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Novato da seleção quase desistiu e ajudou Avaí a construir muros do CT

Formado pelo clube catarinense na mesma geração de Raphinha, Gabriel Magalhães superou desconfianças e uma série de empréstimos antes de brilhar na Europa

Por Guilherme Azevedo, Klaus Richmond Atualizado em 11 nov 2021, 07h54 - Publicado em 11 nov 2021, 08h00

Gabriel Magalhães mal havia sido aprovado nas categorias de base Avaí, em 2012, quando decidiu largar o clube catarinense. Nascido e criado em São Paulo, o jovem, então com 14 anos, sentiu saudades de casa e deixou Florianópolis direto para os braços da mãe ainda na primeira semana de trabalho.

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Dias depois, ligou para o então diretor Diogo Fernandes pedindo para retornar. O perdão do dirigente permitiu ao hoje zagueiro da seleção brasileira recomeçar no futebol. Aos 23 anos, ele é a principal novidade na lista do técnico Tite para a partida diante da Colômbia, às 21h30, na Neo Química Arena, em sua cidade natal, pelas Eliminatórias da Copa de 2022.

Descoberto pelo Avaí em uma escolinha de futebol em Osasco, o defensor aceitou ainda adolescente a ida para o sul do país. Era, segundo membros do clube, nome de pouco destaque. O dirigente Diogo Fernandes, que sempre o acompanhou, definiu Gabriel como um esponja, porque “sugava com facilidade tudo aquilo que era ensinado”. Ainda assim, principalmente na categoria sub-17, não imaginavam o que estava por vir.

“No infantil (sub-15) ele ainda precisava ser bastante trabalhado, mas no juvenil (sub-17) já se destacou a nível estadual e quando ele foi para o sub-20 se tornou um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro”, admite Fernandes a PLACAR.

“No início da caminhada, não se falava muito de Europa e seleção, porque ele precisava de muita evolução. Esse grande cenário começou se desenhar quando ele chegou no sub-20 mesmo. A gente não esperava que ele pudesse chegar tão rápido na seleção principal e no Arsenal. Ele está evoluindo muito, isso é mérito. Seria uma hipocrisia eu dizer que a gente já esperava tanto sucesso, achávamos que seria uma trajetória menor, mas ele cresceu demais”, completa.

Gabriel Magalhães em comemoração de título catarinense na base do Avaí -
Gabriel Magalhães em comemoração de título catarinense na base do Avaí – Alceu Atherino/Divulgação

A estreia profissional ocorreu quando tinha 18 anos, contra o Grêmio, pela Primeira Liga de 2016. Ele marcou o gol do empate por 2 a 2 com a equipe gaúcha. Meses depois, já apareceu na lista de convocados para a seleção brasileira sub-20. Bem e confiante, participou do grupo que venceria o Sul-Americano da categoria, em 2017, no Chile.

Na base do Avaí, Gabriel teve como companheiro o atacante Raphinha, hoje no Leeds United, a quem pôde reencontrar na seleção. “Raphinha é um amigo de infância. Fico muito feliz por ele, por tudo que está acontecendo na vida dele. Desde pequenininhos, estávamos lá sonhando. Hoje, poder estar aqui com ele é um sonho realizado. É um irmão para mim”, comentou, em sua primeira entrevista como jogador de seleção, na quarta-feira, 10.

Na Europa, maior evolução

Um bom ano no Brasil e a exposição pela seleção brasileira bastaram para o defensor ser contratado pelo Lille, da França, por três milhões de euros (cerca de 10 milhões de reais à época). Na primeira temporada pelo clube, apenas uma partida e, naturalmente, empréstimos.

O Troyes, também francês, foi o primeiro destino curto. Em sequência, na mesma temporada, uma passagem sem muito brilho pelo Dinamo de Zagreb, da Croácia. Foram idas e vindas de um duro período de adaptação até retornar ao Lille, para defender o time B, na metade de 2018.

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Gabriel Magalhães despontou para a Europa pelo Lille -
Gabriel Magalhães despontou para a Europa pelo Lille – Lille/Getty Images

Muito elogiado nas bases do Avaí por ser um defensor habilidoso, com facilidade para acertar passes e lançamentos, o jogador se desenvolveu ainda mais na Europa. Gabriel, além disso, tem um diferencial: a perna esquerda dominante, algo raro entre zagueiros. Gabriel se manteve firme e ainda na temporada 2018/19, atuou 19 vezes pela equipe principal do Lille.

Com grande evolução em seus pontos fracos – como o jogo aéreo, segundo citado por profissionais que trabalharam com Gabriel na base do Avaí -, o atleta se tornou titular absoluto do clube francês e foi um dos destaques do elenco na temporada 2019/20. Naturalmente, recebeu chances na seleção brasileira que se preparava para os Jogos de Tóquio.

Acabou, entretanto, cortado da equipe que conquistaria o segundo ouro olímpico da modalidade, dirigido pelo técnico André Jardine, devido a uma lesão no joelho direito, no período de preparação em São Paulo.

Jogador de elite

Como resultado de uma temporada consistente pelo Lille, a carreira de Gabriel Magalhães decolou. Contratado pelo Arsenal, da Inglaterra, o garoto que estava longe de ser uma das grandes promessas da base no Brasil chegou à Premier League, um dos mais fortes campeonatos do mundo. A transação custou 192 milhões de reais e seria paga em quatro parcelas. Quem se deu bem com isso foi o Avaí, que, na negociação com o time da França, fez um acordo para receber 10% do valor arrecadado em transações futuras.

Com o aporte, o Avaí pôde finalizar pendências, como admitiu Francisco Batistotti, presidente do clube catarinense, na época da ida do zagueiro para o Arsenal. “O Gabriel foi formado na minha gestão. Recentemente foi vendido para o Arsenal e isso nos ajudou muito. Fechamos praticamente o CT João Nilson Zunino, que era apenas cercado por tela. Conseguimos, enfim, colocar muro, também fizemos investimentos na academia do clube. Valores assim fazem muita diferença não só para o Avaí, mas também para os clubes formadores. E decidimos investir em estrutura”.

Gabriel em ação pelo Arsenal nesta temporada -
Gabriel em ação pelo Arsenal nesta temporada – Ryan Pierse/Getty Images

Já mais maduro, Gabriel Magalhães chegou ao Arsenal e não sentiu o peso da camisa. Rapidamente, tornou-se peça importante para o treinador Mikel Arteta e perdeu poucos jogos em torneios nacionais ou continentais.

“Ele tem sido crucial. Voltou de uma lesão no joelho que o fez perder toda a pré-temporada, mas chegou de uma forma diferente. Ele mostrou uma maturidade diferente, um nível diferente de aplicação. Seu estilo de vida melhorou muito, seu domínio da língua também, e, por isso, ele tem todas as qualidades para ser um excelente zagueiro. Estou muito satisfeito”, afirmou o espanhol.

Como reflexo, o jogador foi convocado para disputar as Olimpíadas de Tóquio, mas foi cortado por lesão no joelho direito e não participou da campanha do ouro brasileiro. Porém, a oportunidade não demorou a chegar e, na última segunda-feira, 8, foi convocado por Tite para a seleção brasileira para substituir Lucas Veríssimo, cortado por lesão.

“Primeiramente, quero dar boas recuperações ao Lucas. Conheço ele, é uma pessoa do bem. Nós, que estamos no mundo do futebol, estamos sujeitos a várias coisas. Espero que ele tenha uma boa recuperação”, comentou o zagueiro do Arsenal. 

Com isso, Gabriel Magalhães quebra um longo hiato: a seleção brasileira não tem um zagueiro canhoto desde Dante, atualmente no Nice, da França, convocado em 2014 e presente na goleada sofrida por 7 a 1 contra a Alemanha, nas semifinais.

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