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Neymar nega assédio e acusa Nike de traição: ‘Não pude me defender’

Nas redes sociais, jogador, que está concentrado com a seleção no RJ, afirma que nunca teve conhecimento sobre a acusação feita por funcionária da marca

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 19h37 - Publicado em 28 Maio 2021, 11h45

Concentrado com a seleção brasileira na Granja Comary, em Teresópólis (RJ), Neymar se posicionou oficialmente, por meio de sua assessoria e também em uma postagem no Instagram, sobre a denúncia de assédio sexual realizada por uma funcionária da Nike, revelada na última quinta-feira, 27, pelo jornal americano The Wall Street Journal. O jogador disse ter se sentido traído pela marca americana, com quem mantinha contrato desde os 13 anos.

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Segundo a reportagem, a empresa americana rompeu contrato com o astro brasileiro em agosto de 2020, acusando-o de não cooperar com uma investigação sobre o caso. Neymar negou assédio e disse que o rompimento com a empresa, que o patrocinava desde a adolescência, se deu por discordâncias de mercado.

Eu realmente não entendo como uma empresa séria pode distorcer uma relação comercial que está apoiada em documentos. As palavras escritas não podem ser modificadas. Elas sim são muito claras. Não deixam dúvidas! Desde os meus 13 anos, quando assinei meu primeiro contrato, sempre fui alertado: não fale sobre os seus contratos! Contratos são sigilosos!”, iniciou Neymar em seu desabafo no Instagram. 

“Contrariar essa regra e afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação, isso é absurdo, mentiroso. Mais uma vez sou advertido que não posso comentar em público. Indignado vou obedecer! Mas a matéria do WSL é muito clara. Em 2016 parece que já sabiam desse acontecimento. Eu não sabia! Em 2017 viajei novamente para os EUA para campanha publicitária, com as mesmas pessoas, nada me contaram, nada mudou! Em 2017, 2018, 2019 fizemos viagens, campanhas, inúmeras sessões de gravação. E nada me contaram”, prosseguiu. 

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“Um assunto com tamanha gravidade e nada fizeram. Quem são os verdadeiros responsáveis? Não me deram a oportunidade de me defender. Não me deram a oportunidade de saber quem é essa pessoa que se sentiu ofendida. Eu nem a conheço. Nunca tive nenhum relacionamento. Não tive sequer oportunidade de conversar, saber os reais motivos da sua dor. Essa pessoa, uma funcionária, não foi protegida. Eu, um atleta patrocinado, não fui protegido. Até quando?”, desabafou. 

Por fim, Neymar ressaltou que, apesar de ter firmado contrato com a Puma, seguirá estampando a marca da Nike no peito, já que a empresa americana é a patrocinadora oficial da seleção brasileira e também do PSG. “Ironia do destino, continuarei a estampar no meu peito uma marca que me traiu. Essa é a vida! Sigo firme e forte acreditando que o tempo, sempre esse cruel tempo, trará as verdadeiras respostas. Fé em Deus!”

Nike cita investigação ‘inconclusiva’ e falta de cooperação de Neymar

Pouco depois, a Nike também se manifestou de forma oficial. A empresa informou que sua funcionária relatou sua versão pela primeira vez em 2018, mas que, na época, preferiu não abrir manter o caso confidencial e evitar uma investigação. Um ano depois, a empregada da Nike mudou de ideia e a empresa decidiu abrir uma investigação interna.

Apesar de revelar que a investigação foi “inconclusiva”, a Nike alega ter decidido rescindir o contrato pelo fato de Neymar ter se negado a cooperar. Confira, abaixo, a íntegra da nota:

“A Nike ficou profundamente perturbada com as alegações de assédio sexual feitas por uma de nossas funcionárias contra Neymar Jr. O suposto incidente ocorreu em 2016 e foi oficialmente relatado à Nike em 2018. A funcionária se apresentou para compartilhar sua experiência em um fórum, criado pela liderança da Nike, para proporcionar um ambiente seguro no qual os funcionários atuais e antigos possam compartilhar confidencialmente suas experiências e preocupações. Desde o início, tratamos as alegações da funcionária e sua experiência com grande seriedade.

Quando a funcionária retransmitiu suas alegações pela primeira vez à liderança da Nike em 2018, ela o fez apenas com garantias de confidencialidade. Mesmo a Nike estando preparada e pronta para investigar naquele momento, a Nike respeitou o desejo inicial da funcionária de manter o assunto confidencial e evitar uma investigação. Como seu empregador, tínhamos a responsabilidade de respeitar sua privacidade e não acreditávamos que fosse apropriado compartilhar essas informações com as autoridades policiais ou terceiros sem o consentimento da funcionária.

Em 2019, quando a funcionária posteriormente manifestou interesse em prosseguir com o assunto, agimos imediatamente. A Nike solicitou uma investigação independente e contratou um advogado independente para a funcionária, de sua escolha e às custas da empresa.

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A investigação foi inconclusiva. Não emergiram fatos suficientes que nos permitam falar substancialmente sobre o assunto. Seria inapropriado para a Nike fazer uma declaração acusatória sem poder oferecer fatos que a suportem. A Nike encerrou sua relação com o atleta porque ele se recusou a cooperar em uma investigação de boa-fé de alegações críveis de uma funcionária.

Continuamos respeitando a confidencialidade da funcionária e reconhecemos que essa tem sido uma longa e difícil experiência para ela.”

Estafe de Neymar cita motivos comerciais

Mais cedo, a empresa que gerencia a imagem do atacante do PSG também negou as acusações. “Neymar Jr e Nike encerraram o relacionamento por motivos comerciais, o que vinha sendo discutido desde 2019, nada relacionado a esses fatos noticiados. É muito estranho um caso que supostamente teria acontecido em 2016, com alegações de um funcionário da Nike, venha à tona somente nesse momento”, diz um dos trechos da nota.

A nota diz  ainda que Neymar “ao longo desses cinco anos, nunca foi diretamente acusado e processado pela funcionária da Nike” e que, por ora, não apresentará documentos sobre a rescisão por “questões óbvias de estrito sigilo e confidencialidade”. A PLACAR, o pai e empresário de Neymar citou que reclamações do Neymar sobre seus modelos de chuteira, que estariam causando suas recorrentes lesões, e atrasos de salário, foram o motivo a rescisão.

Segundo a reportagem do Wall Street Journal, uma funcionária da Nike disse a amigos e a colegas que trabalhavam com ela na empresa que Neymar tentou forçá-la a fazer sexo oral nele no quarto em que o jogador estava hospedado, em Nova York, na madrugada de 2 de junho de 2016. A mulher, que não teve sua identidade revelada, abriu uma reclamação junto à Nike em 2018.

Ainda segundo o WSJ, no ano seguinte, a empresa começou uma investigação interna sobre o caso e decidiu não colocar mais o jogador em campanhas de marketing. A representante legal da Nike, Hilary Krane, afirmou ao veículo americano que o contrato com Neymar foi encerrado em 2020 porque o atacante não quis cooperar com a apuração e disse que a companhia não falou sobre o assunto publicamente antes porque “nenhum fato emergiu que nos permitisse falar com segurança sobre o assunto. Seria inapropriado a Nike fazer acusações sem apresentar fatos que as comprovassem”.

Segundo o jornal, durante a investigação, realizada por advogados do escritório Cooley LLP, representantes de Neymar negaram o que foi relatado pela funcionária, mas o jogador se recusou a ser entrevistado. Neymar era um dos atletas mais bem pagos pela Nike quando o contrato foi encerrado, em agosto de 2020. Cerca de duas semanas depois do rompimento, a Puma anunciou acordo de patrocínio com o jogador.

Na nota, Neymar cita outra acusação de assédio, feita pela modelo Najila Trindade, em 2019. O caso foi arquivado – tanto a denúncia de assédio por parte do atleta quanto às de caluniosa e extorsão contra Najila.  Confira, abaixo, a nota do estafe de Neymar, na íntegra:

“Considerando a notícia veiculada na mídia que revela a existência de uma acusação de uma funcionária da Nike de um suposto assédio que teria sofrido em 2016 do Atleta Neymar Jr., oportunamente relatada para a Companhia, que, segundo a reportagem, não adotou providências oportunas, são necessários alguns esclarecimentos.

Transcrevemos inicialmente as informações prestadas à reportagem do Wall Street Jornal:

“Neymar Jr nega essas acusações. Semelhante às alegações de agressão sexual feitas contra ele em 2019 – alegações em que as autoridades brasileiras reconheceram a sua inocência – essas alegações são falsas. Neymar Jr, se for acionado, o que nunca aconteceu, se defenderá vigorosamente contra esses ataques infundados. Neymar Jr e Nike encerraram o relacionamento por motivos comerciais, o que vinha sendo discutido desde 2019, nada relacionado a esses fatos noticiados. É muito estranho um caso que supostamente teria acontecido em 2016, com alegações de um funcionário da Nike, venha à tona somente nesse momento.”

Em relação às acusações não há nada a acrescentar porque o Atleta Neymar, ao longo desses cinco anos, nunca foi diretamente acusado e processado pela funcionária da Nike.

Em relação às declarações da Nike, prestadas de forma indevida e irresponsável pela Conselheira Geral da Companhia Hilary Krane, sobre o suposto motivo de rompimento do contrato com o Atleta Neymar Jr., é importante esclarecer que os reais e verdadeiros fatos são totalmente dissociados da afirmação prestada.

Não obstante todas as inverdades relatadas, não apresentaremos, por ora, os documentos que revelam a forma de encerramento do contrato, por questões óbvias de estrito sigilo e confidencialidade, em total observância aos princípios éticos e de governança corporativa que devem nortear a conduta de uma companhia.

As medidas cabíveis já estão sendo adotadas e em breve os reais motivos poderão ser revelados e os fatos esclarecidos.

NEYMAR SPORT E MARKETING LTDA”

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