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Coincidência? Especialistas debatem o excesso de gols contra na Euro

Ex-árbitros e o ex-zagueiro Mauro Galvão analisam os lances e citam mudanças nas regras e infelicidades; competição já registou nove bolas na própria rede

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 23 set 2021, 19h03 - Publicado em 30 jun 2021, 11h49

Além de estar sendo palco de jogos históricos e diversas zebras, a Eurocopa deste ano vem registrando uma particularidade: um número recorde de gols contra. As súmulas já registraram nove bolas na própria rede, igualando em apenas uma edição o mesmo número de todas as outras 16 desde a criação do torneio, em 1960. A pedido de PLACAR, os ex-árbitros Arnaldo Cezar Coelho e Salvio Spínola e o ex-zagueiro Mauro Galvão tentaram entender as razões de tantos gols contra.

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Curiosamente, esta edição foi justamente aberta com um tento marcado contra o próprio patrimônio, por Merih Demiral, da Turquia, em jogo contra a Itália, no jogo de estreia, em Roma, após um cruzamento rasteiro e uma tentativa infeliz de corte do zagueiro turco. Outros quatro gols contra no campeonato tiveram um enredo parecido: cruzamento forte e baixo e interceptação errada do defensor (confira na tabela abaixo).

No futebol atual, existe a tendência de que, sem bola, em momento de organização ofensiva, os times fechem o centro de maneira compacta. Assim, o time que ataca, explora as laterais em muitas ocasiões. O ex-zagueiro Mauro Galvão, tetracampeão brasileiro e jogador de duas Copas do Mundo (1986 e 1990) comentou sobre o tema: “No futebol de hoje acontece que, às vezes, o zagueiro precisa correr contra o próprio gol e interceptar um cruzamento. Assim, pode acabar em infelicidade, como alguns que vi nesta Eurocopa.”.

Mbappé celebra gol contra de Mats Hummels ao lado do goleiro Neuer, em Munique
Mbappé celebra gol contra de Mats Hummels ao lado do goleiro Neuer, em Munique Matthias Hangst/Getty Images

Além disso, em modelos de jogo com muita pressão alta na defesa, os zagueiros e goleiros são mais exigidos com a posse da bola. Nas oitavas de final, em Espanha x Croácia, Pedri recuou a bola para o goleiro Unai Simón, que ‘furou’ o domínio e La Roja acabou marcando contra. “O objetivo sempre é fazer gol e não atrasar pro goleiro e para o zagueiro. Ficar com 70% de posse de bola e não chutar no gol não adianta nada. É minha opinião. Cada um tem que jogar como sabe, o grosso não pode ser ensinado a ser bom. Se você, defensor, sabe sair jogando, aí é bom. Mas se não sabe, bola pra frente.”, completou o ex-zagueiro sobre a maior utilização de defensores na manutenção da posse de bola.

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O número recorde de bolas na própria rede também pode ser explicado por orientações na regra. A Uefa, entidade responsável pela Eurocopa, decidiu adotar como gol contra lances em que a bola acerta a trave, rebate no goleiro e cruza as linhas. Dois dos noves gols aconteceram assim.

Sobre a mudança na regra, o ex-árbitro e ex-comentarista Arnaldo Cezar Coelho afirmou: “Isso, com certeza, superfatura os números. Mas, pra mim, isso é injusto com o goleiro e com o jogador que chutou a bola, porque praticamente tira o mérito.”, disse Arnaldo. Tese semelhante foi adotada por Salvio Spínola, ex-árbitro e comentarista do Grupo Globo, que citou a orientação da Uefa como fator crucial.

Perguntado sobre uma possível influência da proibição dos goleiros pegarem recuos com as mãos, Salvio ressaltou: “A mudança na regra é antiga, do início da década de 90, não acho que tenha influência direta”.

Como foram os gols contra da Euro 2020:

– Merih Demiral, da Turquia, falhou ao tentar um corte após cruzamento rasteiro contra a Itália
– Mats Hummels, da Alemanha, falhou ao tentar um corte após cruzamento rasteiro contra a França
– Wojciech Szczesny, goleiro da Polônia, teve um gol contra assinalado após a bola bater na trave e rebater nele, contra a Eslováquia
– Rúben Dias, de Portugal, tentou cortar cruzamento da Alemanha, mas marcou contra
– Raphael Guerreiro, assim como seu companheiro Rúben Dias, tentou cortar cruzamento da Alemanha, mas balançou a própria rede
– Lukas Hradecky, goleiro da Finlândia, marcou contra após bate-rebate entre ele e a trave, contra a Bélgica
– Juraj Kucka, Eslováquia, após confusão na pequena área, marcou contra, em jogo contra a Espanha
– Martin Dúbravka, goleiro eslovaco, tentou jogar a bola por cima do gol, mas falhou e marcou contra o próprio patrimônio contra a Espanha
– Pedri, da Espanha, marcou depois que o goleiro Unai Simon ‘furou’ um recuo contra a Croácia

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