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Tite diz que europeus podem sofrer com sul-americanos na Copa do Mundo

Em entrevista exclusiva a PLACAR, técnico apontou Equador como possível surpresa no Catar e considerou Brasil atual mais "veloz" que o de 2018

Por Fernando Valeika de Barros, de Doha Atualizado em 4 abr 2022, 11h14 - Publicado em 4 abr 2022, 10h54

Desde o último título mundial da seleção brasileira, há 20 anos, todas as quatro Copas seguintes foram vencidas por equipes europeias para piorar, o único sul-americano a chegar à final foi a Argentina, batida pela Alemanha, em 2014. O jejum incomoda especialmente o técnico Tite, que mantém retrospecto excelente no continente, mas que no Mundial de 2018 não saiu do empate com a Suíça na estreia e foi eliminado pela Bélgica nas quartas de final. Em entrevista exclusiva a PLACAR no último sábado 2, em Doha, um dia depois do sorteio dos grupos da Copa do Catar, Tite lamentou a falta de testes contra seleções europeias, mas tentou enxergar o copo meio cheio.

“Como os jogos entre seleções dos dois continentes andam raros, nós não temos essa referência. Mas, ao mesmo tempo, os europeus também deixaram de ter. Uma seleção forte, rápida e técnica, como a do Equador, por exemplo, eles não conhecem tanto. Poderá haver surpresas para sul-americanos, mas também para os europeus” afirmou Tite, citando a seleção equatoriana, terceira colocada das Eliminatórias da Conmebol, que caiu no grupo A, com Senegal, Catar e Holanda.

Durante a conversa com PLACAR, Tite exaltou as novidades na seleção brasileira impulsionadas pela conquista do ouro olímpico em Tóquio em 2021 e disse que com as entradas de Raphinha, Antony, Vinicius Junior e Matheus Cunha, a equipe se tornou mais letal. “Antes cadenciávamos mais a bola: agora, são ações mais verticais e rápidas”, explicou. O treinador gaúcho reiterou que deixará o cargo em dezembro, após o Mundial, e apontou outros “fora de série” além de Neymar, que poderão fazer a diferença no Catar. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra:

O futebol brasileiro não vence um Mundial de Clubes há dez anos, com o Corinthians dirigido pelo senhor, e está há 20 anos sem vencer uma Copa do Mundo. Quais as razões para isso e por que pode ser diferente no Catar? Eu não sei por que isso está acontecendo. Mas gostaria que existisse um intercâmbio maior de enfrentamentos entre seleções europeias e sul-americanas. Como os jogos entre seleções dos dois continentes andam raros, nós não temos essa referência. Mas, ao mesmo tempo, os europeus também deixaram de ter tantas referências sobre o estilo de jogo dos sul-americanos. Uma seleção forte, rápida e técnica, como a do Equador, por exemplo, eles não conhecem tanto. Poderá haver surpresas para sul-americanos, mas também para os europeus.

Qual diferença entre a atual equipe do Brasil e a que disputou a Copa na Rússia? A equipe brasileira modificou-se bastante entre 2018 e 2022. Antes nosso time trabalhava mais a bola, agora, tem mais velocidade nas execuções das ações ofensivas. Antes cadenciávamos mais a bola: agora, são ações mais verticais e rápidas. O técnico é um artífice que deve pegar os melhores atletas e adaptar as suas características ao melhor estilo de jogo, que uma equipe pode desempenhar.

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Seria a geração que ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio a responsável por essa mudança de característica? É isso mesmo. Há uma geração nova de garotos, que tem uma característica de muita finta e muita velocidade e o nosso estilo de jogo tem que levar isso em consideração. As pessoas não podem olhar um modelo de futebol sem levar em função a qualidade dos atletas e as características das gerações que surgem.

Eric Bailly disputa bola com Antony em Yokohama
Antony, durante a Olimpíada de Tóquio; jogador do Ajax virou peça-importante da seleção principal Yoshikazu Tsuno/HULU

A Copa do Catar possivelmente será jogada com 26 jogadores convocados e cinco substituições. O quanto isso pode afetar o jogo? Com 26 jogadores à disposição, numa partida e a possibilidade de cinco substituições, as trocas serão mais rápidas. E atletas de alto nível terão que estar preparados para entrar, dependendo das circunstâncias. A versatilidade dos atletas e o fato de eles estarem prontos para entrarem em campo, será fundamental. Segundo as estatísticas, acontecem entre quatro e cinco substituições por jogo, na seleção brasileira. Jogos pedem que entre um atleta para mudar as características da equipe. Pode ser necessário um atacante mais agudo ou outro que flutue mais. Ou mudanças no posicionamento da defesa e no meio de campo.  E nós temos que fazer essas mudanças,

Copas podem ser decididas em um lance de um craque fora de série. Quem seriam os nossos, fora o Neymar? Eu não sei. Nove meses antes de uma Copa, muitas vezes é quando surgem e se afirmam alguns talentos individuais jovens e que podem fazer a diferença, ali na frente. Hoje quem pode fazer isso, teoricamente, é o Neymar.  Mas, quem me diz que não pode ser o Raphinha? Ou o Dani Alves, com 37 anos, jogando o que jogou, tecnicamente e fisicamente, na altitude, em La Paz, contra a Bolívia. Quem me diz que esse fora de série não pode ser o Thiago Silva, que é um dos melhores zagueiros do mundo. Ou o Alisson ou o Ederson ou Weverton, que fecham o gol, e fazer como fez o Courtois, na nossa partida contra a Bélgica. E tem o detalhe da surpresa, como foi o Amarildo em 1962, e que pode ser um destes meninos. A individualidade pode fazer a diferença. Podem ser os meninos da geração olímpica ou jogadores mais experientes. Eu aprendi que em se tratando de fora de série não se pode ter preconceito.

Ainda há chance de reconsiderar a ideia de deixar a seleção após a Copa do Catar? Não, absolutamente, está fora (de questionamento). Etapas na nossa vida profissional acontecem. E eu terminarei um ciclo.

Isso dá a você mais tranquilidade para encarar esse Mundial? Não vai aumentar ou diminuir a minha pressão, isso só me deixa em paz. E no próximo local para onde eu for, depois da Copa, será exatamente igual.

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