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‘Errei por demorar, mas fiz a coisa certa’, diz juiz da final do Paulista

Marcelo Aparecido de Souza, que causou polêmica na decisão vencida pelo Corinthians na casa do Palmeiras, hoje apita na Paraíba

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 28 set 2021, 15h22 - Publicado em 8 jan 2019, 09h30

O árbitro da polêmica final do Campeonato Paulista de 2018 trocou São Paulo pela Paraíba neste ano. Nove meses depois de trabalhar na decisão vencida pelo Corinthians diante do rival Palmeiras, no Allianz Parque, Marcelo Aparecido de Souza estourou a idade limite de 45 anos para participar do quadro da Federação Paulista de Futebol (FPF) e é a principal aquisição do quadro de juízes do Campeonato Paraibano.

A final do Paulistão de 2018 ficou marcada pela reclamação do Palmeiras sobre suposta interferência externa. O clube sustenta que o árbitro anotou um pênalti de Ralf em Dudu e recuou na decisão oito minutos depois ao ser avisado por alguém que estava fora do campo – versão sempre negada pela FPF. Marcelo Aparecido de Souza não detalhou o ocorrido, mas se disse com a consciência tranquila.

“Aquilo atrapalhou a minha carreira. O que me deixa chateado é que não houve equívoco, mas houve acerto. A gente sempre escuta que os árbitros não têm humildade ou que não reconhecem o erro, mas eu tive essa atitude. Eu errei por demorar, é claro, mas o importante é que acertamos e não teve má fé. Eu posso ser cobrado pela demora, mas não pela escolha. Eu recebi apoio até de alguns palmeirenses. Eles me falaram que eu estava certo e que não queriam ganhar a final daquele jeito”, disse.

“Eu trabalhei durante 20 anos na Federação Paulista e foram poucos os problemas. Somos árbitros, somos seres humanos. Mas a gente fica infelizmente marcado pelo equívoco. Apesar de tudo isso, estou tranquilo. Eu sei que fiz a coisa certa naquela final. Imagina se daqui 20 anos eu me lembrar que decidi um campeonato por erro de arbitragem? O mais importante de tudo é poder olhar para o meu filho e encostar a cabeça no travesseiro com tranquilidade. Eu tenho a consciência limpa”, completou. O Corinthians venceu a decisão nos pênaltis, após vitória por 1 a 0 no tempo regulamentar.

Nova vida no Nordeste

Na Paraíba, o árbitro vai se apresentar com o status de principal novidade do projeto de reformulação local. O Estado nordestino encara desde 2018 um escândalo deflagrado pela Operação Cartola, promovida pelo Ministério Público contra a corrupção e manipulação de resultados no campeonato local. Com dirigentes afastados e nove árbitros banidos, a Federação Paraibana precisou “importar” juízes de outras federações para recompor o quadro.

Souza vai continuar a morar em São Paulo e só viajará à Paraíba na véspera das partidas. A estreia foi no fim de semana, no amistoso entre Botafogo e Serrano. Na ocasião, também participou de palestras com os novos colegas e fez testes físicos.

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“Eu cheguei ao limite da idade estipulada em São Paulo. Aceitei o projeto da Paraíba de resolver problemas na arbitragem. Como a CBF permite trabalhar até os 50 anos, asseguro minha vaga no Campeonato Brasileiro. Se eu não estiver afiliado a uma federação, não trabalho no Brasileiro. Ficar parado e sem atuar em Estaduais seria péssimo, porque perderia ritmo de jogo”, afirmou.

Segundo o diretor de arbitragem da Federação Paraibana, Arthur Alves Júnior, o árbitro paulista será o principal nome do Estado. “Queremos ter árbitros experientes, como o Marcelo. Ele vai ajudar os outros companheiros. A presença dele é importante. O campeonato será complicado”, disse. A maioria dos juízes locais é jovens e foi promovida dos trabalhos na segunda divisão paraibana.

Assim como Souza, outros três nomes, ainda não definidos, vão migrar para a Paraíba para reforçar o quadro local. As transferências têm, inclusive, o aval da CBF. Nas competições organizadas pela entidade, como o Brasileirão, e na maioria dos Estaduais o árbitro pode apitar até os 50 anos.

 

 

 

 

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