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Caso Emiliano Sala: piloto não tinha permissão para voar, diz relatório

David Ibbotson e o atacante argentino morreram no acidente ocorrido no Canal da Mancha, em janeiro do ano passado

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 22h45 - Publicado em 13 mar 2020, 12h10

David Ibbotson, o piloto do avião que transportava o jogador argentino Emiliano Sala no acidente fatal ocorrido em 21 de janeiro de 2019, não tinha licença para realizar aquele tipo de voo, concluiu um relatório oficial divulgado nesta sexta-feira, 13, segundo informações de diários ingleses como o The Guardian. Ibbotson e Sala morreram no acidente ocorrido no Canal da Mancha, em voo que ia da cidade francesa de Nantes até Cardiff, a capital do País de Gales. 

A Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido informou que Ibbotson não havia completado o treinamento de vôo noturno e sua licença de piloto particular não permitia que ele fosse pago para transportar passageiros. Além disso, sua licença para pilotar monomotores havia expirado três meses antes do acidente.

Os investigadores concluíram ainda que esses voos não licenciados costumavam ocorrer no mundo do esporte, negócios e lazer. “Os regulamentos sob os quais a aeronave foi operada e mantida permitiam que ela fosse usada apenas para uso privado. Nenhuma permissão foi solicitada ou concedida para permitir que a aeronave fosse operada comercialmente”, informou o relatório.

Sala, então com 28 anos, havia viajava em um monomotor rumo ao País Gales para concluir sua transferência do Nantes para o Cardiff. Após a tragédia, os clubes entraram em disputa judicial em razão dos 15 milhões de libras (cerca de 72 milhões de reais, na época), valor da transferência. O clube galês alega que a venda não foi concluída e, portanto, não deveria nada ao Nantes. O corpo de Sala foi encontrado duas semanas depois. Já o corpo de Ibbotson, então com 59 anos, jamais foi achado.

O documento apontou que Ibbotson ouviu um “estrondo” durante o primeiro voo que fez, para buscar Sala em Nantes, e percebeu que havia névoa, mas pode ter “se sentido pressionado a realizar o voo até Cardiff, apesar das condições adversas. Os investigadores acreditam que uma falha no tubo de escape fez com a cabine do piloto fosse invadida por monóxido de carbono, o que teria “envenenado” Ibbotson. A agência diz ainda que o avião não possuía um monitor de monóxido de carbono, que custa menos de 15 libras (cerca de 88 reais pela cotação atual).

O relatório conclui ainda que no momento da queda Ibbotson provavelmente estava manobrando para evitar o mau tempo e perdeu o controle da aeronave durante uma curva realizada manualmente. O avião entrou na água de cabeça para baixo.  A Autoridade de Aviação Civil informou que está investigando questões, como a identidade de quem contratou Ibbotson para voar com Sala.

A Agência de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB) divulga imagem de destroços da aeronave no fundo do Canal da Mancha que transportava o jogador Emiliano Sala e o piloto David Ibbotson – 04/02/2019 AAIB/Twitter
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