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Fator Luxemburgo: técnico é arma do Palmeiras contra Corinthians ‘cascudo’

Comandante alviverde nas últimas quatro conquistas estaduais, treinador de 68 anos pode alcançar recorde e encerrar nova fila diante do maior rival

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 set 2021, 21h34 - Publicado em 4 ago 2020, 18h33

Poucas pessoas no mundo sabem tão bem quanto Vanderlei Luxemburgo o que representa um dérbi paulista – ou, parafraseando Lima Duarte, cujo personagem no filme Boleiros (1998) era justamente um treinador alviverde, o que é um “Parmera e Curintia”. Campeão paulista e brasileiro pelos dois clubes, Luxa retornou ao Palmeiras em 2020 sob enorme desconfiança. Aos 68 anos, busca há mais de uma década recuperar o prestígio do fim dos anos 90 e do início deste século, quando treinou até o galáctico Real Madrid.

O time alviverde ainda não empolgou, longe disso, mas a final do Campeonato Paulista diante do atual tricampeão Corinthians, repleta de rivalidade (ainda que sem presença de público, cumprindo o necessário (porém imperfeito) protocolo de prevenção ao coronavírus, é a chance perfeita para a redenção de Luxa. O histórico recente dá enorme vantagem psicológica ao “cascudo” elenco alvinegro, mas o técnico palmeirense, um exímio motivador, certamente tem cartas na manga. O primeiro jogo da decisão acontece nesta quarta-feira, 5, a partir das 21h30, na Arena Corinthians.

Um eventual título estadual não apenas daria fôlego a Luxemburgo no Palmeiras – na mesma medida em que um novo fracasso poderia minar seu futuro –, mas também o colocaria no topo de uma lista seleta. Com oito títulos paulistas (quatro pelo Palmeiras, dois pelo Santos, um pelo Corinthians e outro, o primeiro, pelo Bragantino), ele está atualmente empatado com Lula, histórico treinador do Santos de Pelé, como maior campeão do torneio.

Também ampliaria sua gloriosa trajetória no Palestra: a última vez em que o Palmeiras conquistou um Paulistão sem Luxemburgo foi em 1976. Desde então, venceu com ele as finais de 1993, 1994, 1996 e 2008. Com Luiz Felipe Scolari e Roger Machado, respectivamente, perdeu para o maior rival as decisões de 1999 e 2018, a última delas em casa, um trauma que Luxemburgo certamente usará a seu favor.

Todo o elenco do Palmeiras já foi avisado pela diretoria de que este dérbi tem valor especial e deve ser encarado como uma grande decisão. Tanto na visão dos cartolas quanto na dos torcedores, a apatia tem sido o maior inimigo do time diante do Corinthians, que recentemente ultrapassou o rival no retrospecto histórico do clássico após meio século de vantagem alviverde. Luxemburgo conhece bem a dinâmica do clube do bairro paulistano da Pompéia e tratou de blindar a todos. Ele próprio se negou a dar entrevistas exclusivas – recusou até mesmo um convite do amigo Galvão Bueno – para não perder o foco.

A relação com a imprensa, aliás, tem sido uma preocupação desde sua chegada, em janeiro. Incomodado com a animosidade que pairava há anos no clube, tratou de conduzir uma reaproximação com a torcida – inclusive a organizada – e jornalistas. “Disse aos jogadores que a imprensa não é nossa inimiga, ela faz o trabalho dela. Eles têm que dar a resposta. Tem que passar e falar. Sabe por quê? Pois estão falando com o torcedor do Palmeiras”, afirmou, em entrevista a PLACAR, em fevereiro.

Na semana passada, Luxemburgo chegou a intermediar a presença de seu capitão Felipe Melo, desfalque nesta quarta por lesão, no programa do ex-jogador e ídolo alvinegro Neto, na Band. Sua ideia sempre foi aparar arestas e apaziguar um ambiente já conturbado por natureza.

Em um duelo repleto de tensão, a experiência de Luxemburgo pode fazer a diferença. Este Palmeiras está longe de encantar como os esquadrões da década de 90, mas chega à decisão em uma condição relativamente semelhante, guardadas as proporções, ao do histórico 12 de junho de 1993, quando time encerrou um jejum de 16 anos sem troféus com uma goleada por 4 a 0, diante de mais de 90 000 pessoas no Morumbi. “Agora é um clássico, contra um adversário difícil, que vem tendo uma superioridade sobre o Palmeiras. O adversário tem a proposta de ser tetracampeão, nós temos a proposta de sair da fila”, afirmou o técnico após a classificação diante da Ponte Preta, no último domingo.

Luxemburgo e o presidente Galiotte: ambos enfrentam pressão da torcida Fabio Menotti/S.E. Palmeiras

“Você não ganha do Corinthians como quer, com facilidade, mas não pode ter medo. O Palmeiras é grande, time de tradição. Quem joga no Palmeiras tem de estar preparado para jogar decisões contra o Corinthians, São Paulo, Santos. Quem está aqui tem que se preparar para os grandes jogos”, completou o treinador, em um pequeno aperitivo do que será sua preleção. Luxemburgo sabe mexer com os ânimos de seus comandados. “No grupo, o grande motivador sou eu”, disse, a PLACAR, ao comentar o trabalho que realiza com o auxílio dos psicólogos de suas equipes. Em algumas oportunidades, como no título paulista de 2008, chegou a distribuir faixas de campeão no vestiário, antes da partida.

“Pode vestir, rapaziada. Não tenham medo, não. Vocês estão com essa faixa porque eu acredito sempre que vou ganhar. Se vocês tinham alguma dúvida, ela foi decepada agora. Nós vamos ganhar! (…) Não tenham medo. Eu queria estar agora de chuteira para ganhar com vocês. Quem não ganhou campeonato vai ver como é gostoso. Esse é o momento em que o Brasil e o mundo estão olhando para vocês”, discursou Luxemburgo, em meio a palavrões, em imagens de bastidores divulgadas pela Band.

Do outro lado, a pressão será menor, mas a motivação também é grande. Se conquistar o tetracampeonato consecutivo, o Corinthians do jovem técnico Tiago Nunes igualará uma marca que já dura 101 anos: o Club Athletico Paulistano foi o único time a faturar quatro Paulistas seguidos, entre 1916 e 1919. Desde então, alguns clubes bateram na trave, parando no tri: o Corinthians em 1925, 1931 e 1940. O Palestra Itália, antigo nome do Palmeiras, em 1935 e o Santos de Pelé e Neymar, em 1963, 1970 e 2013. O retrospecto de Luxemburgo no dérbi é equilibrado, mas positivo. 

O retrospecto de Luxemburgo no dérbi paulista*

25 partidas (9 vitórias, 9 empates, 7 derrotas):

2/5/1993 – Corinthians 3×0 Palmeiras (Paulistão)

6/6/1993 – Corinthians 1×0 Palmeiras (Paulistão)

12/6/1993 – Palmeiras 4×0 Corinthians (Paulistão)

4/8/1993 – Palmeiras 2×0 Corinthians (Torneio Rio-São Paulo)

7/8/1993 – Palmeiras 0x0 Corinthians (Torneio Rio-São Paulo)

13/3/1994 – Corinthians 1×0 Palmeiras (Paulistão)

15/5/1994 – Palmeiras 2×1 Corinthians (Paulistão)

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13/11/1994 – Palmeiras 4×1 Corinthians (Brasileirão)

15/12/1994 – Palmeiras 3×1 Corinthians (Brasileirão)

18/12/1994 – Palmeiras 1×1 Corinthians (Brasileirão)

3/3/1996 – Palmeiras 3×1 Corinthians (Paulistão)

5/5/1996 – Palmeiras 2×2 Corinthians (Paulistão)

23/10/1996 – Palmeiras 2×2 Corinthians (Brasileirão)

24/1/1998 – Palmeiras 4×2 Corinthians (Torneio Rio-São Paulo)

7/2/1998 – Palmeiras 2×1 Corinthians (Torneio Rio-São Paulo)

15/3/1998 – Corinthians 1×1 Palmeiras (Paulistão)

5/4/1998 – Corinthians 1×1 Palmeiras (Paulistão)

16/7/1998 – Corinthians 1×1 Palmeiras (Torneio Maria Quitéria)

3/10/1998 – Palmeiras 3×1 Corinthians (Brasileirão)

11/2/2001 – Corinthians 2×1 Palmeiras (Paulistão)

3/10/2001 – Corinthians 4×2 Palmeiras (Brasileirão)

7/4/2002 – Palmeiras 0x0 Corinthians (Torneio-Rio São Paulo)

2/3/2008 – Palmeiras 1×0 Corinthians (Paulistão)

8/3/2009 – Palmeiras 1×1 Corinthians (Paulistão)

22/7/2020 – Palmeiras 0x1 Corinthians (Paulistão)

*O clube em negrito era dirigido por Luxemburgo à época

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