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Surpresa do Brasileiro, Vojvoda é fã de futebol intenso e ofensivo

A PLACAR, treinador argentino falou sobre suas preferências de jogo, vontade de construir um projeto no clube e admitiu não ter medo do ‘resultadismo’

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 23 set 2021, 17h15 - Publicado em 10 set 2021, 11h09

Contratado pelo Fortaleza em 4 de maio deste ano, Juan Pablo Vojvoda, 46 anos, surpreendeu o Brasil. Precisou de apenas 14 dias para conquistar o primeiro título, o do Campeonato Cearense, e se transformou rapidamente no rosto da melhor campanha da história do clube até aqui no Campeonato Brasileiro – a equipe terminou o primeiro turno como terceira colocada, com 33 pontos.

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Pouco conhecido antes da chegada, o argentino se consolida como um dos melhores técnicos do país na temporada. Defensor sem grande destaque enquanto jogador, com passagens por pequenos clubes da Espanha e de seu país, atualmente, à beira do campo, transmite aos atletas um estilo de futebol intenso e ofensivo.

“Minha ideia de futebol é simples: todos atacamos e todos defendemos. Obviamente, existem momentos que gosto mais de atacar do que defender, de estar com bola. Enxergo que a intensidade no futebol de hoje é muito importante, para isso, precisamos de jogadores que estejam convencidos com essa ideia de pressão. Gosto do jogo de posse, mas também entendo que o jogo é pra ganhar. Então me agrado com equipes verticais, que procurem a frente. Sempre transmito isso para os jogadores e não sou aquele treinador que diz ‘aqui mando eu’.”, explica em entrevista a PLACAR.

Com Vojvoda, Fortaleza é um dos maiores destaques do primeiro turno do torneio. Dono do segundo melhor ataque da competição, com 29 gols, o clube cearense também está entre os que mais criaram grandes chances, segundo o SofaScore.

Consciente da presença de um adversário e das particularidades presentes em diversos jogos, o argentino confirmou que as situações são bastante dinâmicas. “Se eu pudesse, atacaria em linha reta sempre, mas não é assim. Muitas vezes, o caminho do gol adversário está congestionado, então, é preciso girar a bola. A compreensão do jogo não é estática, porque a cada confronto, é necessário mudar. Cada partida, apresenta situações diferentes.”. Apaixonado por falar de futebol, Vojvoda ainda brincou durante a entrevista: “não me deixe falar muito, porque adoro falar de futebol”.

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A campanha do Leão da Pici sob comando de Juan Pablo já é histórica e ainda estamos no primeiro turno. Donos de um jogo que atrai espectadores torcedores de outros times, o Fortaleza mostra, a cada dia, motivos para seu apaixonado sonhar. Vojvoda, no entanto, foge de pressões com uma posição final encantadora e pensa apenas no jogo seguinte.

“Fizemos um bom primeiro turno. Nós devemos focar nossa cabeça no próximo jogo, sempre. O principal para mim é instalar uma unidade de jogo, fazer vocês pensarem: ‘o Fortaleza joga assim’. Podemos ganhar ou perder, mas queremos quase sempre propor um jogo agressivo. O torcedor quer vencer sempre, mas se você instalar uma ideia, no próximo ano isso se consolida. Isso é um projeto de clube.”, disse o argentino.

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Juan Vojvoda chama a atenção por trabalho corajoso no Fortaleza Alexandre Schneider/Getty Images

O contexto do futebol brasileiro, porém, pode ser um empecilho para a consolidação de um projeto. Por tradição resultadista, o torcedor do Brasil é pouco paciente com projetos e longos trabalhos no país são raros. Ciente disso, perguntado sobre algum receio de não ser recebido com “boa vontade”, Vojvoda disse que nunca sentiu medo da impaciência presente com treinadores no país, que geram trocas constantes: “Não, medo, não. Ao contrário. Me encantava trabalhar no Brasil. E quando ouvi Fortaleza, quis aplicar minha ideia ao time, agregar meu estilo, minha agressividade.”

Uma fase delicada chegou ao Fortaleza de Vojvoda. Em um primeiro turno encantador, o fim foi abaixo do que havia sido apresentado, em termos de resultado. Sem vencer há cinco jogos, o treinador admitiu que é necessário manter equilíbrio mental. “É muito importante o trabalho psicológico. Muitas vezes, nós, futebolistas, trabalhamos apenas o físico, técnico e tático. Mas, antes de sermos profissionais, somos pessoas, com momentos tristes e felizes.”. As críticas chegaram na fase ruim, mas a badalação não foi tanta quando o time encantou. Sobre a discrição, Juan se motiva: “É melhor. Me motiva mais a seguir trabalhando. Que sigam não falando, que não falem nada.”.

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Primeiro turno do Fortaleza no Brasileirão já é histórico Fortaleza/Divulgação

Fã do futebol brasileiro desde sempre, o treinador citou a seleção brasileira de 1982 como uma das equipes que o deixou impressionado. Imenso admirador de colegas de profissão, Vojvoda diz não se inspirar apenas em um treinador, mas busca pontos desde Marcelo Bielsa e Pep Guardiola a Carlos Bilardo.

Já adaptado ao Brasil, Vojvoda gosta do calor de Fortaleza e se diz admirador das praias. Feliz no país, o treinador também reconhece que a fase ser boa ajuda na vida tranquila: “O ser humano se adapta muito rápido ao bom. É calor, mas eu gosto, tem muita praia e muito sol. Eu já morei na Espanha e passei por lugares muito frios. Mas aqui em Fortaleza, gosto do clima, é uma cidade alegre. E enquanto a comida, gosto muito de peixes e camarões. Claro, quando as coisas estão bem, se o time vai bem, é mais fácil.”.

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