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Suárez: quatro anos de espera para ir à desforra

Atacante pretende mostrar ao mundo o que poderia ter feito em 2014, quando foi punido pela famosa mordida

Por Fernando Beagá Atualizado em 28 set 2021, 20h20 - Publicado em 30 Maio 2018, 11h10

Os argentinos ainda se perguntam como teria sido a Copa de 1994 se Maradona não fosse suspenso por doping após brilhar em dois jogos. Os franceses, se sua seleção teria outro destino na final contra a Itália, em 2006, não ocorresse o destempero de Zidane, expulso a dez minutos do fim da prorrogação. Guardadas as proporções, vale a mesma interrogação para os uruguaios: teriam chegado mais longe se Luis Suárez não tivesse mordido o italiano Chiellini? Era a terceira partida pelo grupo C do mundial de 2014, vencida por 1 a 0 pelo Uruguai, que valeu vaga nas oitavas. O árbitro não viu a agressão, mas o Comitê Disciplinar da Fifa recorreu ao vídeo para impor dura pena de nove partidas oficiais por seu país mais quatro meses longe do futebol profissional.

Suárez considera ter sido uma pena exagerada, que abateu a todos — sem ele, a “celeste olímpica” foi derrotada pela Colômbia por 2 a 0 e voltou cedo para casa, numa campanha bem inferior ao quarto lugar conquistado em 2010. “A equipe, a comissão técnica e o povo que torcia por nós devem ter sentido essa dor e isso nos prejudicou”, disse à rádio uruguaia Rincón, no início de maio. Doeu muito porque ele fizera enorme sacrifício para estar naquela Copa, após passar por uma artroscopia no joelho esquerdo a menos de um mês do início da competição. Na mesma entrevista, afirmou ser um desafio pessoal contribuir mais na Rússia. Desforra, mesmo.

Pesou contra o uruguaio a reincidência. Em 2010, quando jogava no Ajax, da Holanda, mordeu o meia Bakkal, do PSV (sete jogos de gancho). Três anos depois, na Inglaterra, a dentada foi no sérvio Ivanovic, então no Chelsea, quando defendia o Liverpool (suspenso por dez partidas). Outro gesto controverso entrou para os grandes momentos das Copas. Em 2010, ajudou a classificar o Uruguai à semifinal ao evitar com as mãos um gol de Gana. Expulso, viu por um monitor, a caminho do vestiário, o erro do pênalti. Vibrou pelo “crime” compensado. Entre aspas, porque explorou a seu favor uma infração à regra do jogo.

Vilanizado em 2014, o atacante chegou a temer pela desistência do Barcelona em contratá-lo. O clube espanhol manteve a negociação, pagando 81 milhões de euros ao Liverpool, da Inglaterra, e não se arrepende. Em quatro temporadas, Suárez já ultrapassou a marca de 150 gols e foi expulso uma única vez em 195 jogos. O entrosamento com Lionel Messi, alheio à rivalidade entre Uruguai e Argentina, extrapola as tabelas em campo. Fora dele, compartilham goles de mate e momentos em família. “É difícil conseguir um amigo no futebol, ainda mais em sua posição, onde há muito egoísmo.”

Jogar ao lado de Messi — e de Neymar, por três temporadas — fez de Suárez muito mais do que um definidor de jogadas. Ao lado de colegas com tanto apetite pelo gol, tornou-se também um “preparador”.  Na temporada 2017/2018, foram dezesseis passes decisivos (até 6 de maio), enquanto Messi distribuiu dezoito assistências. Veloz, o uruguaio abandona a área, cai pelos lados do campo e está sempre atento à movimentação do argentino.

Outra parceria que muito se especulou ser conturbada vai muito bem. Se Edinson Cavani se estranhou com Neymar na França, no Paris Saint-Germain, com Suárez forma uma dupla que nenhum outro país iguala. São praticamente obra do destino. Nasceram na mesma cidade, a pequena Salto, distante quinhentos quilômetros da capital Montevidéu, num intervalo inferior a um mês. Luisito é de 24 de janeiro de 1987; o pequeno Edinson veio ao mundo em 14 de fevereiro. Com estilo de jogo parecido, dividem democraticamente o setor ofensivo em bom arranjo tático do técnico Óscar Tabárez. Somam 92 gols pela seleção uruguaia. Juntos, comemoraram a Copa América de 2011 e vão para seu terceiro mundial — com chances reais de ao menos voltarem a uma semifinal.

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