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Opinião: Neymar, o caos imperfeito

A vida confusa fora de campo do craque pode fazê-lo entrar para a história menor do que imaginava

Por Fábio Altman Atualizado em 4 fev 2022, 14h50 - Publicado em 5 fev 2022, 08h00

Que Neymar é um cracaço de bola, ninguém discute. É espetacular vê-lo em campo em dias bons, muito rápido, inteligente, sempre a caminho do gol, com dribles entusiasmantes. Neymar tem carisma. As crianças gostam de Neymar. Está na história do Santos, foi muito bem no Barcelona e, agora, no PSG. Pela seleção, tem 67 gols, a mesma quantidade de Ronaldo Fenômeno – a dez do recorde de Pelé. Neymar é o cara. Salve Neymar!

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E, no entanto, falta muito ainda para que Neymar tenha a dimensão histórica de outros craques recentes, a turma do “R” : Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Romário e Rivaldo. Todos eles foram campeões do mundo pelo Brasil. Neymar ainda não. Com a exceção de Rivaldo, um tímido vocacional, os outros também fizeram barulho fora de campo. Ronaldinho Gaúcho chegou a ser preso no Paraguai. Mas nenhum deles atraiu ou atrai tanta luz ao tirar as chuteiras e vestir tênis de marca como Neymar – e isso faz mal para a carreira do jogador. É o caos imperfeito, para usar como inspiração, com ligeira alteração, o nome do documentário da Netflix – O Caos Perfeito – cujo título foi tirado de uma frase de Daniel Alves.

Série da Netflix dividiu opiniões sobre Neymar - Divulgação/Netflix
Série da Netflix dividiu opiniões sobre Neymar – Divulgação/Netflix

Muito espertamente, e com excelente edição de imagens e cenas de arquivo, o documentário em três episódios põe em cena todas as confusões e ataques contra o jogador: as denúncias de assédio, a acusação de “cai-cai”, que colou na Copa de 2018, o “monstro” que estaríamos criando ao passar a mão na cabeça do menino mimado etc. É bom que essas questões sejam levadas à tela, honestamente. Mas talvez seja apenas um truque para evitar o que, a rigor, Caos Perfeito é, sim: um filme chapa-branca, uma hagiografia. Ele pretende oferecer aos fãs a imagem de alguém que, pressionado pela sociedade, faz o que pode, e muitas vezes tropeça. Não passa, contudo – e o próprio pai, Neymar, o faz-tudo do filho, admite – do show ao redor de um “produto”. O problema é mantê-lo em voga depois de pendurar as chuteiras como fez, por exemplo, Michael Jordan, no basquete.

Pela seleção em 2021 foram seis gols em 13 partidas e muitas polêmicas -
Pela seleção em 2021 foram seis gols em 13 partidas e muitas polêmicas – Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

Eis aí o nó central de Neymar: ser um produto que não cabe apenas entre as quatro linhas. Insista-se: é craque, está entre os maiores, mas pode entrar para a história de tamanho menor do que gostaria. Já não é mais um menino, tem 30 anos. Se ganhar a Copa do Mundo pelo Brasil, no Catar, aí sim a narrativa pode vir a ser outra (embora precise também ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo, que ainda não ganhou). Se perder no Catar, adeus. Pode soar um tanto cruel atrelar ao título mundial pela canarinho a salvação da imagem de um jogador, mas o futebol é cruel, sim. Não há problema nenhum em Neymar ser imperfeito, o ruim é ser um caos. Que bom seria se pudéssemos não acompanhar seus passos à margem do gramado, ficando apenas com a bola nos pés, mas ele não deixa.

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