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Cristiano Ronaldo: o maior europeu de todos os tempos?

Em números, Eusébio, Beckenbauer, Cruyff, Zidane e companhia já ficaram bem para trás, mas nem tudo se resume à frieza das estatísticas. O debate está posto

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 set 2021, 18h27 - Publicado em 27 jul 2021, 18h13

(Matéria publicada na edição de julho de PLACAR, já disponível em nossas plataformas para dispositivos iOS e também Android, e que chega às bancas de todo o país na próxima semana)

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Compreender a real magnitude de um fenômeno no exato momento em que ele ocorre não é tarefa simples. Muitas vezes, a história é escrita diante de nossos olhos sem nos darmos conta, cabendo ao remédio do tempo pôr tudo em seu devido lugar. Cristiano Ronaldo não parece disposto a esperar. Aos 36 anos, o atacante português segue pulverizando vários dos recordes mais relevantes do futebol. Ele não conseguiu levar Portugal ao bicampeonato da Eurocopa, mas, com cinco bolas na rede, tornou-se o maior artilheiro da história do torneio. De quebra, igualou a marca do iraniano Ali Daei, até então o maior goleador de uma seleção, com 109 tentos.

Cristiano Ronaldo: o maior europeu? -
Cristiano Ronaldo: o maior europeu? – Reprodução/Placar

“Sinto-me honrado pelo fato de este feito inacreditável pertencer a Ronaldo — um grande campeão do futebol e um humanista que inspira e tem impacto em várias vidas pelo mundo”, escreveu Daei. “Tenho muito orgulho de receber palavras tão carinhosas de um ídolo como você”, retribuiu CR7, que detém ainda o recorde de esportista mais popular do Instagram (309 milhões de seguidores… e contando). As recentes façanhas abriram margem para um novo debate: seria o lusitano marrento o maior jogador europeu de todos os tempos?

“Ele não é só uma máquina de fazer gols. É muito mais que isso”, disse o jornalista Paulo Vinícius Coelho, cria de PLACAR e hoje no Grupo Globo, que ajudou a alimentar a discussão. “Cruyff foi mais revolucionário, Beckenbauer, mais cerebral, Zidane, mais elegante… mas ninguém foi tão brilhante por tantos anos quanto Cristiano.” Numa hipotética eleição mundial, o gajo da Ilha da Madeira enfrentaria a cruel concorrência sul-americana de Pelé, Maradona e mesmo seu eterno antagonista, Lionel Messi. O craque do Barcelona, aliás, sabe como ninguém quanto desafiar Cristiano pode ser missão ingrata. Mas, se a disputa for restrita à Europa, CR7 estará, obviamente, no páreo.

“Os números não mentem”, costuma dizer o atacante da Juventus. Podem até enganar e, certamente, não são tudo no futebol, mas diante de tanta superioridade nas estatísticas, não há como excluí-lo dessa briga. Cristiano tem cinco Bolas de Ouro, isso tudo vivendo na mesma era de Messi. Quando nomes como Puskás, Beckenbauer, Cruyff e o também lusitano Eusébio (nascido em Moçambique) atuavam, a disputa pelo renomado prêmio oferecido pela revista France Football estava restrita a europeus — motivo pelo qual jamais foi erguido por Pelé.

Cristiano, aliás, tem muito em comum com o Rei. Primeiro, o fato de ser evidentemente muito mais forte e rápido que a maioria
dos colegas. É uma máquina, o “robozão”. É completo, ambidestro, inteligente, excepcional cabeceador, líder nato, hiperdecisivo e carismático. Tudo o que faz, ou o que deixa de fazer, produz barulho. Na Euro, causou controvérsia ao retirar um refrigerante da mesa de coletiva, deixando em polvorosa a turma do marketing. “Só água”, brincou.

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"Os números não mentem", diz CR7

PVC toca em um ponto fundamental: reduzir Cristiano a um mero empurrador de bolas para dentro do gol passaria longe de ser justo. CR7 iniciou a carreira no Sporting e no Manchester United como um ponta driblador (pecava, inclusive, pelo excesso de firulas). No Real Madrid, tornou-se um craque objetivo, letal, mas sem deixar de exibir ousadia, elasticidade e uma técnica apurada.

No entanto, sabemos, beleza é fundamental, e aqui não falamos sobre o corpo torneado que o português gosta de conferir no telão do estádio. Reafirme-se: Puskás, Eusébio, Beckenbauer, Cruyff e Zidane, além de Michel Platini e do norte-irlandês George Best, foram craques mais talentosos, que jogavam um futebol artístico, quase poético, mais plástico. O holandês ainda tem a seu favor o fato de ter influenciado como ninguém o desenvolvimento do jogo. Foi um revolucionário da bola, tanto como atleta quanto como treinador. Mas ninguém durou tanto quanto Cristiano. Favorecido pelo avanço da medicina, aliada a seu profissionalismo e ambição, Cristiano se mantém em altíssimo nível perto dos 40. Sonha, agora, em conquistar o único grande título que lhe falta: a Copa de 2022, no Catar.

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O debate está posto, é saboroso, e totalmente aberto a subjetividades dos gostos pessoais, que tendem a variar entre gerações. Na redação de PLACAR, formada por três millennials (de 26 a 40 anos), dois membros da geração Z (até 25 anos), um da geração X (de 41 a 55 anos) e dois baby boomers (acima de 56) — todos um tanto “cringe”, para ficar com a gíria da moda —, houve empate de 4 a 4. Quem se arrisca a desempatar?

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