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Seleção: Tite promove mudanças em série e expõe setores de maior indecisão

Pouco mais de um ano antes do Mundial do Catar, treinador sofre para achar ataque ideal e vê dúvidas nas laterais e no parceiro de Casemiro

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 14 out 2021, 18h46 - Publicado em 14 out 2021, 18h45

Jogos que não empolgam, atuações irregulares e impasses em razão do calendário fazem com que a seleção brasileira seja contestada com frequência, apesar do ótimo aproveitamento de pontos nas Eliminatórias (28 pontos em dez jogos). O principal alvo de críticas, como de costume, é o treinador. Apontado como salvador no ciclo para a Rússia, Tite se vê pressionado, especialmente depois de perder a final da Copa América para a Argentina, em pleno Maracanã. O treinador gaúcho demonstra serenidade em suas entrevistas, mas parece indeciso quanto ao “time-base” que disputará o Mundial do Catar. Nesta quinta-feira, 14, o Brasil enfrenta o Uruguai, na Arena da Amazônia, às 21h30 (de Brasília).

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Virtualmente classificado para o Mundial, o Brasil, ao contrário da maioria dos candidatos ao título e também do que ocorria um ano antes da Copa da Rússia, não tem hoje uma escalação consolidada. Tite alterou os “onze iniciais” para os três jogos da Data-Fifa de outubro. Mesmo com resultados positivos e bons números de gols marcados e sofridos, o ataque do Brasil é o setor que mais gera dúvidas. Apenas o craque Neymar tem vaga garantida, tendo em vista que os convocados para o setor mudaram muito recentemente, por fatores como a transição de gerações e uma oscilação de nível de atuação dos atletas.

Tite tentou formar a equipe com dois atacantes e na partida contra a Venezuela foi a campo com Gabigol e Gabriel Jesus (Neymar estava suspenso). O resultado: um futebol burocrático, resolvido apenas com a entrada de dois pontas clássicos, os jovens Antony, do Ajax, e Raphinha, do Leeds United. No fim, o triunfo por 3 a 1 maquiou muitos problemas. No jogo seguinte, já com o camisa 10 do PSG, o treinador apostou em três atacantes. Contudo, novamente, uma atuação fraca ofensivamente plantou mais questionamentos sobre o desempenho no empate por 0 a 0 com a Colômbia. O ponto positivo, novamente, foi a entrada dos atacantes de lado.

  • Além do setor ofensivo, outras posições geram indecisão. Nas laterais, Tite ainda dá sinais de hesitação; na direita, Danilo, da Juventus, é quem joga com mais frequência, mas tem a concorrência de Emerson Royal, do Tottenham, ou até do veterano Daniel Alves, atualmente sem clube; na esquerda, a disputa é acirrada: Alex Sandro e Guilherme Arana estão no grupo atual, com Renan Lodi e Alex Telles na briga, e os experientes Filipe Luís e Marcelo sempre como alternativas de emergência.

    Para o meio-campo, o “segundo volante”, ou articulador, como gosta de falar Tite, aquele que fará dupla com o titular absoluto Casemiro, ainda é uma incógnita. Nos dois últimos jogos, o treinador deu oportunidade a Gerson e a Fred, mas nenhum deles rendeu a ponto de convencer. Douglas Luiz, Bruno Guimarães, Alan e Arthur são outras peças já testadas. Na criação, Lucas Paquetá e Everton Ribeiro vêm ganhando moral, enquanto Philippe Coutinho, ausente há mais de um ano com problemas físicos, buscará recuperar o tempo perdido até novembro do ano que vem.

    O ataque é, possivelmente, o local de maior disputa. Para o clássico desta noite, Tite evitou confirmar a escalação inicial, mas deu indícios em seus treinos e coletivas, como a confirmação de Neymar e Gabriel Jesus. A terceira vaga, porém, deve ficar com Raphinha, que agradou nas duas partidas anteriores. Segundo o próprio treinador, o atleta do Leeds pode abrir um leque de opções ofensivas: “O Raphinha é um externo que dá amplitude, tem uma jogada pessoal com velocidade, tem um balanço central com cruzamento ou a jogada de fundo.”

    Gabriel Jesus e Richarlison, fora desta convocação por lesão, são homens de confiança de Tite, com maiores chances de ir ao Catar. Outros nomes de frente, porém, devem brigar até novembro do ano que vem, pelas vagas que restam: Antony, Raphinha, Gabriel Barbosa, Matheus Cunha e Vinicius Junior criam as maiores esperanças, com Everton Cebolinha, Bruno Henrique, David Neres, Arthur Cabral, Malcom e outros na cola. O Mundial do Catar será o primeiro da história disputado nos últimos meses do ano, o que dará alguns meses a mais para Tite resolver seus problemas.

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