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O adeus ao Zé da Galera: homenagem de PLACAR a Jô Soares

Às vésperas da Copa do Mundo de 1982, edição impressa contou com artigo do humorista, que morreu nesta sexta-feira, 5, aos 84 anos

Por Da redação Atualizado em 5 ago 2022, 11h36 - Publicado em 5 ago 2022, 08h47

José Eugênio Soares, o Jô Soares, morreu aos 84 anos na madrugada desta sexta-feira, 5. O humorista estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde a última semana, de acordo com a assessoria. A morte foi confirmada pela ex-mulher do artista, Flávia Pedras Soares, sem causa divulgada. O funeral será reservado apenas a familiares e amigos.

Nascido no Rio de Janeiro em 1938, Jô planejava ser diplomata durante a juventude, mas abandonou o sonho para se dedicar à vida artística.

Interpretou dezenas de personagens inesquecíveis, foi ator, roteirista, diretor, escritor e apresentou por mais de duas décadas o talk show que levava o seu nome, referência por grandes entrevistas e histórias.

Abaixo, PLACAR homenageia o genial artista, torcedor do Fluminense e apaixonado por futebol, relembrando o personagem Zé da Galera, que marcou a Copa do Mundo da Espanha há 40 anos.

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Em 13 de junho de 1982, teve início a Copa do Mundo da Espanha. A seleção brasileira de Zico, Sócrates, Falcão e companhia chegou em solo ibérico com status de favorita, mas não imune a críticas. O principal alvo de imprensa e torcida era o técnico Telê Santana, em razão de sua escolha por montar uma seleção sem um ponta direita de origem. A grita era personificada na voz de Zé da Galera, um inesquecível personagem de Jô Soares, que durante o programa Viva o Gordo, da TV Globo, ligava para o técnico de um orelhão para fazer o seu apelo.

Há 40 anos, o próprio Jô Soares escreveu para PLACAR um texto justificando o seu insistente pedido. O relato é destaque da edição de junho de PLACAR, já disponível em dispositivos digitais iOS e Android, e nas bancas de todo o país. Lê-lo, hoje, é passeio inteligente e preciso aos pontos técnicos e táticos que impediam a seleção de ser melhor do que era — e que culminariam com a derrota para a Itália. O texto foi publicado originalmente na edição de 21 de maio de 1982.

Confira, abaixo, na íntegra:

“Telê, o Zé da Galera abre o jogo toda semana no programa Viva o Gordo e eu vou abrir também aqui na PLACAR. Penso como o Zé da Galera — afinal, sou torcedor de me descabelar quando a seleção joga — e não posso deixar de insistir na pergunta: cadê os pontas, Telê? Até o técnico português joga com pontas, Telê. Por que você não? E ainda me vem com Dirceuzinho, Telê! Sei que ele é muito famoso entre os adversários, considerado um jogador impossível de ser marcado por causa da sua correria louca em campo, além de ser um perfeito ladrão de bola. Todos já sabem que ele vai devolvê-la na jogada seguinte, na hora de dar o passe.

Telê, tem de ser ponta autêntico, como o Éder. Este, pelo menos, não estranha a grama do campo. Telê, convocar um jogador lá da Espanha para ser reserva na seleção — é o que vai acabar acontecendo com o Dirceuzinho — não tem sentido. Antes de mais nada, é uma injustiça com os pontas de verdade que estão no Brasil. Na direita, por exemplo, será que você não se lembrou do Julinho — aquele da seleção de 1954 — quando viu o garoto Renato, do Grêmio, enfrentando o incrível Junior, na final da Taça de Ouro contra o Flamengo? Tem que olhar, Telê.

Depois ainda me vem com Batista, Telê. Ele é bom rapaz, bom marcador do Adílio, isso tudo está me dando um certo temor porque me faz lembrar de 1978, do grilo de defender que se abate sobre a seleção toda vez que se aproxima uma competição importante. Começa logo a haver uma preocupação em ter jogadores que não deixem o time levar gols, em troca dos que sabem faturar. Se, extremamente ofensiva, a seleção deu aquele banho de bola nos europeus durante a excursão do ano passado, para que agora pensar em jogadores com espírito inverso daquele?.”

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