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Crefisa é multada pela Receita e muda contrato com o Palmeiras

Órgão cobrou da patrocinadora mais de R$ 30 milhões, referentes a contratações de 2015 e 2016. Lucas Lima já foi registrado nos novos moldes

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 29 set 2021, 10h30 - Publicado em 23 jan 2018, 09h19

A aquisição de Lucas Lima inaugurou um novo formato de contrato entre o Palmeiras e sua patrocinadora, a Crefisa. A empresa de crédito pessoal pagará em três parcelas semestrais os cerca de 17,5 milhões de reais pelas luvas e as comissões aos empresários do jogador, já dentro dos moldes de um acordo recente. A partir de agora, todo atleta adquirido com recursos da empresa será repassado ao clube como empréstimo. Antes, era registrado pelo Palmeiras, mas ligado à empresa por um contrato denominado “compra de propriedade de marketing”, o que resultou em problemas fiscais.

O aditivo contratual foi a solução encontrada para a patrocinadora evitar novos problemas com a Receita Federal. Em setembro do ano passado, o órgão multou a Crefisa em mais de 30 milhões de reais, referentes ao investimento em contratações entre 2015 e 2016. A multa já foi paga.

No entender da Receita Federal, a operação para a contratação de reforços exigia tributação sobre o valor total. Mas os valores desembolsados pela Crefisa não eram tributados porque apareciam na contabilidade da empresa como despesa. O órgão não concordou e definiu as operações como empréstimo.

Pela análise da contabilidade da Crefisa feita pelos auditores, ao aparecer como despesa o dinheiro repassado para reforços interferia na tributação por diminuir o lucro. A assessoria de imprensa da Receita Federal afirmou que, por questões de sigilo fiscal, não comentaria o caso.

A presidente da Crefisa, Leila Pereira, confirmou o novo contrato. “Fizemos a alteração para se adequar totalmente às exigências da Receita Federal. O clube não foi prejudicado por isso”. O departamento jurídico do Palmeiras elaborou o novo texto em dezembro.

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Antes, a Crefisa investia em reforços com a compra de propriedades de marketing para ter a garantia de aparição do jogador em ações publicitárias e exploração de direitos de imagem. A empresa recebe o dinheiro de volta quando o atleta é negociado.

No acordo recente, as operações para reforços foram detalhadas e classificadas como empréstimo com correção de valor pela CDI, escolhida por ser uma das remunerações mais baixas do mercado, de 0,5% ao mês. O imposto sobre a operação financeira será bancado pela Crefisa. Caso o jogador contratado seja revendido por um valor inferior ao pago, o Palmeiras tem dois anos para devolver a diferença.

A necessidade de reformular o acordo fez tanto o clube como a empresa se conterem nesta janela de transferências. O Palmeiras só recorreu à Crefisa após a regularização do contrato. A transferência inaugural foi a de Lucas Lima. Para trazer o meia, ex-Santos, foi preciso fixar o pagamento de valores ao jogador, ao pai dele e aos empresários. Do salário de 600.000 reais metade será paga pela empresa.

Os contratos antigos também foram afetados: passaram a ter dois aditivos para se adequar às determinações. A Crefisa já investiu cerca de 130 milhões de reais em jogadores. A multa foi referente aos exercícios de 2015 e 2016. O ano passado ficou fora desta primeira análise. A empresa decidiu se antecipar e pagar 40% de imposto sobre os mais de 80 milhões de reais gastos em contratações em 2017.

Desde 2015, a patrocinadora investiu em 12 reforços para o Palmeiras. Apenas neste ano, precisará desembolsar quase 60 milhões de reais em parcelas e salários de contratações realizadas na temporada anterior.

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