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O renascimento de Jô: de baladeiro a ‘rei dos clássicos’

Cria da base, atacante retornou ao Corinthians desacreditado e se tornou o líder do time

Por Da redação Atualizado em 20 out 2021, 18h34 - Publicado em 15 nov 2017, 23h46

“Quando o foi anunciado, tive o cuidado de perguntar a vários jogadores sobre ele. Infelizmente, liguei em Porto Alegre e Belo Horizonte para saber do Jô e quase desisto de ser técnico do Corinthians”, brincou o técnico Fábio Carille nesta semana. A fama de festeiro e indisciplinado atrapalhava a carreira do atacante de 30 anos, formado no Corinthians, que apesar de ter ganhado vários títulos e até ter disputado uma Copa do Mundo era motivo de desconfiança. Em janeiro, Jô jurou que havia amadurecido. Ajudado pela religião, largou a bebida e se dedicou como nunca à família. E também ao futebol: se tornou o artilheiro e símbolo deste surpreendente Corinthians. E, doze anos depois, conquistou seu segundo título do Brasileirão pelo clube, desta vez como protagonista.

Jô chegou sob tanta desconfiança que nem era considerado titular no início do ano. A história começou a mudar em 22 de janeiro. Ele estava no banco, na reserva de Kazim, e entrou para marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, num jogo em que o Corinthians reclamou de ser prejudicado pela arbitragem. Aquela vitória pelo Paulistão em Itaquera é apontada no clube como o momento de virada do time, que ganhou confiança e arrancou para as conquistas do estadual e do Brasileirão. Baladeiro? Jô ganhava nova alcunha: o rei dos clássicos.

O atacante alto e canhoto marcou sete gols em confrontos contra rivais estaduais em 2017: três contra o São Paulo, dois contra o Palmeiras e dois contra o Santos. Também deixou sua marca em jogos-chave do Brasileirão, como contra a Chapecoense, no segundo turno. Até mesmo em momentos turbulentos do ano, Jô também esteve sempre presente: escapou de suspensão no Paulistão graças a um belo gesto de fair-play do são-paulino Rodrigo Caio; marcou um teve gol anulado por impedimento contra o Flamengo; e causou enorme confusão ao marcar, de braço, o gol da vitória sobre o Vasco, em Itaquera.

Naquela ocasião, Jô foi bastante criticado por não ter avisado ao árbitro que seu gol foi irregular. “Algumas coisas que me deixaram chateado foram julgamentos sobre meu caráter e minha conduta fora de campo e acho que não é um lance desse que vai manchar o que sou”, disse Jô naquela semana. De fato, o jogador comprovou, ao longo de toda a sua temporada, o seu amadurecimento. Defendeu – e até cobrou – alguns companheiros quando necessário. Diante da recente pichação de muros do Parque São Jorge, foi o escolhido para dar entrevista e apagar o incêndio. E, mais importante que isso, foi o goleador de um time com limitações ofensivas. Com 18 gols, é o artilheiro e campeão do Brasileirão que ainda tem três rodadas por jogar. 

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