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Técnico da AFA citado por Anvisa nega falsificação: ‘Nem estive no Brasil’

Fernando Ariel Batista, treinador das seleções inferiores, falou a PLACAR sobre documento: “Eu não tenho nada a ver com questões administrativas”

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 23 set 2021, 17h18 - Publicado em 6 set 2021, 11h21

A confusão que culminou na suspensão do clássico entre Brasil e Argentina, em São Paulo, no último domingo 5, ganhou um novo personagem: Fernando Ariel Batista, treinador das seleções inferiores da Associação de Futebol Argentino (AFA). Nesta segunda-feira, 7, o portal G1 teve acesso a um documento da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), que o apontou como o responsável por ter supostamente falsificado a documentação dos quatro jogadores que vieram do Reino Unido.

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Em contato com PLACAR, Batista se disse surpreso com a notícia e negou qualquer ligação com o caso. “Sou treinador, nem sequer estive no Brasil. Não sei se há outro Fernando Ariel Batista na AFA, mas eu não fui”, garantiu o técnico, que comandou a Argentina nos Jogos Olímpico de Tóquio e depois seguiu a serviço das equipes sub-20 e sub-23.

“Eu estava nos EUA as seleções inferiores, cheguei há poucos dias na Argentina. Não tenho nada a ver com questões administrativas…” disse Batista, que desligou ao dizer que precisava fazer outras ligações para entender o que acontecia. Procurada, a AFA confirmou que Batista não esteve no Brasil, conforme mostra a súmula com todos os membros da comissão técnica que estiveram na Neo Química Arena (abaixo) e disse que o documento da Anvisa é falso.

Ficha do jogo não mostra Fernando Batista entre a comissão argentina
Ficha do jogo não mostra Fernando Batista entre a comissão argentina Conmebol/Reprodução

Ex-zagueiro, Batista foi formado no Argentinos Juniors, onde atuou de 1990 a 1993. Passou pelo San Lorenzo, Godoy Cruz e encerrou a carreira no All Boys. Até 2018 treinava as seleção de base da Armênia, quando assumiu o comando da equipe sub-20 argentina. Dirigiu a albiceleste nos Jogos de Tóquio, mas sucumbiu ainda na primeira fase da competição com apenas uma vitória em três jogos, em grupo com Espanha, Austrália e Egito.

A confusão teve início no sábado à noite, quando a Anvisa informou que Giovani Lo Celso, Emiliano Martínez, Emiliano Buendia e Christian Romero, atletas que atuam por clubes ingleses, deveriam cumprir quarentena imediata e não poderiam participar do jogo. A AFA, confiando em um acordo de flexibilização assinado junto a Conmebol, com o aval da CBF, desafiou a ordem e levou os atletas para a partida. Por volta dos nove minutos de partida, com o 0 a 0 no placar, as autoridades da Polícia Federal e da Anvisa entraram no gramado da Anvisa para paralisar o jogo. 

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres afirmou que os quatro jogadores mentiram no relatório do viajante, exigido pela autoridade sanitária para a entrada no país durante a pandemia. De acordo com as regras vigentes, pessoas que passaram pelo Reino Unido, África do Sul e Índia devem cumprir quarentena de 14 dias. Nesta sexta, o jornal G1 disse que foi Batista o responsável pelo preenchimento.

“Os quatro jogadores disseram não ter passado por Reino Unido, África do Sul e Índia, mas no passaporte ficou comprovado que passaram no Reino Unido. Só constataram entre ontem à noite e hoje. Chegamos a esse ponto porque tudo aquilo que a Anvisa orientou não foi cumprido. Os jogadores tinham que ser isolados para serem deportados , entretanto não foi cumprido. Se deslocaram até o estádio e entraram em campo”, afirmou, em entrevista à Rede Globo. Segundo Barra Torres, os jogadores serão autuados, multados e, então, deportados.

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Em nota, a CBF lamentou os fatos ocorridos e criticou a ação da Anvisa. “A CBF defende a implementação dos mais rigorosos protocolos sanitários e os cumpre na sua integralidade. Porém ressalta que ficou absolutamente surpresa com o momento em que a ação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ocorreu, com a partida já tendo sido iniciada, visto que a Anvisa poderia ter exercido sua atividade de forma muito mais adequada nos vários momentos e dias anteriores ao jogo”, diz.

Além disso, a entidade disse que em nenhum momento Ednaldo Rodrigues, presidente interino da CBF, ou seus dirigentes interferiram em qualquer ponto relativo ao protocolo sanitário estabelecido pelas autoridades brasileiras para a entrada de pessoas no país. “O papel da CBF foi sempre na tentativa de promover o entendimento entre as entidades envolvidas para que os protocolos sanitários pudessem ser cumpridos a contento e o jogo fosse realizado”, escreve, em nota.

“A CBF reitera sua decepção com os acontecimentos e aguarda a decisão da Conmebol e da Fifa em relação à partida”, completa.

Também em nota oficial, a Anvisa disse que a ação se limitou a buscar o cumprimento das leis brasileiras, o que se limitaria à segregação dos jogadores e as suas respectivas autuações. “A decisão de interromper o jogo nunca esteve na alçada de atuação da Agência. Contudo, a escalação de jogadores que descumpriram as leis brasileiras e as normas sanitárias do país, e ainda que prestaram informações falsas às autoridades, essa assim, sim, exigiu a atuação da Agência de estado, a tempo e a modo.”

A resolução do caso agora ficará a cargo do comitê disciplinar da Fifa, que informou que já recebeu os primeiros relatórios sobre o caso. Existe a chance de a partida ser remarcada ou ainda que uma das duas equipes tenha a derrota declarada.

 

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