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Gaciba: ‘O VAR é uma criança de dois anos. É preciso ter paciência’

Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF comentou erros no Brasileirão e disse que 100% dos clubes se mostraram a favor da tecnologia

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 set 2021, 20h46 - Publicado em 4 dez 2020, 10h48

O VAR, sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo, segue sendo protagonista e motivo de enorme debate no mundo todo. Reportagem de VEJA desta semana mostrou como a Fifa e a International Football Association Board, a entidade que regulamenta o futebol, estão buscando alternativas para minimizar ao máximo a possibilidade de erros humanos em lances decididos com o auxílio da tecnologia.

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No Brasileirão de 2020, além de várias polêmicas em lances de pênalti, expulsões e afins, dois equívocos em lances de impedimento foram admitidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A VEJA, o presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, Leonardo Gaciba, explicou os ocorridos e pediu paciência.

Os lances ocorreram em duas partidas envolvendo o São Paulo. Diante do Atlético Mineiro, em setembro, um gol do atacante Luciano foi mal anulado por impedimento. Segundo Gaciba, houve um erro humano, no momento de traçar as linhas vermelha, do ataque, e azul, da defesa.

Já na partida entre São Paulo e Ceará, em novembro, houve um “erro de direito” no momento em que o árbitro Wagner Magalhães do Nascimento anulou (corretamente) um gol tricolor depois de já ter reiniciado a partida, com gol validado, ferindo o mais básico dos itens do protocolo do VAR. Segundo a CBF, o erro foi causado por uma “comunicação paralela, mantida entre o árbitro central e o quarto árbitro, que atrapalhou a comunicação entre campo e cabine. O líder São Paulo abriu mão de lutar na Justiça pela anulação da partida, que terminou empatada em 1 a 1. 

O lance da discórdia: Luciano não estava impedido
O lance da discórdia: Luciano não estava impedido SporTV/Reprodução

A VEJA, Gaciba ressaltou que, ainda que não seja totalmente imune a falhas, já que as linhas são traçadas de forma manual, a tecnologia para lances de impedimento tem índice altíssimo de acerto. “Houve um erro humano em mais 1.000 lances de impedimento analisados. Simples assim. Acho mais justo aplaudir 99% de acertos do que vaiar um único equívoco”, afirmou Gaciba, que disse que há acompanhamento constante. “Quando a cartilha não é seguida, o responsável é colocado em treinamento.”

A marcação de impedimentos milimétricos, que muitas vezes deixam dúvidas durante as transmissões, tem sido motivo de controvérsia em ligas de diversos países. Algumas personalidades, como o ex-treinador Arsene Wenger, hoje chefe de desenvolvimento global da Fifa, sugerem uma mudança na regra: que o atacante só esteja fora de jogo caso tenha o corpo inteiro à frente da linha do penúltimo defensor.

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Ex-juiz e ex-comentarista de arbitragem, Gaciba revelou ter enviado à International Board outra ideia de mudança, menos drástica, na lei do impedimento “A CBF mandou expressamente a sugestão de que o ponto de referência da linha de impedimento seja os pés dos jogadores. Assim terminaríamos com vários problemas. Haveria uma regra universal e tiraríamos as linhas verticais. Com a linha horizontal, conseguiríamos tomar a decisão com maior velocidade. Seria mais simples.”

Segundo ele, a possibilidade será discutida junto a outros temas como a regra de mão na bola, que tende a ser revista, e a possibilidade de ampliar o número de substituições em caso de concussão de um atleta, na próxima reunião, em dezembro, e na Assembleia Geral Anual da Ifab, em 6 de março de 2021.

‘Clubes reclamam publicamente, mas aprovam o VAR’

Sobre os lances de mão na bola, os que mais geram questionamentos sobre falta de critério no Brasileirão, o ex-juiz gaúcho se disse satisfeito. “Este tema foi uma prioridade para nós durante a pandemia, analisamos mais de 120 vídeos de mão, situações limites, e passamos uma linha de interpretação. Claro que na prática é mais difícil que na teoria, mas estamos muito contentes com a interpretação dos nossos árbitros. Mas esse é um problema mundial, o mundo ainda quer entender melhor a questão dos critérios de mão na bola. Seguimos o que nos foi recomendado pela Ifab.”

Gaciba considera que ainda há ajustes importantes a serem feitos, mas lembrou que a tecnologia estreou mundialmente apenas em 2018. “Podemos evoluir ainda a questão do tempo, da fluidez do jogo. Já houve avanços, é preciso lembrar que o VAR é uma criança de dois anos. É difícil ter paciência com uma criança, mas é necessário. No futebol, hoje discutimos muito a interpretação da regra, mas não os erros.”

Por fim, Gaciba rebateu os dirigentes que costumam criticar o VAR publicamente e disse que, nas reuniões com a CBF, todos se mostram a favor da tecnologia. “Quem decide se vai ou não ter VAR são os clubes no congresso técnico. Esse ano houve 100% de aprovação. Eles reclamam publicamente, mas quando pensam no dinheiro de premiação que podem perder com um erro grave que poderia ser evitado, votam a favor do VAR.”

 

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