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Messi deixa o Barcelona, mesmo querendo ficar: ‘Fiz todo o possível’

Maior ídolo da história azul e grená confirmou que a crise econômica do clube o tirou do Camp Nou; emocionado, ele despistou sobre ida ao PSG

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 17h58 - Publicado em 8 ago 2021, 08h30

O maior jogador da história do Barcelona se viu obrigado a deixar o clube. Lionel Messi disse adeus à única equipe que defendeu profissionalmente neste domingo, 8, em uma entrevista coletiva no Camp Nou na qual deixou claro que seu desejo e de sua família era permanecer na Catalunha, o que não foi possível devido à crise financeira do Barça. O craque argentino de 34 anos começou a chorar antes mesmo de iniciar seu discurso, no qual despistou sobre seu futuro (que deve ser no PSG).

“Nesses últimos dias fiquei pensando no que poderia dizer. A verdade é que não consegui pensar em nada. É muito difícil para mim sair depois de tantos anos. Não estava preparado”, iniciou Messi, admitindo que no ano anterior ele teve o desejo de sair. “Mas este ano não. Já tinha convencido a minha família que iríamos continuar, era o que mais queríamos. Nós sempre colocamos nossa vida em primeiro lugar aqui, mas hoje eu tenho que dizer adeus a isso. Depois de muitos anos, cheguei aos 13… depois de 21, vou embora com minha esposa, meus três filhos catalão-argentinos. E não posso estar mais orgulhoso do que fiz”, contou.

Revelado nas categorias de base do Newell’s Old Boys, em Rosário, o argentino chegou ao Camp Nou aos 13 anos, em 2000, e estreou na equipe principal em 2005. Ele deixa o clube como seu maior artilheiro, com 627 gols e, entre vários outros troféus, conquistou quatro Ligas dos Campeões, três Mundiais de Clubes e 10 ligas espanholas. Sua esposa Antonella e os filhos Thiago, Mateo e Ciro estavam presentes, bem como os atletas do Barcelona.

“Sempre dei tudo por esse clube, por essa camisa. Do primeiro dia ao último e saio mais do que satisfeito. Gostaria de dizer adeus de uma forma diferente, de me despedir das pessoas, no campo, para ouvir uma última ovação. Eu sentia muita falta do público nesta época de pandemia”, afirmou. “Cresci com os valores deste clube e tentei me portar com humildade e respeito, vestindo a camisa do Barça. Quero ser reconhecido por isso além do que fiz em campo. Agradeço pela minha carreira, com os títulos conquistados e também nas derrotas. São imagens muito bonitas.”

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Messi disse que recebeu do presidente Joan Laporta a mesma explicação dada por ele na última sexta-feira, 6: a de que os obstáculos econômicos relacionados à Covid-19 e a anos de gestões desastrosas, somadas à regulamentação do fair play financeiro de LaLiga, impediram a renovação que todas as partes desejavam. O jogador aceitou reduzir seu salário e receber a quantia relativa a dois anos em cinco. Nem assim, o negócio foi possível.

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“O clube tem uma dívida muito grande e não quer endividar-se mais. Estava tudo acertado, fiz todo o possível. O clube disse que não podia ser devido a um problema com a La Liga, mas ouvi muitas coisas sobre as razões pelas quais não continuei. No ano passado eu não queria ficar, mas este ano fiquei”, disse. “Quando as eleições aconteceram, eu fui comer com o presidente e conversamos e então fiquei convencido de que iria continuar, que não teríamos nenhum problema. Então aconteceu o que aconteceu. Já sabíamos o que tínhamos planejado fazer.”

Messi disse que o PSG é uma “possibilidade” ainda não concretizada e citou o recorde do amigo Daniel Alves que na Olimpíada de Tóquio conquistou seu 42º título da carreira, como uma meta. “Neste momento não tenho nada com ninguém. Quando saiu o comunicado, recebi várias ligações de clubes interessados. Ainda não há nada fechado, mas estamos conversando” disse. “Sou um vencedor e quero continuar a competir. Quero continuar assim, somando títulos. A propósito, quero dar os parabéns ao Dani Alves pelo ouro olímpico, vou lutar para alcançá-lo. Essa é a minha mentalidade. Tenho que encontrar meu caminho para continuar competindo e vencendo”, disse o argentino, que ganhou 35 títulos pelo Barcelona e mais a Copa América recente pela Argentina.

Por fim, Messi desejou sorte aos agora ex-colegas antes de deixar a sala de honra do Camp Nou como o maior nome da história do estádio. “Os jogadores vão continuar a vir para o Barça. O clube é mais importante do que qualquer outro e as pessoas vão habituar-se a ele. No início vai ser estranho, mas vieram grandes jogadores e têm um grande elenco.”

Por que Messi teve de sair

Entraves econômicos levaram à saída do ídolo. De acordo com a imprensa espanhola, o faturamento do Barcelona caiu de 671 milhões de euros para 347 milhões de euros durante a pandemia do novo coronavírus, reduzindo em mais de 50%, portanto, a sua possibilidade orçamentária. Há ainda um componente político. LaLiga assinou contrato com o fundo de investimento CVC Capital Partners, que injetou 2,6 bilhões de euros na competição, em troca de 11% do negócio. A liga, então, ofereceu 270 milhões de euros da quantia de socorro Barcelona, exigindo como contrapartida a assinatura de uma parceria de 50 anos.

A relação do Barcelona com La Liga, porém, está bastante desgastada pela operação em torno da Superliga. Dos 12 clubes criadores de um modelo próprio de competição que faria oposição a Liga dos Campeões da Europa, apenas Barcelona e Real Madrid não declararam oficialmente desligamento.”A inscrição de Leo passava por aceitar uma operação que não era interessante para o Barça. Entendemos que não tínhamos que aceitar uma hipoteca dos direitos televisivos do clube durante meio século”, afirmou o presidente Joan Laporta.

O presidente da Liga, Javier Tebas, seu desafeto público, tuitou que a oferta não representaria uma “hipoteca dos direitos de TV por 50 anos”, mas que poderia ajudá-lo a “hipotecar a teus bancos e resolver sua grande dívida”. Laporta rebateu dizendo que o Barcelona não interpreta desta maneira. “O negócio comporta riscos que não queremos assumir.”

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