jogadores com melhor porte físico, eles também parecem mais dispostos a competir, trombar com zagueiros e abrir espaços aos colegas. Demonstram mais fome por estar no Catar. Cunha ainda não marcou pela seleção adulta, mas até diante da falta de melhores opções de camisa 9, parece estar à frente na disputa neste momento.

Quando todos estiverem à disposição, Tite terá decisões difíceis a tomar. Neymar parece ser o único com vaga realmente garantida no ataque, enquanto Antony, Raphinha, Vinicius Junior, Gabriel Jesus, Gabigol, Matheus Cunha, Roberto Firmino e Richarlison brigam por cinco a seis vagas. Uma escalação sem centroavante é uma opção que pode ser testada nos 9 jogos que restam até a Copa. Sólido defensivamente, o Brasil tem totais chances de trazer erguer o Mundial, assim como outras seleções até mais desacreditaram fizeram. Mas vai precisar de mais brilho individual e técnico de atletas que, até o momento, não deram garantias de que são capazes disso.

Vinicius Jr

Nas Eliminatórias:

5 jogos
0 gols e 0 assistências
5 passes para finalização
1 grande chance criada
44 posses de bola perdida
10 dribles certos
35% dos duelos ganhos
1 interceptação
4 desarmes

Em La Liga 21/22:

21 jogos
12 gols
5 assistências
7 grandes chances perdidas
38 passes para finalização
3 grandes chances criadas
306 posses de bola perdidas
65 dribles certos
49% dos duelos ganhos
29 desarmes
2 interceptações

Gabigol

Nas Eliminatórias

8 jogos
0.25 gols
0.5 grandes chances perdidas
3.6 posses de bola perdida
0.37 desarmes

Gabigol no Brasileirão 2021

18 jogos
0,66 gols
0,27 assistências
1,1 passes para finalização
1,0 grandes chances perdidas
8,6 posses de bola perdidas

(Dados: SofaScore)

(Colaborou Guilherme Azevedo)

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