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Racismo contra Celsinho: STJD acata recurso e devolve pontos ao Brusque

Decisão anunciada em plena na Semana da Consciência Negra influencia diretamente na disputa contra o rebaixamento para a Série C

Por Da Redação Atualizado em 18 nov 2021, 17h40 - Publicado em 18 nov 2021, 17h35

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) devolveu ao Brusque os três pontos que havia retirado pelo caso de racismo do então presidente do conselho deliberativo do clube, Júlio Antônio Petermann, ao meio-campista Celsinho, do Londrina, em partida entre as equipes em 28 de agosto, pela Série B do Campeonato Brasileiro. A decisão ocorreu em julgamento nesta quinta-feira, 18, dois dias antes do Dia da Consciência Negra, por maioria dos votos.

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Com a recuperação dos pontos, a equipe catarinense passa a ter 44, subindo da 15ª para a 14ª colocação na tabela de classificação. O resultado influencia diretamente na disputa contra o rebaixamento para a Série C (confira a classificação completa).

O pleno do Tribunal apenou os catarinenses com a perda de um mando de campo, mas manteve a suspensão de 360 dias ao conselheiro, com multa de 30.000 reais, além da punição de 60.000 reais ao clube.

O julgamento durou pouco mais de cinco horas e contou com a participação de Celsinho, que chegou a se pronunciar vestindo a atual versão da camisa do Observatório de Discriminação Racial.

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Além dos advogados dos clubes e de oito auditores, o julgamento contou com integrantes das federações dos estados do Paraná, Santa Catarina e Bahia, além de adversários diretos na luta contra o rebaixamento como Vitória e Ponte Preta.

O Brusque, representado pelo advogado Osvaldo Sestário Filho procurou minimizar o caso tentado desqualificar o termo “cachopa de abelha”, utilizado para ofender Celsinho, como uma injúria racial. Ele mencionou que o mesmo termo, aplicado ao zagueiro David Luiz, não teria a mesma conotação ofensiva.

O advogado do Londrina, Eduardo Vargas, contrapôs os argumentos apresentados pelos catarinenses. “O advogado do Brusque falou que ‘sabe a dor que o atleta está sentindo’. Sabe mesmo? Que situações como essa infelizmente acontecem com um homem, com um trabalhador, com um pai de família”, afirmou. “Ele abriu o coração dizendo a dor que sentiu ao ver sua esposa, filhos chorando, a dor que sentiu porque o filho de cincos anos tem um cabelo igual o dele. É isso que queremos para a nossa sociedade? Tentaram disfarçar que não era algo racial”, completou.

O caso Celsinho ganhou repercussão nacional após o Brusque dizer que o jogador fez “falsa imputação de crime” e “oportunismo” quando informou ter sido vítima de racismo. O clube ainda insinuava a acusação como um “artifício esportivo” utilizado pelo jogador a quem se referiu como alguém que se promovia por fazer coisas do tipo. Dias depois, tentou se retratar pedindo desculpas pelo “posicionamento equivocado”.

Esse não foi o único episódio relatado por Celsinho durante a disputa da Série B. Três profissionais de rádio, dois deles da Rádio Bandeirantes de Goiânia, e um da Rádio Clube do Pará, também usaram de falas racistas como: “cabelo pesado”, “bandeira de feijão”, “negócio imundo” e “cabelo de ninho de cupim” para se referir ao jogador. Todos pediram desculpas e foram afastados pelas empresas. Eles foram acionados criminalmente.

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