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Lahm critica Fifa: ‘Copa bienal mataria a galinha dos ovos de ouro’

Capitão da seleção alemã no título de 2014 afirmou que o Mundial de seleções “é mais do que um negócio”

Por Da Redação Atualizado em 19 out 2021, 13h46 - Publicado em 19 out 2021, 13h40

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o ex-treinador Arsène Wenger, hoje chefe de Desenvolvimento Global do Futebol da entidade, têm rodado o mundo e dado diversas entrevistas defendendo o plano de tornar a Copa do Mundo bienal, encurtando em dois anos o seu formato estabelecido e consagrado desde 1930. Diversos jogadores de renome (todos eles ligados à Fifa) vêm defendendo a ideia. Dois campeões mundiais, no entanto, mantiveram firme posição contrária nesta semana: o alemão Philipp Lahm, campeão em 2014, e o francês Thierry Henry, vencedor em 1998.

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Em sua coluna no diário britânico The Guardian, intitulada “Uma Copa a cada dois anos finalmente mataria a galinha dos ovos de ouro do futebol”, Lahm criticou a ideia de reduzir o intervalo, assumindo uma postura rara entre importantes ex-jogadores, que, por boa relação com a Fifa, se posicionaram à favor da mudança, como os brasileiros Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu, o holandês Clarence Seeford e o português Luís Figo.

“Muito futebol afetaria os torcedores. Os principais torneios estão ancorados em suas memórias; eles moldam muitas biografias. Os gregos puderam se intitular campeões europeus por quatro anos, de 2004 a 2008, os portugueses por cinco e os espanhóis por oito. De 2014 a 2018, a Alemanha ocupou o primeiro lugar no mundo. Acelerar o ciclo tornaria muitas experiências e memórias substituíveis. Um torneio anual seria como um canal de mídia social adicional em seu telefone ou outro aplicativo de streaming.”

O ex-jogador do Bayern de Munique usou exemplos de sua própria carreira para justificar o porquê da Copa do Mundo a cada dois anos ser prejudicial para todos os âmbitos do esporte: “Futebol demais também afetaria os jogadores. ‘Se você joga isso a cada dois anos, mentalmente é difícil’, disse Thierry Henry, que jogou em sete torneios pela França, sobre a ideia de Infantino. ‘Eu saí deles mentalmente despedaçado.’ O que ele quis dizer é: jogar por uma seleção nacional é um trabalho especial.”. Usando como exemplo Henry, também contra à mudança, Lahm ainda comparou a situação a seus momentos e decisões de carreira.

“Eu próprio me aposentei da seleção nacional em 2014 – foi meu sexto torneio. Já havia decidido isso muito antes, porque o fardo duplo é intenso. Joguei mais três anos no meu clube”, completou o ex-atleta, que atuou nas duas laterais e também como meio-campista ao longo de sua carreira.

Afastando as comparações aos torneios anuais de clubes, Lahm ainda explicou a diferença que faz o futebol de seleções algo especial. “Os métodos do futebol de clubes são semelhantes aos dos negócios. Estou me tornando mais escalável, digital e abstrato. A Champions League faz parte da indústria do entretenimento. Isso torna o contraste oferecido pela seleção nacional ainda mais importante. Deve permanecer sempre como parte do bem comum. Uma Copa do Mundo é mais do que um negócio. É onde todos se reúnem. Aqui, o futebol cria uma conexão com as pessoas.”

Gianni Infantino, por sua vez, segue seu tour pela América do Sul tentando angariar apoio à ideia da Copa bienal. Em Buenos Aires, na última segunda-feira, 18, ele defendeu que a mudança traria “competitividade de alto nível, mais esperança e emoção e mais possibilidades para o mundo todo organizar uma Copa.”

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