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Com novas desistências, presidente da Juventus admite fim da Superliga

Clubes italianos seguem exemplo dos ingleses e abandonam o projeto; Andrea Agnelli deixa confusão com imagem arranhada entre cartolas e torcedores

Por Redação Atualizado em 23 set 2021, 20h05 - Publicado em 21 abr 2021, 09h31

A Superliga Europeia chegou mesmo ao fim, de forma melancólica, com menos de três dias de criação. É o que admite um de seus principais articuladores, Andrea Agnelli, presidente da Juventus e vice-presidente da liga independente fundada por 12 clubes ricos. Diante de tantas desistências — na manhã desta quarta-feira, 21, Inter de Milão, Milan e Atlético de Madri seguiram o exemplo dos clubes ingleses e também anunciaram a saída do projeto que visava substituir a Liga dos Campeões da Uefa —, Agnelli admitiu que a Superliga não pode seguir adiante neste momento.

“Para ser franco e honesto, não, evidentemente não [há como seguir com a Superliga com poucas equipes]. Sigo convencido da beleza deste projeto, do valor que ele poderia gerar à pirâmide e de que seria o melhor torneio do mundo. Mas evidentemente não, não posso dizer que segue de pé”, afirmou Agnelli, na manhã desta quarta, à agência Reuters.

Por ora, apenas Real Madrid e Barcelona não anunciaram oficialmente sua desistência do projeto, que enfrentou diversas críticas de torcedores, inclusive dos clubes envolvidos, cartolas, ídolos, treinadores e até importantes políticos como o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o presidente francês Emmanuel Macron.

Em outra entrevista, realizada na noite de terça-feira 20, ao diário La Reppublica, Agnelli disse confiar “100% na chance de a Superliga ser um sucesso” e afirmou que ela não era uma “ameaça” para as ligas nacionais. Ele ainda condenou a postura da Uefa e da Fifa de ameaçar excluir os atletas dos 12 clubes da Superliga de competições de seleções como a Eurocopa e a Copa do Mundo.

“Seria um abuso sério. O que eles estão ameaçando é ilegal e, se isso acontecer, não seria apenas um monopólio, mas uma ditadura ”, disse Agnelli. “A Fifa e a Uefa geram receitas com os nossos jogadores, mas não nos ajudam em momentos de crise. Eles devem escolher se serão reguladores ou promotores comerciais.”

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Nesta quarta, a Juventus oficializou sua desistência em um comunicado oficial, no qual reafirmou que acreditava na Superliga. “Neste contexto, a Juventus, mesmo permanecendo convencida dos fundamentos esportivos, comerciais e legais do projeto, considera que há possibilidades reduzidas de que seja cumprido da forma que foi inicialmente concebido.”

Agnelli, herdeiro da família fundadora da Fiat, montadora italiana da qual é membro do conselho, é quem sai com a imagem mais arranhada de toda esta confusão. Ele foi chamado de mentiroso por Aleksander Ceferin, o presidente da Uefa, de quem era amigo próximo — o esloveno chegou a ser escolhido padrinho da filha mais nova de Agnelli —, por supostamente ter traído a entidade europeia, da qual fazia parte, para arquitetar a criação da Superliga.

“Nos falamos no sábado e Agnelli disse que os boatos sobre a Superliga eram apenas boatos. Depois não me atendeu mais”, disse Ceferin ao diário La Gazzetta dello Sport, acusando o compadre de jogo duplo. “Agnelli é uma das minhas maiores decepções, de fato a maior. Eu nunca vi uma pessoa que poderia mentir assim o tempo todo, é realmente incrível”, completou.

Com as ações da Juventus em queda e um horizonte pouco amigável para as novas negociações com a Uefa, muitos torcedores da Juventus já pedem a renúncia de Agnelli. Atual eneacampeão italiano, o time de Turim foi eliminado das últimas Liga dos Campeões por Porto, Lyon e Ajax, equipes com poder aquisitivo bem menor (e que, por isso, não foram convidadas para a Superliga).

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