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Talles Magno supera dificuldades no Vasco e vive ano de redenção na MLS

Promessa badalada em 2019, atacante deixou críticas para trás e teve importante participação no inédito título do New York City FC nos Estados Unidos

Por Klaus Richmond, Guilherme Azevedo Atualizado em 25 dez 2021, 12h56 - Publicado em 25 dez 2021, 12h51

Aos 19 anos, Talles Magno já provou do doce ao amargo no futebol. De ascensão meteórica quando, em 2019, estreou com apenas 16 como profissional pelo Vasco – o jornal inglês The Guardian incluiu o atacante em sua badalada lista anual de 60 jogadores mais promissores do mundo –, se transformou já em 2020 em um dos alvos preferidos de críticas de torcedores do Vasco devido a péssima campanha da equipe no Campeonato Brasileiro.

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“A maior enganação do futebol brasileiro”, desabafou um vascaíno nas redes sociais após a derrota por 4 a 0 para o Grêmio, em 6 de dezembro, pela 24ª rodada da competição. “Não tenho mais paciência para o Talles”, disse outro.

Talles deixou o Vasco em maio deste ano -
Talles deixou o Vasco em maio deste ano – Rafael Ribeiro/Vasco.com.br/MF Press Global

Negociado em maio deste ano sob baixas perspectivas com o New York City FC, dos Estados Unidos, por cerca de 42 milhões – mais aditivos que podem aumentar o valor da negociação – Talles encontrou sua redenção em dezembro. Antes, precisou superar dificuldades com a língua e a adaptação ao futebol do país.

“Imaginava que a MLS seria de um jeito e se apresentou como algo totalmente diferente. Falaram que a liga era fácil, mas cheguei e não conseguia nem jogar. Eu dominava a bola e já roubavam. Tentava correr e chegavam. Isso cada vez mais foi me deixando triste. Tive que entender, colocar a cabeça no lugar”, disse o jogador a PLACAR.

Em 5 de dezembro, o esforço do jogador foi premiado com gol do título da Conferência Leste da Major League Soccer, na vitória por 2 a 1 sobre o Philadelphia Union. Ele marcou aos 43 minutos do segundo tempo.

Na última semana, na decisão da competição, a equipe foi campeã pela primeira vez ao bater o Portland Timbers nos pênaltis. Talles entrou durante a partida e converteu uma das cobranças. Na temporada foram 18 jogos e três gols marcados, o jogador brasileiro mais jovem a conquistar o torneio.

“Muitos falam que a MLS não é tão vista, mas entendo que no momento que por aqui posso ser convocado de novo [para a seleção]. Para isso, tenho que ser o melhor, tenho que brilhar como não brilhei no Vasco. Só assim serei reconhecido novamente e chegarei na seleção. Tenho uma história nas seleções de base e sei que só preciso manter o foco, que a oportunidade vai chegar”, afirmou.

“Continuo sendo o mesmo, mas aprendi a necessidade do momento do jogo. Se tiver que só marcar e não encostar na bola, eu sei fazer isso. Aprendi a jogar de centroavante, ponta, camisa 10 e de outras funções. Como a liga é muito rápida e forte, mudou a dedicação na marcação, mudou a minha chegada na área. No Brasil eu ficava muito distante do gol, aqui aprendi a me posicionar melhor”, completou.

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Veja a entrevista completa com Talles Magno:

Há uma declaração sua sobre dificuldades até a conquista nos Estados Unidos. Quais foram essas dificuldades? Uma das maiores dificuldades que tive foi imaginar que a MLS seria de um jeito e se apresentou como algo totalmente diferente. Falaram que a liga era fácil, mas cheguei e não conseguia nem jogar. Eu dominava a bola e já roubavam. Tentava correr e chegavam. Isso cada vez mais foi me deixando triste. Tive que entender, colocar a cabeça no lugar. O jogo é muito mais rápido aqui. O meu joelho estava ruim, não cicatrizou totalmente de uma lesão e inchava muito.

Houve problemas com a língua? Está sendo difícil até hoje. Está muito frio, também. Aqui há pessoas que falam espanhol, isso ajuda, mas estou tentando aprender logo. Foi muito difícil no começo, precisava dar o meu jeitinho.

Você se arrependeu em algum momento da mudança? Pensou em voltar? Nunca passou pela minha cabeça voltar para o Brasil, ou desistir. Eu sempre tive objetivos na minha carreira e fui focando neles. Só pensei em superar, dar o meu melhor que logo iria ter recompensa. Quando chegou no momento da final e eu fiz um gol foi maravilhoso. Eu achei que era a hora de mudar, de aprender coisas novas e essa decisão foi rápida. Pintou a oportunidade e encarei como um desafio.

O que mudou no Talles de 2020 para o de 2021? Continuo sendo o mesmo, mas aprendi a necessidade do momento do jogo. Se tiver que só marcar e não encostar na bola, eu sei fazer isso. Aprendi a jogar de centroavante, ponta, camisa 10 e de outras funções. Como a liga é muito rápida e forte, mudou a dedicação na marcação, mudou a minha chegada na área. No Brasil eu ficava muito distante do gol, aqui aprendi a me posicionar melhor.

Você passou por muitas dificuldades no Vasco. Foi muito importante na minha carreira ter subido com 16, tenho três anos como profissional. O Vasco não estava bem e as coisas não aconteceram como queríamos. Queria ter sido melhor, ter conquistado títulos, mas foi difícil demais. Eu queria ser um ídolo no clube, mas sofremos uma queda para a Série B. Ficava quieto e em silêncio, tentava tirar de mim o meu melhor no Vasco, mas o meu melhor era aquilo. Havia muita cobrança, não dá para falar que só eu estava mal. Muitos estavam, se fosse só eu o grupo ia segurar. Trabalhava muito, mas não correu como gostaria.

Na prática, qual a diferença do dia a dia nos Estados Unidos e aqui no país? No Vasco eu tinha uma nutricionista perto e aqui nos EUA nos apresentamos direto para o jogo, é mais difícil para mim. Está sendo mais difícil isso, faço por conta própria. No Brasil era muito obrigatório. Aqui, se você quer, você faz. Se não quer, não faz. Tem que tirar estímulo de você, fazer o certo por você. Não existe a obrigação de ir direto para a academia, ou de treinar mais finalização. Tem que pedir.

Você é companheiro do Taty Castellanos, artilheiro da MLS e um dos nomes desejados pelo Palmeiras no mercado. Ótimo jogador, muito dedicado. Eu e ele íamos no treinador pedimos permissão para treinar finalizações e apostávamos para fazer valer a pena o tempo que estamos nos dedicando. É muito agressivo para fazer gols, inteligente nas suas movimentações e muito veloz. Mereceu ser um dos melhores da liga, trabalha muito bem.

O seu sonho é chegar na Europa. Ainda dá para projetar isso por aí? Dá, sim, a MLS compra muitos estrangeiros e está crescendo demais, sendo cada vez mais visada. Todo mundo da MLS pode sim chegar, a liga é muito forte. Eu sonho, sim, com a Europa, mas nesse momento penso em ganhar mais títulos do New York, quero ser titular e um dos melhores da liga. Preciso pensar no hoje.

E a seleção brasileira virou ? Muitos falam que a MLS não é tão vista, mas entendo que no momento que por aqui posso ser convocado de novo [para a seleção]. Para isso, tenho que ser o melhor, tenho que brilhar como não brilhei no Vasco. Só assim serei reconhecido novamente e chegarei na seleção. Tenho uma história nas seleções de base e sei que só preciso manter o foco, que a oportunidade vai chegar.

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