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O homem do jogo: Como foi a atuação de Enzo Pérez como goleiro do River

Volante de 35 anos sofreu um gol, mas não teve muito trabalho e ajudou o time argentino na vitória por 2 a 1 sobre o Santa Fe na Libertadores

Por Alexandre Senechal Atualizado em 23 set 2021, 19h45 - Publicado em 19 Maio 2021, 22h53

O surto de Covid-19 no elenco do River Plate gerou uma situação inusitada, ou melhor, histórica na noite desta quarta-feira, 19. Em jogo válido pelo grupo D da Libertadores, a equipe argentina tinha apenas 11 jogadores disponíveis para o duelo contra o Santa Fe e nenhum dos quatro goleiros inscritos na competição à disposição – já que a Conmebol não aceitou um pedido feito pelo clube para adicionar dois atletas da posição na lista. Sobrou para o volante Enzo Pérez a ingrata tarefa de jogar improvisado na posição. Surpreendentemente, ele e o time foram bem. O River venceu por 2 a 1, no Monumental de Núñez, com Pérez eleito como o melhor em campo, e passou de uma situação dramática para a liderança da chave.

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“O triunfo mais incrível da era Gallardo”, cravou o diário Olé logo após a partida em que, pela primeira vez na história do futebol, uma equipe começou jogando com um atleta de linha na meta. Havia expectativa até de que o esfacelado time do River pudesse ser goleado. A preocupação virou motivo de festa em Buenos Aires, e certamente dará força à tradicional equipe, campeã em 2015 e 2018 e vice em 2019.

Para a sorte do River Plate, o Santa Fe não fez um bom jogo e quase não acertou o alvo. Os colombianos tiveram 70% de posse de bola e chutaram 22 vezes na partida, mas apenas cinco foram no gol. Enzo Pérez praticamente não teve trabalho. A única defesa foi em uma bola que já iria para fora. O zagueiro Palacios chutou de longe aos 25 minutos do primeiro tempo e o goleiro improvisado pulou no canto esquerdo para fazer a defesa.

“Destaco o coração, a hombridade e a personalidade não só de quem jogou hoje (…) Demonstramos novamente o grupo que somos e nossa classe como pessoas”

Enzo Pérez

Se seguisse a recomendação do departamento médico do River, o experiente jogador de 35 anos, com passagens marcantes pela seleção argentina, não deveria nem estar em campo. Um incomodo no isquiotibial direito, um grupo de músculos localizados na parte posterior da coxa, não dava condições de jogo para o volante de origem. Mesmo assim ele pediu para jogar como goleiro para não deixar a equipe com 10 jogadores e ainda com um outro atleta de linha debaixo das traves.

A lesão impedia que ele fizesse alguns movimentos. Para se poupar, deixava o zagueiro Tomás Lecanda cobrar os tiros de meta, mas teve de chutar a bola para frente algumas vezes após as poucas defesas que fez. Contrariando todas as casas de apostas, que chegaram a disponibilizar uma aposta de 10 para 1 em caso de vitória do River, os argentinos fizeram dois gols em seis minutos e sofreram o gol de honra apenas na segunda etapa.

Em 90 minutos, Enzo Pérez defendeu apenas quatro bolas – e, como um bom goleiro, fez cera nos últimos minutos. Como forma de homenagem, os torcedores do River Plate invadiram o site da Conmebol para eleger o goleiro da noite como o melhor jogador da partida. Justíssimo, após todo o esforço que o volante de 35 fez para ajudar o time a vencer.

A curiosidade da partida é que o River Plate se preparou caso Enzo Pérez fosse mal debaixo das traves. O clube também habilitou o zagueiro Tomás Lecanda e o atacante Agustín Fontana como goleiros na súmula da partida. Eles poderiam assumir a posição a qualquer momento.

Após a partida, Pérez agradeceu pelos conselhos que recebeu e destacou a valentia do grupo. “Conversei com meus amigos goleiros, muitos mandaram mensagens, deram dicas, assim como o treinador de goleiros. Tentei focar sempre na marca do pênalti e, quando a bola chegasse no fundo, caminhar sempre em diagonal”, explicou em entrevista à ESPN argentina depois da partida.

“Destaco o coração, a hombridade e a personalidade não só de quem jogou hoje, mas pelo que demonstramos na última partida contra na casa do Boca, em que vários jovens debutaram e nos ajudaram apesar de termos sido eliminados. Demonstramos novamente o grupo que somos e nossa classe como pessoas”, completou o herói do dia.

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