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‘O Galo ganhou’: entenda como o campeão fez valer o coro das arquibancadas

Criado em 2015, bordão viralizou em 2021 embalando campanha com 94,1% de aproveitamento como mandante, além de título após 50 anos de espera

Por Klaus Richmond 2 dez 2021, 20h21

“E o Galo? O Galo ganhou, o Galo ganhou, o Galo ganhou…”. A expressão viral que embalou o coro da torcida do Atlético Mineiro ao final da vitória por 2 a 1 contra o Cuiabá, em 24 de outubro, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, se transformou em uma espécie de grito de libertação de atleticanos. O clube conquistou novamente a competição nesta quinta-feira, 2, ao bater o Bahia por 3 a 2, em Salvador, e rompeu uma longa espera de cinquenta anos. O Galo, enfim, ganhou.

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Adotada pela torcida, a expressão nasceu em 2015, quase que por obra do acaso. Naquele ano, o jornalista Fael Lima – representante atleticano no programa Alterosa Esporte, da TV Alterosa – entrevistava uma torcedora em um bar, após uma vitória sobre a Ponte Preta, pelo Brasileirão, quando ela começou a pular e cantar “o Galo ganhou”.

“O time disputava o título do Brasileiro com o Corinthians e eu tinha um quadro em meu canal que se chamava ‘Deixa eu falar’. Eu ia para os bares e conversava com torcedores. A Marci (torcedora) é muito tímida e, quando fiz uma pergunta para ela, começou a cantar: ‘o Galo ganhou’. Como estava com a segunda pergunta engatilhada na cabeça nem prestei atenção. Na segunda, ela respondeu curto e cantou novamente. Pensei: que coisa legal. Na terceira pergunta estávamos cantando juntos”, explica Fael a PLACAR.

“Cheguei em casa, editei o vídeo e postei na internet. Na semana seguinte o Marcelo Barreto [apresentador do Redação SporTV] falou ao vivo: ‘o Galo ganhou’. De lá para cá, nos bons momentos do time, eu insistia no coro. São seis anos insistindo com isso, mas em 2020 passei a publicar com maior frequência. Apelidaram de o mantra da vitória, virou um amuleto…”, completa.

O coro embalou a equipe dirigida por Cuca e liderada por Hulk, Zaracho, Arana, Vargas, Diego Costa e cia. a condição de melhor campanha como mandante na competição nacional – 16 vitórias em 17 partidas, 38 gols marcados e 94,1% de aproveitamento. A equipe fez, também, o melhor primeiro turno e lidera o segundo até aqui. Ainda tem o maior aproveitamento fora.

Atlético tem melhor campanha do primeiro e do segundo turno -
Atlético tem melhor campanha do primeiro e do segundo turno – Pedro Souza/Atlético/Divulgação
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Curiosamente, a virada atleticana no atual século ocorreu embalada por outro lema das arquibancadas: o “Eu acredito”, entoado por atleticanos durante a campanha da Libertadores de 2013. A equipe conseguiu resultados heroicos e conquistou o título inédito na ocasião. O coro ainda foi repetido – com sucesso – na campanha da Copa do Brasil de 2014.

Em 2020, a edição de julho de PLACAR relembrou o pênalti defendido pelo goleiro Victor, fundamental para o nascimento do coro:

“Olhar para o campo era como encarar a morte, sensação reforçada pelas máscaras do filme Pânico que a torcida combinou usar. (…) O apito do árbitro foi seguido de um silêncio desolador”. Assim, o jornalista Pedro Galvão descreveu os segundos que antecederam a cobrança de pênalti de Duvier Riascos, do Tijuana, já nos acréscimos das quartas de final da Libertadores de 2013. O relato do lance que eternizou o goleiro Victor como santo.

Victor defende pênalti com o pé - Reuters/VEJA
Victor defende pênalti com o pé – Reuters/VEJA

O atacante colombiano só precisava converter o pênalti para classificar os mexicanos e acabar com o sonho do Atlético em pleno Independência. Victor tinha outros planos. Voou para o canto direito e se esticou para, com o pé esquerdo salvador, evitar o gol quase certo.

“A defesa foi o grande ponto da minha carreira. Foi a defesa que me colocou em outro patamar da carreira, foi um marco da virada de chave do Atlético. Era um clube que tinha chegado em muitas competições, mas em momentos decisivos acabava não conquistado. Acho que a justiça foi feita naquele momento por tudo o que o clube viveu de fracassos, insucessos… e esse grito do eu acredito é uma demonstração de fé, fez com que virasse uma motivação para sempre revertermos situações”, conta o ex-goleiro e hoje dirigente do clube em nova entrevista a PLACAR.

“O ‘Eu acredito’ tem mais cara de mata-mata, era quase que uma súplica por um milagre. O ‘Galo ganhou’ virou um ritual de alegria. O Atlético está na liderança há vários jogos, então impôs um clima mais de festa. O ‘Eu acredito’, que eu tenho até tatuado, é mais uma necessidade do milagre”, acrescenta Fael Lima.

Atleticanos fizeram as contas pelo fim de 50 anos de espera -
Atleticanos fizeram as contas pelo fim de 50 anos de espera – Pedro Souza/Atlético/Divulgação

O cântico embalou bem mais do que uma conquista, mas uma virada completa de mentalidade. De 2001 a 2013, o clube havia conquistado somente três estaduais – em 2007, 2010 e 2013 – e ainda carregava marcas de um doloroso rebaixamento à Série B, em 2005, enquanto o rival empilhava conquistas relevantes. Agora, tudo é diferente.

Além da competição sul-americana e da Copa do Brasil, chegou o sonhado Campeonato Brasileiro. O time ainda terá a chance de aumentar a lista de feitos se vencer o Athletico Paranaense nas decisões da Copa do Brasil, que ocorrem em 12 e 15 de dezembro.

O departamento comercial do clube mineiro lançou neste mês uma camisa com o canto que embala a torcida, vendida por 89 reais e que destaca em letras garrafais o meme.

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