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Salvador improvável: Armani e a sina argentina de pegadores de pênalti

Contestado pela imprensa de seu país, goleiro foi o responsável por garantir o empate contra o Paraguai, que manteve Argentina viva na Copa América

Por Alexandre Senechal Atualizado em 28 set 2021, 11h29 - Publicado em 21 jun 2019, 11h36

PORTO ALEGREA Argentina é a última colocada do grupo B. Mesmo com apenas mais um jogo restante na primeira fase, a seleção ainda está viva na competição e precisa vencer o Catar para conseguir uma vaga nas quartas de final da Copa América. A situação poderia ser bem pior se não fosse um herói improvável. Em um time que conta com Lionel Messi, Ángel Di María e Sergio Agüero, o goleiro Franco Armani brilhou contra o Paraguai e impediu que os hermanos saíssem derrotados. Defendeu um pênalti de Derlis González, atacante que joga nos Santos, aos 17 minutos do segundo tempo e garantiu o empate em 1 a 1.

Tabela completa da Copa América 2019

A Argentina precisa melhorar muito se quiser chegar ao título sul-americano, mas ter um goleiro pegador de pênaltis historicamente ajuda na caminhada rumo a final. Sergio Goycochea se tornou ídolo no país na Copa do Mundo de 1990. Defendeu penalidades nas quartas e nas semifinais daquele ano e ficou conhecido no país como Tapa Penales. Sergio Romero fez o mesmo no jogo que colocou a Argentina na final do Mundial de 2014, aqui no Brasil: pegou duas cobranças contra a Holanda. Armani pode seguir o mesmo caminho.

O histórico do camisa 1 do River Plate e da seleção argentina é relativamente bom quando a bola é posta na marca da cal. Segundo informações do site de estatísticas de futebol Opta, Armani já encarou 44 cobranças de pênalti em sua carreira durante o tempo normal das partidas. Dessas, ele agarrou nove: o equivalente a uma defesa a cada cinco cobranças. Em disputas decididas por penalidades máximas (foram 11, das quais saiu vencedor em seis), o goleiro enfrentou 56 cobranças e realizou 12 defesas: um aproveitamento de 21,4%.

“Foi um alívio”, afirmou Armani em entrevista depois do duelo contra os paraguaios. “Tenho que ficar tranquilo, não me serve de nada entrar nervoso ou tenso na partida, porque depois as coisas não dão certo”, completou dando um conselho ao grupo. A defesa consagradora poderia nunca ter acontecido, por conta de uma falha do próprio goleiro. Ainda no primeiro tempo, o argentino tentou cortar uma bola com os pés, fora da área, e acertou um pontapé no mesmo Derlis, correndo risco de ser expulso de campo. O árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio aplicou apenas o cartão amarelo no lance.

O grande momento de Armani com a seleção não veio sem polêmica. Logo depois de defender a cobrança, o jogador fez um sinal com o dedo em riste na boca, pedindo silêncio. O recado não foi para a torcida, que apoiou o time incondicionalmente no Mineirão, ou para o time adversário, mas, sim, para os jornalistas argentinos. O goleiro é muito criticado pela imprensa de seu país, que não o vê como a melhor opção para ser titular da Argentina, apesar de fazer sucesso no River Plate, equipe pela qual foi campeão da Libertadores no ano passado.

A desconfiança existe porque a história de Franco Armani com a seleção é bem recente, apesar de já ter 32 anos de idade – completará 33 em outubro. O goleiro demorou a ter destaque no país. Passou por dois clubes pequenos da Argentina no início da carreira antes de se transferir para o Atlético Nacional, da Colômbia, em 2010. Só depois do título da Libertadores com a equipe de Medellín, em 2016, se tornou conhecido em sua terra natal. Em 2018, foi contratado pelo River e teve a primeira chance na seleção, já aos 31 anos.

Sua primeira competição pela Argentina foi a Copa do Mundo da Rússia. Armani foi convocado para ser o terceiro goleiro. Com a lesão do titular Romero e as falhas de Caballero contra a Croácia, ganhou uma chance no terceiro jogo contra a Nigéria. Foi mantido na meta para o confronto das quartas de final contra a França, porém não foi capaz de impedir a eliminação.

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