CLIQUE E RECEBA EM CASA A PARTIR DE R$ 12,90/MÊS

Rangers vai da falência na 4ª divisão à final da Liga Europa em 10 anos

Maior campeão escocês foi rebaixado em 2012 após quase fechar as portas; nesta quarta, decide a Liga Europa diante do Eintracht Frankfurt, em Sevilha

Por Da redação Atualizado em 14 Maio 2022, 19h17 - Publicado em 16 Maio 2022, 06h00

A história do Rangers Football Club poderia facilmente virar roteiro de filme, daqueles que envolvem drama, rivalidade e superação. O time azul de Glasgow é o maior campeão da Escócia, com nada mais nada menos que 55 títulos da primeira divisão, 33 Taças da Escócia, 27 Ligas nacionais. Em sua estante de títulos, há outras três taças de destaque, que simbolizam o momento mais delicado de sua história: as conquistas da Quarta, Terceira e Segunda divisão do campeonato escocês. Em razão de uma severa crise financeira que o levou a decretar falência, o Rangers foi rebaixado à quarta e última divisão em 2012. Deste então, o gigante escocês vive uma década de renascimento.

Assine #PLACAR digital no app por apenas R$ 6,90/mês. Não perca

Nesta quarta-feira,18, às 16h (de Brasília), Rangers e Eintracht Frankfurt disputam a final da Liga Europa no estádio Ramón Sanchez Pijuán, em Sevilla, na Espanha. A campanha do time até aqui surpreende. Se classificou à fase de mata-mata no segundo lugar no grupo A, oito pontos atrás do primeiro colocado Lyon. Depois teve paradas duras contra Estrela Vermelha, Braga e RB Leipzing.

James Tavernier marcou um dos gols na semifinal
James Tavernier marcou um dos gols na semifinal Rangers/Twitter

No dia 5 de maio, o Rangers escreveu um dos mais belos capítulos de seus exatos 150 anos de história, ao bater o RB Leipzing por 3 a 1 dentro do místico e lotado Ibrox Stadium e assim reverter a vantagem dos alemães. Com isso, chegou à sua primeira final continental desde 2008, quando foi derrotado pelo Zenit de São Petersburgo, pela Copa da Uefa (atual Liga Europa).

Fundado em 1 de março de 1872, o clube é um dos membros originais da Associação Escocesa de Futebol e maior rival do Celtic, o outro gigante do país. O Old Firm (A Velha Firma, em inglês) como é conhecido o clássico, é considerado um dos mais importantes e acalorados do planeta, em razão não apenas da disputa esportiva, mas de divergências culturais e religiosas — o Rangers representa o lado conservador e protestante, enquanto o Celtic tem história ligada ao socialismo e ao catolicismo. Campeão nacional em na penúltima temporada, o time azul retornou à primeira divisão em 2016, quatro anos depois do rebaixamento forçado.

A falência e a queda

Entre os anos de 2011 e 2012 o Rangers atravessava um período de grave crise financeira e má gestão jamais vistas em sua história. Foi comprado pelo magnata escocês Craig White com a promessa de pagar a dívida de 18 milhões de libras deixada pelo ex-proprietário. No entanto, a crise se intensificou ainda mais. White chegou a ser acusado de freude, entre outros crimes.

Pressionado pela torcida e alvo do Fisco britânico, a diretoria do clube acabou por admitir a incapacidade de pagar as dívidas, que chegou a beirar 26 milhões de libras. Sem saída, decretou falência em fevereiro de 2012. No buraco, o cube foi impedido de contratar jogadores por 12 meses e conforme previsto no regulamento da Premier League escocesa, foi punido com a perda de dez pontos na temporada – em segundo lugar, atrás do Celtic. Mas nada era tão ruim que não pudesse piorar.

Primeiro: para continuar em atividade, o clube precisou ser ‘refundado’ e quem assumiu foi o empresário britânico Charles Green. Além disso, devido às questões burocráticas, alterou levemente o nome da instituição, incluindo um artigo, para The Rangers Football Club.

Segundo: o baque final. O maior campeão da Escócia acabou expulso da Scottish Premiership. Em uma votação conturbada que envolvia os 30 clubes participantes da Liga Escocesa de Futebol (LEF), 25 votaram a favor do descenso do Rangers à quarta e última divisão do país. O argumento usado, à época, se respaldava no princípio de que caso o clube pulasse etapas prejudicaria a “integridade do esporte”.

Em fala após a votação o diretor-executivo da Liga, David Longmuir, afirmava “a decisão de hoje foi uma das mais difíceis para todos os envolvidos, mas foi tomada com interesse em um esporte mais justo, que é o princípio fundamental da LEF”.

Continua após a publicidade

O renascimento

Foi preciso recomeçar do zero, mas não sem apoio. No momento de dificuldade, a torcida do Rangers mostrou por que é considerada uma das mais fanáticas da Europa.

A situação crítica de falência fez com que diversos jogadores do elenco principal conseguissem rescindir seu contrato e sair do clube de graça. Entre eles, o atual goleiro titular do time, Allan McGregor, hoje um veterano de 40 anos. O arqueiro foi revelado pelo Rangers em 2001 e diante do impasse do clube na época se transferiu ao Besiktas, da Turquia. McGregor retornou em 2018 e é um dos líderes da equipe.

Em 11 de agosto daquele ano, o Rangers estreou na quarta divisão e foi campeão com 20 pontos de diferença para o segundo colocado Peterhead. No ano seguinte, um novo acesso. Conquistou a Scottish League One (a terceira divisão local) com nove rodadas de antecedência; além disso chegou às semifinais da Copa da Escócia e foi vice da Scottish Challenge Cup.

A temporada 2013/14 contou com o brilho do atacante irlandês Jon Daly, que marcou 29 gols em 71 jogos. Diferentemente dos dois acessos consecutivos, a volta à elite demorou mais um ano. O clube acabou eliminado nos play-offs em 2014/15 e só subiu no ano seguinte, ainda com dificuldades financeiras.

Em 2016, a vitória sobre o Durbatom por 1 a 0 não garantiu só o acesso, mas também o título da segunda divisão do país. O gol solitário foi marcado pelo defensor James Tarvernier, atual capitão do time finalista da Liga Europa. À distância, o Rangers assistiu seu maior rival, o Celtic, ampliar seu domínio no futebol do país. Durante o tempo em que o Rangers ficou nas divisões inferiores, o time alviverde venceu todas as edições da Scottish Premiership e diminuiu a distância para o maior campeão para apenas três títulos.

De volta à elite

O capitão da seleção inglesa Steven Gerrard, em entrevista na véspera da partida contra a Uruguai, na Copa 2014 no Brasil
Steven Gerrard foi peça importante no renascimento do Rangers Ivan Pacheco/VEJA.com/VEJA

O Rangers demorou a recuperar o protagonismo na elite do futebol escocês. Desde o acesso, demitiu e contratou três técnicos até anunciar uma estrela do futebol britânico: Steven Gearrard, ex-capitão e ídolo Liverpool. O treinador ficou à frente da equipe de 2018 a 2021. Em 2021, após dez anos, o Rangers finalmente conseguiu ser campeão da primeira divisão escocesa – foi seu 55ª título, contra 51 do Celtic, e o primeiro da nova carreira de Gerrard, atualmente no Aston Villa.

Hoje, mais estável financeiramente, com Douglas Park, empresário sul-africano do ramo automobilístico, na presidência e outro famoso ex-jogador como técnico, o holandês Giovanni Van Bronckhorst, o time se permite sonhar com seu segundo título europeu, 50 anos depois da Taça das Taças (Recopa Europeia) de 1972. O artilheiro do time é o colombiano Alfredo Morelos, autor de 19 gols na temporada, sendo quatro na Liga Europa. O Rangers quer voar cada vez mais alto, sem nunca esquecer do passado.

Ainda não assina Star+?! Clique aqui para se inscrever e ter acesso a jogos ao vivo, séries originais e programas exclusivos da ESPN!

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Impressa + Digital no App

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital no App

a partir de R$ 9,90/mês