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Brusque recua e pede desculpas a Celsinho por ato racista

Clube catarinense reconheceu erro e pediu desculpas ao atleta, a torcedores e patrocinadores por “posicionamento equivocado” em primeira nota sobre o caso

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 17h24 - Publicado em 30 ago 2021, 17h15

O presidente do Brusque, Danilo Rezini, publicou na tarde desta segunda-feira, 30, um pedido de desculpas ao meio-campista Celsinho, do Londrina, após o clube dizer que o jogador fez “falsa imputação de crime” quando informou ter sido vítima de racismo por um dirigente do clube catarinense no jogo entre as equipes no último sábado, 28. A carta reconhece o erro do conteúdo anterior, viralizado e alvo de severas críticas nas redes sociais. O clube diz que “tomará medidas cabíveis” para apurar os fatos.

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“O Brusque Futebol Clube diante do ocorrido vem respeitosamente pedir desculpas ao atleta Celso Honorato Junior pelo transtorno causado a sua pessoa, a nossa torcida, simpatizantes, patrocinadores e imprensa devido ao nosso posicionamento equivocado”, disse no início.

“Esperamos que entendam esse momento infeliz que estamos vivendo, cabe a nós, humildemente reconhecer o erro da nota anterior e pedir desculpas mais uma vez ao atleta Celsinho e a compreensão de todos”, completa em outro trecho. O clube ainda diz ser contra “qualquer tipo de discriminação causada por diferenças ideológicas, crença, raça ou gênero”.

Procurado pela PLACAR, Celsinho optou por ainda não se pronunciar sobre o caso. O jogador, dirigentes do clube e integrantes do departamento jurídico se reuniram durante a tarde para definir uma possível ação judicial.

“O Londrina Esporte Clube após reunião realizada com o atleta nesta tarde, colocou, novamente, todo o seu departamento jurídico à disposição do mesmo e também tomará as medidas cabíveis contra a equipe catarinense e o responsável pelo ato, principalmente, nas esferas criminal, cível e desportiva, tendo em vista que há o amparo legal perante o Judiciário Brasileiro e a Justiça Desportiva para punir atos repugnantes como este, a fim de não serem mais praticados”, disse, também em nota.

Na nota, o Londrina manifestou “repleto repúdio e consternação quanto aos atos de racismo que vêm sendo reiteradamente praticados” contra o jogador e criticou a postura do Brusque: “É lamentável, inadmissível, a postura do Brusque Futebol Clube diante desta situação!! O fato ocorreu, é certo! Há diversas testemunhas que presenciaram a injúria racial citada! É absurdo que a referida entidade de prática desportiva desvirtue a gravidade dos fatos, tentando ainda terceirizar a responsabilidade para a vítima”.

O clube ainda lembrou que diversos atletas do clube catarinense fizeram menções ao caso nas redes sociais, prestando solidariedade e apoio a Celsinho. A denúncia do jogador foi registrada na súmula pelo árbitro da partida, Fábio Augusto Santos Sá Junior. Segundo o texto, um integrante do clube disse a Celsinho: “vai cortar esse cabelo seu cachopa de abelha”.

A primeira manifestação oficial do Brusque negou qualquer tipo de racismo e ainda mencionou que “o jogador é conhecido por se envolver neste tipo de episódio”, explicando que ainda tomaria medidas cabíveis contra o próprio atleta.

“Não sei se ele faz parte da comissão técnica, da diretoria, um senhor de vermelho no camarote. Também não entendo por que tem tantas pessoas assim em um protocolo que não estão liberados os jogos para os torcedores. É lamentável. Uma equipe de porte médio baixo recém-promovida à Série B de Brasileiro estar cometendo um ato desses é inadmissível, mas as providências serão tomadas”, disse o jogador ao vivo, em entrevista ao Sportv.

Esse não é o primeiro episódio relatado por Celsinho durante a disputa da Série B. Três profissionais de rádio, dois deles da Rádio Bandeirantes de Goiânia, e um da Rádio Clube do Pará, também usaram falas racistas como: “cabelo pesado”, “bandeira de feijão”, “negócio imundo” e “cabelo de ninho de cupim” para se referir ao jogador. Todos pediram desculpas e foram afastados pelas empresas.

Na competição, os jogadores do Londrina já ajoelharam e cerraram os punhos em protesto antirracista e apoio ao companheiro de equipe.

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