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‘Nunca fomos notificados, queríamos jogar’, diz técnico da Argentina

Seleção argentina deixou a Neo Química Arena negando que atletas que atuam na Inglaterra tenham mentido, conforme alega a Anvisa

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 23 set 2021, 17h19 - Publicado em 5 set 2021, 18h09

Atletas e dirigentes da seleção argentina protestaram contra a invasão de fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que gerou a suspensão do clássico diante do Brasil, na Neo Química Arena, em São Paulo, na tarde deste domingo, 5. De acordo com a Anvisa, os atletas Giovani Lo Celso, Emiliano Martínez, Emiliano Buendia e Christian Romero, que atuam no futebol inglês, mentiram no relatório exigido pela autoridade sanitária para a entrada no país durante a pandemia. 

Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA) disse que os atletas respeitaram um acordo com a Conmebol que permitiu que os atletas atuassem. “O que aconteceu hoje é lamentável para o futebol, passa uma imagem muito ruim”, disse, em nota da AFA. “Não se pode falar em mentira porque há uma legislação sanitária sob a qual se jogam todos os torneios sul-americanos. As autoridades de cada país aprovaram um protocolo que temos cumprido ao máximo.”

O técnico Lionel Scaloni seguiu a mesma linha. “Fico muito triste. Não busco culpados. Se aconteceu alguma coisa, não era o momento de fazer esta intervenção. Devia ter sido uma festa para todos desfrutarem dos melhores jogadores do mundo. Eu como técnico vou defender meus jogadores”, disse. “Em nenhum momento fomos notificados de que não poderiam jogar. Queríamos jogar e os jogadores do Brasil também.”

A CBF se manifestou em nota e criticou a atuação da Anvisa. “A CBF defende a implementação dos mais rigorosos protocolos sanitários e os cumpre na sua integralidade. Porém ressalta que ficou absolutamente surpresa com o momento em que a ação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ocorreu, com a partida já tendo sido iniciada, visto que a Anvisa poderia ter exercido sua atividade de forma muito mais adequada nos vários momentos e dias anteriores ao jogo.”

A entidade brasileira reforçou sua “decepção” com o ocorrido e disse que aguarda uma posição da Fifa e da Conmebol sobre a resolução do caso. Ou seja, não está claro se haverá a remarcação de um novo jogo ou se as seleções buscarão uma vitória nos tribunais. O Brasil lidera as Eliminatórias com 21 pontos, seguido pela própria Argentina, com 15.

Partida entre Brasil e Argentina foi suspensa, em Itaquera
Partida entre Brasil e Argentina foi suspensa, em Itaquera Alexandre Schneider/Getty Images

Entenda a confusão

A Anvisa solicitou à Polícia Federal o imediato retorno de Giovani Lo Celso, Emiliano Martínez, Emiliano Buendia e Christian Romero ao país de origem, além da imediata quarentena dos atletas.  Os jogadores foram o estádio e três deles, Martínez, Romero e Lo Celso, estavam como titulares. Por volta dos nove minutos de partida, com o 0 a 0 no placar, as autoridades da Polícia Federal e da Anvisa entraram no gramado da Anvisa para paralisar o jogo.

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres afirmou que os quatro jogadores mentiram no relatório do viajante, exigido pela autoridade sanitária para a entrada no país durante a pandemia. De acordo com as regras vigentes, pessoas que passaram pelo Reino Unido, África do Sul e Índia devem cumprir quarentena de 14 dias.

“Os quatro jogadores disseram não ter passado por Reino Unido, África do Sul e Índia, mas no passaporte ficou comprovado que passaram no Reino Unido. Só constataram entre ontem à noite e hoje. Chegamos a esse ponto porque tudo aquilo que a Anvisa orientou não foi cumprido. Os jogadores tinham que ser isolados para serem deportados , entretanto não foi cumprido. Se deslocaram até o estádio e entraram em campo”, afirmou, em entrevista à Rede Globo. Segundo Barra Torres, os jogadores serão autuados, multados e, então, deportados.

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De acordo com as autoridades sanitárias, os quatro jogadores argentinos, que atuam por clubes ingleses, declararam, em formulário oficial, informações falsas sobre o país de origem antes da entrada na país. Viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, por Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia não podem ingressar no Brasil.

Após reunião entre o Ministério da Saúde, Anvisa, e a Secretaria de Saúde de São Paulo, confirmou-se, com consulta aos passaportes dos quatro jogadores envolvidos, que os atletas descumpriram a regra, uma vez que estiveram no Reino Unido. Os viajantes chegaram ao Brasil em voo de Caracas com destino a Guarulhos.

Houve confusão entre os integrantes da seleção argentina e os fiscais. O capitão argentino Lionel Messi retornou ao gramado para conversar com os atletas brasileiros e com o técnico Tite. Nos bastidores, membros da Embaixada da Argentina chegaram ao estádio para tentar resolver a situação. Pouco antes das 17h, a Conmebol anunciou a suspensão da partida, por decisão da arbitragem.Os atletas brasileiros permaneceram no campo treinado por mais uma hora, enquanto os argentinos foram embora rumo ao aeroporto.

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Ao contrário da Argentina, que obteve a liberação de seus atletas que atuam na Inglaterra para disputar esta rodada das Eliminatórias, o Brasil teve 12: Alisson, Fabinho, Roberto Firmino, Fred, Gabriel Jesus, Ederson, Thiago Silva, Raphinha e Richarlison, jogadores da Premier League, além de Matheus Nunes, do Sporting, Claudinho e Malcom, do Zenit tiveram de ser desconvocados, em razão do veto de seus clubes.

A recusa se deu pelo fato de os países sul-americanos integrarem a chamada “lista vermelha” da Covid-19. De acordo com as regras impostas pelo governo britânico, caso um dos atletas saia, mesmo já imunizado, só poderá ter sua entrada permitida se sua cidadania for britânica ou irlandesa, ou tiver direitos de residência. Além disso, precisaria apresentar exame negativo para Covid-19 e cumprir quarentena obrigatória de dez dias após o retorno, com exames a serem feitos posteriormente, o que prejudicaria a sequência do Campeonato Inglês.

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