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O ano espetacular do Galo campeão brasileiro e do Verdão tri da América

Na retrospectiva de 2021, as imagens decisivas dos títulos de Atlético, Palmeiras, Athletico-PR, Botafogo e muito, mas muito mais

Por Da redação Atualizado em 2 dez 2021, 22h35 - Publicado em 2 dez 2021, 22h19
PLACAR de dezembro
PLACAR de dezembro Reprodução/Placar

A edição de dezembro de PLACAR já está disponível em nossas plataformas digitais em dispositivos iOS e também Android, A revista impressa estará nas bancas e nas casas dos assinantes a partir da semana que vem, em 9 de dezembro. A revista traz uma galeria com os grandes momentos do ano, em fotos que entraram para a história. Foi uma temporada que começou e acabou com o Palmeiras erguendo duas vezes a Taça Libertadores da América. Foi a temporada de um Atlético-MG espetacular, regido por Cuca e comandado pelo incrível Hulk. Ah, e teve muito mais: o Athletico-PR bicampeão da Sul-Americana, o Corinthians hegemônico no futebol feminino, o ouro olímpico em Tóquio, a Itália renascida na Euro, o choro de Messi ao deixar o Barcelona… É edição de colecionador, para guardar com carinho.

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Prepare-se porque em janeiro tem mais, com a clássica homenagem aos campeões de 2021, jogo a jogo, e os pôsteres.

PLACAR deseja a todos boas festas e feliz 2022. Para celebrá-lo, a Carta ao Leitor oferece uma bela crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil em 1974.

O Sermão da Planície

Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.

Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.

Bem-aventurados os que não tem paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto.

Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.

Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam  de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.

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Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.

Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentação do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.

Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e as segundas na virilha, como os atletas e os assistentes ocasionais das peladas.

Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.

Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.

Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemoratório.

Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação cerrada, que paralisa os campeões, ou o lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.

Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.

Bem-aventurados os que, entre a bola e o botão, se concentraram com este, principalmente sem camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa que o bicho da vitória.

Bem-aventurados os que, na hora da partida internacional, conseguem ouvir a sonata de Albinoni, pois destes é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.

Bem-aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.

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