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Clubes da Premier aprovam regra para frear donos sauditas do Newcastle

Em reunião de emergência, 18 clubes votaram pela suspensão de patrocínios ligados a proprietários das equipes; Manchester City se absteve

Por Da Redação Atualizado em 20 out 2021, 10h24 - Publicado em 19 out 2021, 13h25

A compra do Newcastle, clube da elite inglesa, por parte de um fundo de investimentos da Arábia Saudita, administrado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, segue dando o que falar no Reino Unido. Em reunião emergencial realizada na última segunda-feira, 19, 18 das 20 equipes da Premier League votaram a favor de impedir temporariamente que os integrantes da liga inglesa fechem acordos de patrocínio com empresas que possuem laços com os próprios proprietários. As informações são do jornal local The Guardian.

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O Newcastle, recém-comprado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), foi o único a votar contra a medida, enquanto o Manchester City, que mantém laços com o governo dos Emirados Árabes Unidos, se absteve. A medida temporária será válida por um mês, mas uma proibição permanente deverá ser discutida em breve.

Com isso, Newcastle não poderá assinar acordos de patrocínio com empresas vinculadas ao PIF, que é detentor de 80% do clube e possui ativos de cerca de centenas de bilhões de libras, que fazem dele uma das equipes mais ricas do planeta. Apoiado por 93% da torcida, o aporte financeiro com origem saudita levanta uma série de contestações extracampo, em razão das denúncias de crimes contra os direitos humanos cometidos pelo governo da Arábia Saudita, que mantém relações familiares com os donos do consórcio.

Príncipe saudita Mohammed Bin Salman, novo dono do Newcastle, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na abertura da Copa de 2018
Príncipe saudita Mohammed Bin Salman, novo dono do Newcastle, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na abertura da Copa de 2018 Alexei Druzhinin//TASS/Getty Images

Segundo o Guardian, os clubes da Premier League estão preocupados com a possibilidade de os proprietários sauditas do Newcastle fecharem negócios no reino rico em petróleo, o que poderia lhes dar uma vantagem. Os clubes querem que medidas preventivas sejam postas em prática para evitar isso ou garantir que o valor justo de mercado seja pago.

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Outros grandes diversos grandes times da Europa possuem acordos de patrocínio com empresas vinculadas aos próprios donos. É o caso do Manchester City, que pertence à empresa de investimentos Abu Dhabi United Group, da família real, e é patrocinado pela Etihad, uma companhia aérea estatal.

As negociações pela compra do Newcastle se iniciaram ainda em 2020, mas acabaram interrompidas diante de um cenário de denúncias sobre pirataria das transmissões de jogos do campeonato e violação de direitos humanos no país árabe. Na ocasião, em entrevista ao jornal The Times, os investidores acusaram a organização do campeonato e alguns de seus clubes de ter dificultado as negociações. A liga passou quatro meses avaliando a proposta.

A aquisição foi consolidada após a retomada das negociações motivada por um acordo entre os sauditas e a rede beIN Sport, de propriedade do Catar e, até então, proibida de operar na Arábia Saudita. A emissora detém os direitos de transmissão dos jogos da liga no Oriente Médio.

O Newcastle pertencia ao magnata inglês Mike Ashley desde 2017. O cartola já havia exposto o desejo de vender o Newcastle em 2018, após 10 anos de administração e relações conturbadas com os fervorosos torcedores do time, que protestaram inúmeras vezes contra a falta de investimento de seu proprietário.

O clube foi fundado em 1892 e é um dos mais tradicionais da Inglaterra, mas após o tetracampeonato inglês, em 1927, e o hexacampeonato da Copa da Inglaterra, em 1955, decaiu. Sob a direção de Ashley, o Newcastle foi rebaixado duas vezes, em 2009 e 2016.

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