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Guia do Mundial: os concorrentes do Palmeiras e as novidades do torneio

Seis times iniciam a disputa pelo título no Catar nesta quinta-feira, 4; competição terá torcida, mas também protocolo rígido aos clubes participantes

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 20h30 - Publicado em 4 fev 2021, 09h14

O Mundial de Clubes de 2020 começa nesta quinta-feira, 4, no Catar, em versão adaptada pelos reflexos da pandemia da Covid-19, com o confronto entre o campeão asiático Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e o Tigres, do México, vencedor da Liga dos Campeões da Concacaf. A partida acontece às 11h (de Brasília), no estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan, um dos dois palcos que receberá os sete jogos da competição, disputada em prazo mais curto, entre 4 e 11 de fevereiro (a última edição teve 11 dias de duração). Quem passar nesta quinta, será o adversário do Palmeiras na semifinal.

Adiado em dois meses, o torneio seguirá formato de disputa semelhante ao de edição anteriores, mas com algumas adaptações. Estádios terão até 30% de sua capacidade destinado a torcedores, serão seis clubes participantes, em vez de sete – o representante da Oceania, o Auckland City, da Nova Zelândia, desistiu de participação para não descumprir o protocolo sanitário do país. Além disso, equipes permanecerão em hotéis isolados, numa bolha de convivência, com protocolos rígidos a cumprir.

Em jogo, está a premiação de 5 milhões de euros (32,2 milhões de reais pela cotação atual) entregue ao campeão. Puxam a fila dos favoritos o campeão europeu Bayern de Munique, da Alemanha, e o Palmeiras, vencedor da Libertadores no último dia 30 de janeiro, em final vencida já nos minutos finais contra o Santos, no Maracanã. O título para o país, no entanto, não chega desde 2012, quando o Corinthians bateu o Chelsea em Yokohama, no Japão.

Além de Ulsan Hyundai e Tigres, que definirão o adversário do Palmeiras na competição, em confronto pela semifinal, no dia 7, completam os times participantes o Al Duhail, representante do Catar, e o Al Ahly, do Egito, campeão africano, em sua sexta participação em Mundial. A partida no estádio Cidade da Educação direcionará o vencedor a um confronto com o Bayern de Munique, também no dia 7, pela semifinal. A decisão e a disputa de terceiro lugar acontecem em 11 de janeiro.

A competição também testará pela primeira vez substituições extras em casos de concussões, ou seja, quando um jogador sofre um choque de cabeça e tem constatado riscos pelos médicos poderá ser substituído independentemente do número de trocas já realizadas ao longo da partida.

Conheça os participantes do Mundial de Clubes 2020:

Palmeiras (Brasil)

Depois de 21 anos, Palmeiras voltou a conquistar a América
Depois de 21 anos, Palmeiras voltou a conquistar a América Conmebol/Divulgação

O clube paulista retorna ao torneio pouco mais de 21 anos depois de sucumbir para o Manchester United, em Tóquio, no Japão, em jogo marcado pela falha do goleiro e ídolo Marcos. A nova tentativa, dessa vez, foi construída de forma acelerada a partir de 30 de outubro, com a chegada do técnico Abel Ferreira. Coube ao português liderar o Palmeiras a uma arrancada e uma campanha praticamente perfeita na Libertadores, a principal vitória um inesquecível 3 a 0 sobre o River Plate, em Buenos Aires. Abel trouxe de volta a confiança de Rony, despertou a melhor fase do artilheiro Luiz Adriano e confiou a jovens como Gabriel Menino, Patrick de Paula e Danilo um grande protagonismo. O time, curiosamente, chega à competição sem poder contar com o seu herói da final da Libertadores, o atacante Breno Lopes, ausente da lista de inscritos por ter sido contratado após o prazo internacional de transferências. Ele, porém, viajou com o elenco para o Catar.

Time-base: Weverton; Marcos Rocha, Luan, Gustavo Gómez e Matias Viña; Danilo, Zé Rafael e Raphael Veiga; Gabriel Menino, Luiz Adriano e Rony. Técnico: Abel Ferreira.

Bayern de Munique (Alemanha)

Bayern conquistou a última Liga dos Campeões com goleadas e invencibilidade
Bayern conquistou a última Liga dos Campeões com goleadas e invencibilidade Manu Fernandez/Pool/Getty Images

Líder do Campeonato Alemão, seis pontos à frente do segundo colocado Red Bull Leipzig, e invicto na Liga dos Campeões desde a última edição, o Bayern de Munique aposta principalmente na brilhante fase do artilheiro polonês Robert Lewandowski, eleito o melhor do mundo pela Fifa em dezembro. Goleador do campeonato local e com 25 gols em 27 jogos na nova temporada, Lewa puxa o carro de uma equipe que parece gostar de quebrar recordes e pode conquistar o seu nono título consecutivo em pouco mais de um ano. O Bayern, no entanto, não é só o seu camisa 9. A equipe do técnico Hansi Flick conta com a excelente fase vivida pelo experiente meia Thomas Muller, a segurança do goleiro Manuel Neuer e a maestria de Joshua Kimmich, uma espécie de “faz-tudo” neste Bayern. De acordo com o site Transfermarkt, o valioso elenco está estimado em 879,5 milhões de euros (4,7 bilhões pela cotação atual), valor esse que nem mesmo juntando todos os jogadores dos outros participantes se equipara ao poderio alemão. A poucos dias do Mundial, a equipe precisou afastar os meio-campistas Javi Martínez e Goretzka por Covid-19.

Time-base: Neuer; Pavard, Sule, Alaba e Davies; Kimmich e Goretzka; Gnabry, Muller e Coman; Lewandowski. Técnico: Hansi Flick.

Ulsan Hyundai (Coréia do Sul)

Ulsan chega ao Mundial sem Sin Jin-ho (foto), uma das referências do time
Ulsan chega ao Mundial sem Sin Jin-ho (foto), uma das referências do time Mohamed Farag/Getty Images

Vice-campeão nacional, o Ulsan chega ao Mundial desfalcado de sua principal referência, o atacante brasileiro Júnior Negão. Artilheiro da última K-League, com 26 gols, e na campanha que levou o Ulsan ao título da Liga dos Campeões Asiática, com sete, sendo os dois últimos decisivos na final da competição, quando o time venceu de virada o Persepolis, do Irã, o jogador não renovou contrato com o clube, que vencia em 31 de janeiro. O destino provável é o futebol chinês. Possível adversário do Palmeiras, pesa o fato de não jogar por competições desde 19 de dezembro. Outra ausência sentida será a do capitão coreano Sin Jin-ho, 32 anos, que também saiu para jogar no Pohang Steelers. Essa será a segunda participação da equipe, que já disputou a competição em 2012, ano da última conquista brasileira, com o Corinthians. Na ocasião, perdeu para o Monterrey e, posteriormente, na disputa de 5º lugar para o Sanfrecce Hiroshima, do Japão.

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Time-base: Su-hak; Tae-hwan, Ki-hee, Bulthuis e Davidson; Dong-jun, Bit-garam, Du-jae, Hyung-min e In-sung; Ji-hyeon. Técnico: Kim Do-hoon.

Tigres (México)

Tigres é o adversário mais aguardado para uma semifinal com o Palmeiras
Tigres é o adversário mais aguardado para uma semifinal com o Palmeiras Francisco Guasco/EFE

Outro potencial adversário do Palmeiras, o Tigres chega com o objetivo de fazer história como o primeiro mexicano campeão mundial. Faturou a Liga dos Campeões da Concacaf pela primeira vez, superando os vices em 2016, 2017 e 2019. Comandada pelo brasileiro Ricardo “Tuca” Ferretti, que jamais foi demitido de um cargo no futebol mexicano, o clube viveu uma revolução na última década. Ferretti tinha apenas um título nacional e pouca representatividade, mas venceu nos últimos anos quatro campeonatos e algumas copas locais, chegou à final da Libertadores de 2015 e coroou a “década perfeita” com o título recente da ConcaChampions. Camisa 10 da equipe e maior artilheiro da história do clube, com 144 gols, o francês André-Pierre Gignac é a maior referência. Ele se recuperou de lesão para a competição, assim como o paraguaio Carlos González. O time cota também com os zagueiros Reyes e Salcedo, da seleção mexicana, e com o brasileiro Rafael Carioca, ex-Atlético Mineiro.

Time-base: Nahuel Guzmán; Rodriguez, Reyes, Salcedo e Dueñas; Rafael Carioca, Guido Pizarro, Leandro Quiñones, Fernandez e Aquino; Gignac. Técnico: Ricardo Ferretti.

Al Duhail (Catar)

Ex-palmeirense Dudu é a principal esperança da
Ex-palmeirense Dudu é a principal esperança da “zebra” Al Duhail Simon Holmes/Getty Images

Atual campeão nacional, o Al Duhail chega à competição sonhando. Dominante no Catar, tendo vencido sete dos últimos dez campeonatos nacionais, o clube chega embalado por alguns de seus nomes. Entre os principais, estão o experiente zagueiro marroquino Medhi Benatia, com passagens de sucesso por Bayern de Munique e Juventus, e o atacante brasileiros Dudu. Desde que foi contratado, o ex-palmeirense marcou 11 gols em 18 jogos. A equipe também conta com o catariano Almoez Ali, uma das principais estrelas locais, eleito como melhor jogador e artilheiro da última Copa da Ásia, e com outro brasileiro, Edmilson Júnior, responsável por 12 gols em 12 partidas na atual temporada. O técnico é Sabri Lamouchi, ex-meio-campista de passagem longa pelo futebol italiano.

Time-base: Moussa; Karami, Hisham, Benatia, Al-Braik; Ceará, Maomé; Edmilson Junior, Abdulsalam, Dudu; Olunga. Técnico: Sabri Lamouchi.

Al Ahly (Egito)

Amr El Solia, do Al Ahly, comemorando gol pela equipe egípcia -
Embalado, Al Ahly defende invencibilidade de 31 jogos Sameh Abo Hassan/Getty Images

Dono de 42 títulos nacionais, nove vezes campeão africano e em sua sexta participação em mundiais, a primeira desde 2013, o Al Ahly chega com moral. Chegou ao torneio ao derrotar o Zamalek na decisão da Liga dos Campeões da África, com um gol marcado já nos minutos finais. O time está embalado pelo trabalho do técnico Pitso Mosimane, que sustenta 31 jogos de invencibilidade (25 vitórias e seis empates), além de três títulos conquistados ao longo da temporada. Uma das referências da equipe é o zagueiro marroquino Badr Benoun, recentemente especulado pelo futebol europeu. O nome mais técnico da equipe é o do meio-campista egípcio Mohamed Magdi Afsha. Além dele, o time conta com mais cinco jogadores que estiveram na última Copa do Mundo pelo país.

Time-base: El Shenawy; Hany, Banoun, Ashraf, Maaloul; Al Sulaya, Fathi; El Shahat, Magdi Afsha e Mohamed; Sherif. Técnico: Pitso Mosimane.

História do torneio

Entre 1960 e 1999, o título de melhor clube do mundo foi disputado apenas entre representantes da Europa e da América do Sul, na chamada Copa Intercontinental. Até 1979, a disputa ocorria em dois jogos, um em cada continente. A partir de 1980, ao ganhar o patrocínio de uma fábrica japonesa de automóveis, a disputa passou a ser realizada em um único jogo, sempre no Japão. Até então a Fifa não dava seu aval para o confronto e não considerava a taça como um torneio oficial.

Diante disso, em 2000, a entidade máxima do futebol mundial decidiu organizar o torneio, dessa vez com a presença de todos os continentes e a sede inicial foi o Brasil. O Corinthians ficou com a taça após bater o Vasco numa final brasileira no Maracanã. No mesmo ano e nos quatro seguintes a Intercontinental seguiu sendo disputada. A competição da Fifa só ganhou uma segunda e unificada edição em 2005, vencida pelo São Paulo sobre o Liverpool.

Corinthians foi o último dos brasileiros que conquistou o torneio, em 2012
Corinthians foi o último dos brasileiros que conquistou o torneio, em 2012 Toshifumi Kitamura/AFP/VEJA

A Fifa injetou muito dinheiro para atrair os europeus e escolheu o Japão como sede inicial para não criar maiores problemas com o antigo patrocinador. Com isso, conseguiu se “apoderar” do Mundial de Clubes, que passou a levar seu nome. Em troca a entidade passou a considerar como oficial as conquistas desde 1960.

Todos os campeões mundiais:

1960 – Real Madrid (Espanha)
1961 – Peñarol (Uruguai)
1962 – Santos (Brasil)
1963 – Santos (Brasil)
1964 – Inter de Milão (Itália)
1965 – Inter de Milão (Itália)
1966 – Peñarol (Uruguai)
1967 – Racing (Argentina)
1968 – Estudiantes (Argentina)
1969 – Milan (Itália)
1970 – Feyenoord (Holanda)
1971 – Nacional (Uruguai)
1972 – Ajax (Holanda)
1973 – Independiente (Argentina)
1974 – Atlético de Madrid (Espanha)
1975 – Não foi disputada
1976 – Bayern de Munique (Alemanha)
1977 – Boca Juniors (Argentina)
1978 – Não foi disputada
1979 – Olímpia (Paraguai)
1980 – Nacional (Uruguai)
1981- Flamengo (Brasil)
1982 – Peñarol (Uruguai)
1983 – Grêmio (Brasil)
1984 – Independiente (Argentina)
1985 – Juventus (Itália)
1986 – River Plate (Argentina)
1987 – Porto (Portugal)
1988 – Nacional (Uruguai)
1989 – Milan (Itália)
1990 – Milan (Itália)
1991 – Estrela Vermelha (Iugoslávia)
1992 – São Paulo (Brasil)
1993 – São Paulo (Brasil)
1994 – Vélez Sarsfield (Argentina)
1995 – Ajax (Holanda)
1996 – Juventus (Itália)
1997 – Borussia Dortmund (Alemanha)
1998 – Real Madrid (Espanha)
1999 – Manchester United (Inglaterra)
2000 – Corinthians (Brasil), campeão do Mundial da Fifa, e Boca Juniors (Argentina), vencedor da Copa Intercontinental
2001 – Bayern de Munique (Alemanha)
2002 – Real Madrid (Espanha)
2003 – Boca Juniors (Argentina) Milan (Itália) 1×1-(3×1)
2004 – Porto (Portugal)
2005 – São Paulo (Brasil)
2006 – Internacional (Brasil)
2007 – Milan (Itália)
2008 – Manchester United (Inglaterra)
2009 – Barcelona (Espanha)
2010 – Internazionale (Itália)
2011 – Barcelona (Espanha)
2012 – Corinthians (Brasil)
2013 – Bayern de Munique (Alemanha)
2014 – Real Madrid (Espanha)
2015 – Barcelona (Espanha)
2016 – Real Madrid (Espanha)
2017 – Real Madrid (Espanha)
2018 – Real Madrid (Espanha)
2019 – Liverpool (Inglaterra)

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