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Messi: finalmente nos braços do povo

Depois de salvar a Argentina nas Eliminatórias, craque convenceu torcida e imprensa de que era um injustiçado

Por Fernando Beagá Atualizado em 28 set 2021, 20h24 - Publicado em 27 Maio 2018, 15h32

“Acabou para mim.” Logo após perder a final da Copa América Centenário de 2016, Lionel Messi fez o chocante anúncio de que estava deixando a seleção argentina. Na condição de maior estrela do país, tomou para si a culpa pela terceira derrota seguida em decisões — antes, a Copa América de 2015, também para o Chile, e a final da Copa do Mundo de 2014, vencida pela Alemanha. Sobre seus ombros, o peso de um hiato sem conquistas, desde o título continental de 1993. E o maior fardo: a comparação com Diego Maradona, tratado como deus e sozinho nesse pedestal até que Messi ganhe um Mundial, pelo menos. O ex-jogador conquistou a Copa de 1986, no México.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo de 2018

Passados menos de três meses da intempestiva decisão, o craque reconsiderou a decisão. Ouviu o clamor popular. Voltou fazendo o gol da vitória sobre o Uruguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Até os críticos mais ferrenhos se deram conta de que ele carregava uma culpa que não era sua, colhendo o ônus de sua genialidade. Talvez essa conturbada relação com a passional torcida platense seja uma cobrança de identidade: ele nunca defendeu profissionalmente um clube argentino. Começou no Newell’s Old Boys, time de sua cidade, Rosário (onde nasceu em 24 de junho de 1987), mas foi embora precocemente. Aos 13 anos, mudou-se com a família para a Catalunha, descoberto pelo Barcelona, clube que assumiu o caro tratamento para a deficiência hormonal que retardava seu crescimento.

La Pulga” (apelido desde a infância, por ser pequeno e franzino) desenvolveu-se fisicamente sem perder a agilidade. Seus espetáculos nas partidas das equipes menores do Barça eram acompanhados com atenção. Quando estreou no time principal, aos 17 anos, não sofreu cobranças. Tímido, distribuiu pitadas de seu talento enquanto brilhava Ronaldinho Gaúcho, que o tomou como pupilo. Foi do brasileiro o passe para o primeiro de seus mais de 550 gols com a camisa azul-grená. Quando recebeu como bastão a camisa 10 do amigo, desandou a acumular títulos e prêmios individuais.

Seria compreensível que Messi escolhesse defender o país que o acolheu, como fizeram tantos atletas que estarão na Copa da Rússia. Antes mesmo de ter confirmada sua cidadania espanhola, entretanto, já havia tomado sua decisão. Com apenas 18 anos, conduziu a Argentina ao título do Mundial Sub-20, em 2005, como artilheiro e craque do torneio. Em 2008, ganhou o ouro na Olimpíada de Pequim. Lembranças necessárias para quem insiste em dizer que ele “não decide” jogando com a camisa alviceleste. Como se tivesse sido possível chegar à final da Copa do Mundo de 2014 sem seus quatro gols e sua entrega em campo — foi eleito o melhor jogador da competição.

A reconciliação foi apoteótica. Última rodada das Eliminatórias, Argentina sob a ameaça de não ir à Copa. Em Quito, a 2 850 metros de altitude, o Equador abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Antes dos vinte, Messi já havia virado o placar — e ainda faria o terceiro gol, no segundo tempo. Na entrevista pós-jogo, poderia elaborar um desabafo épico. Disse apenas que não poderia permitir que o povo argentino vivesse a tristeza de uma eliminação.

Lionel (batizado assim em homenagem ao cantor norte-americano Lionel Richie) usa a mesma serenidade no duelo com o outro “extraterrestre” do futebol neste século, Cristiano Ronaldo. É instigado constantemente a dar declarações atravessadas sobre o astro português, que, como ele, ostenta cinco prêmios de melhor jogador do mundo. Diplomático, economiza nas palavras, multiplica gols. De seu pé esquerdo saem as melhores respostas.

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