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Com melhor campanha da Série C, Novorizontino quer coroar o ano com acesso

Membros do campeão do interior paulista em 2021 falaram a PLACAR sobre o atual momento e as expectativas para a fase decisiva da competição

Por Luca Castilho Atualizado em 1 out 2021, 16h44 - Publicado em 3 out 2021, 08h00

Recém-promovido para a Série C do Brasileirão, o Grêmio Novorizontino já marcou seu nome na história. O clube fez a melhor campanha da primeira fase da competição no atual formato, com 12 vitórias, 3 empates e somente 3 derrotas, em 18 partidas disputadas, e ainda garantiu a defesa menos vazada, com 10 gols sofridos, e o segundo melhor ataque, com 26 gols anotados (atrás apenas do Ypiranga, com 26 tentos). A equipe paulista estreia no quadrangular final neste domingo, 3, às 16h, fora de casa, diante do Manaus, sonhando alto. 

O clube de Novo Horizonte, cidade do interior paulista com pouco mais de 40.000 habitantes, tenta alcançar o acesso à Série B pela primeira vez. Antes de mais nada, convém esclarecer: o Grêmio Novorizontino não é o mesmo Grêmio Esportivo Novorizontino, que fez a famosa final caipira do Campeonato Paulista de 1990 contra o então Bragantino (outro vizinho a renascer repaginado, agora sob a gestão da Red Bull) e encerrou suas atividades em 1998.

Com apenas 11 anos de existência, o clube surgiu em 2010 com uma nova associação e, inclusive, pagando uma nova filiação junto à Federação Paulista de Futebol. Desde então, foram três acessos no Paulistão, onde está na elite desde 2016, e um no Campeonato Brasileiro, justamente no ano passado, quando garantiu vaga na Terceirona. O atual time, presidido pelo ex-meia Genilson da Rocha Santos, porém, manteve o uniforme amarelo e preto, mascote e estádio em respeito ao antigo clube.

O técnico Léo Condé conquistou o Troféu do Interior com o Novorizontino no início de 2021
O técnico Léo Condé conquistou o Troféu do Interior com o Novorizontino no início de 2021 e segue no comando do time na Série C Guilherme Videira/Divulgação

Buscando se firmar no cenário, o Novorizontino agora busca garantir o acesso à segundona. Para isso, terá que manter a grande fase no quadrangular final, no qual enfrentará Tombense, Ypiranga e Manaus. A equipe mantém uma invencibilidade de oito jogos, com seis vitórias e dois empates na competição. 

“O time vai fazer o seu melhor nesses próximos seis jogos. Todos estão muito empenhados e cientes da importância desse momento para a história e trajetória do clube. A raça, entrega, empenho e o entendimento para fazer os jogos está muito incutido na nossa equipe. É dessa forma que nós vamos brigar pelo acesso à Série B”, afirma Genilson, em entrevista a PLACAR.

O fator casa pode ser decisivo para o clube de Novo Horizonte, que não perdeu e sequer sofreu um gol dos adversários no Estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, mais conhecido como Jorjão, nesta primeira fase do nacional.

O clube ainda contará com a volta do público ao seu estádio, conforme determinação do Governo do Estado de São Paulo. A partir de 4 de outubro, 30% da capacidade estará liberada. Já a partir de 15 de outubro, 50%. Por fim, no dia 1º de novembro, 100% da capacidade estará disponível para a torcida.

Vale ressaltar que apenas pessoas completamente vacinadas (com as duas doses) ou aqueles que tomaram apenas uma dose e realizarem o teste de RT-PCR (até 48 horas antes da partida) ou de Antígeno (até 24 horas antes da partida) poderão entrar. Dentro do Jorjão será obrigatório o uso de máscara, distanciamento social e higienização mas mãos sempre que possível e necessário.

Bruno Aguiar, zagueiro do Novorizontino
O veterano zagueiro Bruno Aguiar, que coleciona um título da Libertadores pelo Santos, joga no Novorizontino Guilherme Videira/Divulgação

Campeão do interior

O clube vem bem desde o início do ano. No Paulistão, o Novorizontino bateu na trave em busca da vaga nas quartas de final, ficando na terceira colocação, com 19 pontos, apenas dois a menos que o vice-líder do Grupo C Palmeiras e quatro do líder Red Bull Bragantino. Porém, tudo acontece por um motivo.

No Troféu do Interior, competição que reúne os clubes de fora da capital que foram eliminados na primeira fase da elite do estadual, o Novorizontino venceu a Ponte Preta na final e ficou com a taça. O título ainda garantiu uma vaga direta para a Copa do Brasil de 2022.

“O clube conseguiu manter uma boa base do Paulistão e a gente iniciou muito bem a Série C. A forma como foi mostra que o clube e o nosso trabalho de forma geral está seguindo um caminho bastante interessante”, ressalta Léo Condé, técnico da equipe desde o início do ano.

Entre os principais destaques do atual elenco estão o veterano goleiro Giovanni, ex-Atlético-MG, e os zagueiros Bruno Aguiar, ex-Santos, e Edson Silva, ex-São Paulo.

“Para mim está sendo maravilhoso trabalhar com jogadores com mais experiência e que dividem essa responsabilidade comigo. É importante o clube ter alguns pilares, isso reflete no aproveitamento da equipe”, afirma Bruno Aguiar, de 35 anos, que, entre outros títulos, participou da conquista da Libertadores de 2011 pelo Santos.

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O jovem meia Barba, formado na base do Novorizontino e um dos destaques do time profissional
O jovem meia Barba, formado na base do Novorizontino e um dos destaques do time profissional Guilherme Videira/Divulgação

“Aqui trabalhamos com metas. A primeira era ficar na Série C. Agora é conquistar o acesso e, se tudo der certo, brigar pela taça da competição”, destaca o defensor.

O artilheiro, com cinco gols marcados na terceira divisão nacional, e uma das referências do elenco é o atacante Guilherme Queiróz, 31 anos, que coleciona passagens por clubes tradicionais como Figueirense, Juventude, Santa Cruz e Portuguesa. No time do Canindé, inclusive, foi o artilheiro da Série de 2015, quando a Lusa bateu na trave e caiu nas quartas de final.

“Meu objetivo individual é fazer gols para ser o artilheiro da Série C, mas o mais importante é conseguir ajudar a equipe a conquistar vitórias para subirmos de divisão”, destaca Queiróz, que nasceu em Novo Horizonte. “Pensamos em uma coisa de cada vez, mas é possível sonhar com o título”, afirma.

Uma das principais revelações do estadual neste ano e formado na base do clube do interior paulista, Barba, de apenas 22 anos, destaca a importância de conviver com nomes mais experientes.

“Para mim está sendo uma experiência incrível, aprendendo muito com o grupo já que temos jogadores que passaram por grandes clubes. O mais importante foi o time ter mantido a maior parte dos jogadores desde o começo do ano e o Léo [Condé], tem dado muito certo”, destaca Barba.

O atacante Guilherme Queiróz, do Novorizontino
Guilherme Queiróz, atacante e artilheiro da Série C, com 5 gols Guilherme Videira/Divulgação

O treinador do Novorizontino afirma que agora é importante levar os aprendizados da primeira fase para alcançar o objetivo do acesso. “Zera tudo agora. Vamos ter praticamente um mini campeonato em que o grau de competitividade vai ser muito elevado”, enfatiza Léo Condé.

A segunda fase da Série C conta com dois grupos com quatro clubes cada, denominadas C e D, de pontos corridos. Os líderes de cada chave ao fim da fase farão a final da terceira divisão disputando o título. Os segundos colocados sobem para a Série B, enquanto os terceiros e quartos permanecem na Terceirona. O Novorizontino finaliza a fase contra o Manaus no dia 6 de novembro.

Presidente estudioso

No comando do clube praticamente desde a sua fundação, Genilson da Rocha Santos, 49 anos, coleciona grandes feitos pelo Novorizontino. Mas a história do atual mandatário tem um início diferente.

Quando era jogador de futebol, o então meia foi assinar seu primeiro contrato profissional com o antigo Grêmio Esportivo Novorizontino e se reuniu com o presidente Jorge Ismael de Biasi, empresário responsável por profissionalizar o clube e construir o estádio, que o clube joga até hoje, com recursos próprios.

Frente a frente com o patrono do clube, Genilson pediu um carro para assinar seu contrato. “Foi quando o Dr. Jorge pediu para que eu pensasse e fizesse uma escolha melhor. Dentro dessas escolhas, a primeira que me veio à cabeça foi cursar uma faculdade, algo que nenhum dos meus irmãos tinha feito e que deixaria meu pais orgulhosos”, relembra.

Genilson da Rocha Santos, presidente do Novorizontino
Genilson da Rocha Santos, ex-jogador presidente do Novorizontino André Bastos/Divulgação

“Então pedi ao presidente que gostaria de ganhar o curso. Muito alegre, ele se levantou da cadeira, me deu parabéns, desejou boa sorte e falou: ‘Até hoje nenhum atleta havia pedido isso para mim’. Foi uma das melhores escolhas da minha vida e sou muito grato ao Dr. Jorge pela oportunidades”, ressalta.

Genilson então dividiu os gramados com as salas de aula do curso de Educação Física durante quatro anos. Depois de se aposentar das quatro linhas, em 2004, foi professor e chegou a ser diretor de escola. Até que recebeu o convite para comandar o atual Novorizontino.

“Eu costumo dizer que ele pressentia que eu pudesse ser útil para a instituição. Hoje a forma com que nós fazemos a gestão desse novo clube é muito espelhada no Dr. Jorge, principalmente na forma como ele via o ser humano. Sou muito grato. É uma alegria imensa estar presidindo o Novorizontino”, ressalta o ex-jogador.

Atualmente, o estádio e o centro de treinamento usados pelo atual Novorizontino foram cedidos pelos herdeiros do patrono do clube e uma das empresas da família Biasi patrocina o time.

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