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‘Dinheiro manda’: Beckham é criticado por contrato bilionário com Catar

Ex-jogador inglês será o 'rosto' da Copa do Mundo de 2022 apesar de constantes denúncias de violações aos direitos humanos por parte do país árabe

Por Da Redação 25 out 2021, 18h54

David Beckham será o “rosto” da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Um rosto bonito, certamente, mas não alheio a críticas. O ex-jogador britânico de 46 anos assinou um contrato com o governo catari, que lhe renderá 150 milhões de libras (equivalente a 1,1 bilhão de reais pela cotação atual), para ser embaixador do país-sede do Mundial durante dez anos, segundo informações do diário The Sun. O acordo gerou uma série de críticas por parte de organizações de defesa dos direitos humanos, que acusaram Beckham de priorizar sua fortuna à moralidade.

A Anistia Internacional, organização não-governamental com mais de 7 milhões de apoiadores no mundo, é um dos órgãos que acusa constantemente o Catar de ocultar casos de mortes e abusos contra operários que trabalham na construção dos estádios da Copa, além de discriminar mulheres e proibir manifestações públicas de homossexualidade.

Sacha Deshmukh, CEO da Amnistia Internacional do Reino Unido, disse que “não é surpreendente como Beckham deseja estar envolvido em um evento tão importante. No entanto, pedimos que ele se informe sobre a situação preocupante dos direitos humanos no Catar. Dos maus tratos de longa data aos trabalhadores migrantes até os limites à liberdade de expressão e à criminalização das relações homossexuais ”.

O fato de Beckham ser embaixador da Unicef, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância, jogou ainda mais lenha na fogueira. “Ele cometeu um grande erro. Espero que ele repense sobre isso”, afirmou o ativista LGBT+ Peter Tatchell ao tabloide Daily Mail. Rothna Begum, referência no apoio aos direitos das mulheres, também se disse decepcionada. “As celebridades que são pagas para promover o Catar, e que se consideram a favor dos direitos das mulheres, deveriam usar sua posição para se informar sobre as coisas que estão acontecendo.”

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Nick Bukley, um político e fundador de instituições de caridade e apoio aos sem-teto do Reino Unido foi ainda mais duro: “Como acontece com todo jogador, o dinheiro manda. Nenhum jogador tem moral para nos dar sermões sobre Black Liver Matter, racismo, sustentabilidade e políticas sociais. Chute a bola. Ganhe milhões. Cale a boca – todo o resto é hipocrisia”, escreveu, ao compartilhar a notícia sobre o novo cargo de Beckham.

Diante das críticas, um porta-voz do ex-jogador de Manchester United, Real Madrid, e PSG, disse ao The Sun que “David acredita no compromisso do Catar com o progresso e que o Campeonato do Mundo, o primeiro num país árabe, poderá ajudar a provocar uma importante mudança positiva”. O jornal diz que Beckham se aconselhou com a esposa, Victoria, antes de aceitar a proposta e que recebeu a garantia de que os torcedores poderão exibir bandeiras arco-íris durante a competição.

A Copa de 2022, assim como todo o projeto do Paris Saint-Germain, comprado há dez anos pelo Qatar Sports Investment (QSI), subsidiária da Autoridade de Investimento do Catar, o fundo de riqueza soberano do emirado, são constantemente acusadas de ser ferramentas de sportwashing, termo que se refere ao uso do esporte como forma de melhorar a imagem de um país. Beckham não se pronunciou oficialmente sobre o assunto até o momento. Aposentado desde 2013, ele é dono de um clube da Major League Soccer, a principal liga de futebol dos EUA, o Inter Miami.

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