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Na Euro de estádios e bares cheios, a Covid-19 também faz a festa

Apesar da confirmação de novos surtos ligados à competição, Inglaterra ampliou capacidade de público nos jogos finais, após pressão da Uefa

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 set 2021, 18h59 - Publicado em 5 jul 2021, 14h28

A atual edição da Eurocopa vem proporcionando, além de partidas de ótima qualidade, cenas emocionantes de celebração popular, especialmente por parte da torcida inglesa, entusiasmada com a campanha da seleção, classificada para as semifinais após 25 anos. A euforia dos fãs representa um alento após longos meses de melancolia causada pela pandemia do novo coronavírus no continente e, em tese, obedece a rígidos protocolos. Na prática, porém, não é bem assim.

O número de casos de Covid-19 tem aumentado de forma preocupante especialmente nas sedes dos jogos. Na contramão das preocupações sanitárias, a Inglaterra anunciou a ampliação da presença de público nos jogos de semifinal e na grande decisão, no estádio de Wembley, em Londres.

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A presença de público liberado nos estádios variou entre as 11 sedes originais da edição comemorativa de 60 anos da Euro, que teve de ser adiada em um ano por causa da pandemia. Budapeste, na Hungria, por exemplo, recebeu arquibancadas cheias, ancorada no avanço da vacinação no país (todos os presentes tinham de apresentar um registro de imunização ou teste negativo recente) e também em medidas populistas do governo de Viktor Orbán, com a conivência da Uefa. A Inglaterra começou o torneio com 25% da capacidade de Wembley liberada e agora chegou a 75%: cerca de 60.000 torcedores acompanharão a final no próximo domingo 11.

A preocupação não se limita aos estádios. Diversas cidades do continente têm registrado bares e praças lotadas para acompanhar as partidas, com a maioria das pessoas sem máscara e aglomeradas. O aumento de usuários dos transportes públicos, vindos das mais variadas partes da Europa, é outra preocupação. Nos últimos dias, os governos de Finlândia e Dinamarca detectaram surtos ligados a torcedores que viajaram pela Europa para acompanhar suas seleções. Na Escócia, foram registrados cerca de 1.500 novos casos.

Fan zone em Kiev, na Ucrânia, durante derrota para a Inglaterra
Fan zone em Kiev, na Ucrânia, durante derrota para a Inglaterra Maxym Marusenko/Getty Images

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que as viagens de torcedores e e a flexibilização das restrições sociais aumentaram o número de novos casos em 10%. “Um declínio de 10 semanas em novas infecções na Europa chegou ao fim e uma nova onda é inevitável se os torcedores de futebol e outros não baixarem a guarda”, afirmou a oficial sênior de emergência da OMS, Catherine Smallwood, na semana passada.

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“Precisamos olhar muito além dos próprios estádios. Precisamos ver como as pessoas chegam lá. Elas estão viajando em grandes comboios de ônibus lotados? E quando saem dos estádios, eles vão para bares e pubs lotados para assistir aos jogos?”, completou Smallwood.

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Lá como cá, políticos, de direita e de esquerda, vêm pegando carona no sucesso de suas seleções. É o caso do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que repentinamente parece ter virado um grande fã de futebol e do English Team, com diversas manifestações de apoio em suas redes sociais. Apesar de as negociações sobre protocolos da Eurocopa envolverem os respectivos governos, a maioria dos críticos culpa a postura da Uefa, organizadora do campeonato, pelo caos.

O Ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, classificou o relaxamento das normas como “absolutamente irresponsável”. O presidente da Uefa, o esloveno Aleksander Ceferin, se defende. “As medidas para conter a pandemia foram totalmente coordenadas com os regulamentos das autoridades sanitárias locais relevantes em cada cidade.”

Vale lembrar que nem mesmo os Jogos Olímpicos de Tóquio, maior competição esportiva do ano, ou a Copa América do Brasil, organizada pela sempre controversa Conmebol, cederam à tentação de liberar a entrada de turistas e espectadores, o que, obviamente, aumentaria suas receitas.

Sterling marcou o gol da vitória da Inglaterra
De volta a Wembley, Inglaterra tenta encerrar jejum de títulos de 55 anos sem título Shaun Botterill – UEFA/UEFA/Getty Images
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