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Gylmar dos Santos Neves era despachante do DOI-CODI

A denúncia sobre o ex-goleiro de Santos, Corinthians e seleção foi feita pelo ex-deputado Adriano Diogo, do PT de São Paulo, para o blog de Juca Kfouri

Por Da redação Atualizado em 15 fev 2022, 09h15 - Publicado em 15 fev 2022, 08h00

Quem revela a triste e assustadora informação é Juca Kfouri, ex-diretor de PLACAR, em seu blog no UOL: Gylmar dos Santos Neves era despachante do DOI-CODI, o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, braço do Exército nos anos da ditadura militar. Brotou em São Paulo da chamada Operação Bandeirante, a OBAN, que prendia, torturava e matava os opositores do governo em suas instalações, na rua Tutoia, no Ibirapuera

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Ele andava pelos andares da delegacia onde se torturavam e matavam presos”, diz o geólogo e ex-vereador e ex-deputado estadual Adriano Diogo, de 72 anos, que em 1973 passou três meses na cadeia, desde 17 de março daquele ano. Ao ficar tanto tempo preso no mesmo lugar você cria proximidade com os carcereiros e eu vi o Gylmar nos corredores da delegacia muitas vezes. E perguntei: ‘Mas aquele não é o ex-goleiro Gylmar?’. Foi assim que soube o que ele fazia”, lembra.

Ao sair da cadeia, Diogo decidiu investigar mais a fundo a história do bicampeão do mundo, um dos maiores goleiros da história do Brasil, depois de pendurar as chuteiras. Descobriu, segundo conta, que Gylmar também esquentava a documentação de carros apreendidos em capturas de opositores pela OBAN e os vendia para militares e delegados sem cobrança de impostos, por meio de autorização especial obtida por ele no governo federal.

Pelos bons serviços prestados à ditadura, teve facilidade para comandar uma imponente concessionária no Tatuapé, na zona leste paulistana. A fama e o sucesso no futebol, inquestionáveis, escondiam uma outra faceta, segredo de polichinelo, segundo pessoas do esporte que estiveram próximas ao ex-jogador. Gylmar morreu em 2013, depois de um AVC. Diogo confirmou seu relato a PLACAR.

A postura de Gylmar, cujo ponto mais baixo, sabe-se agora, foi a ajuda aos torturadores da ditadura, coincide com um episódio recente de seu filho – embora, é claro, a hereditariedade não configure contrafação.  Marcelo Izar Neves, de 55 anos, acaba de ser condenado a um ano de cadeia, pena revertida para prestação de serviços para a comunidade.

Em julho de 2019, quando o empresário Charles Robert Zyngier percebeu que sua vaga na garagem do prédio onde morava, em São Paulo, estava ocupada por um carro na transversal, que o impedia de sair com sua moto. O carro era do filho de Gylmar. Ao perceber que Zyngier havia esvaziado os pneus do veículo, Neves perguntou qual era a religião do vizinho e se ele não tinha Deus no coração para ter tomado uma atitude tão drástica. Segundo a acusação, Neves deu um tapa na cara do vizinho, arrancou o celular de sua mão e voltou a disparar injúrias raciais: “Por isso que os judeus se f….. na vida, Hitler estava certo, a raça de vocês, judeus, não presta”, disse Neves. Em depoimento, funcionários do condomínio confirmaram as agressões de cunho racista.

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