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Boicote: europeus ameaçam deixar a Fifa em caso de Copa bienal

Encabeçada por confederações nórdicas como Dinamarca, Suécia e Noruega, possível manifestação contrária visa impedir a redução do intervalo entre mundiais

Por Da Redação Atualizado em 20 out 2021, 10h18 - Publicado em 20 out 2021, 10h13

A ideia de reduzir o intervalo entre Copas do Mundo para dois anos está causando manifestações contrárias no mundo do futebol. Idealizada por Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global da Fifa, a mudança foi apoiada pelo presidente da entidade Gianni Infantino, mas mal recebida por clubes, alguns ex-jogadores e confederações nacionais. Na Uefa, seleções nórdicas como Suécia, Noruega e Dinamarca encabeçam um boicote e ameaçam deixar a federação internacional caso o mundial passe a ser bienal.

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Segundo informações da Associated Press, mais de doze confederações europeias fazem parte do possível boicote. Amparadas pelo regulamento da Fifa, que prevê como legal a saída da entidade, as seleções não enfrentam oposição da Uefa, que também não apoia a mudança pensada por Infantino.

Em declaração conjunta das confederações da Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia e Ilhas Faroe, a manifestação foi clara: “Se uma maioria na Fifa decidir adotar a proposta dos Mundiais bienais, as associações nórdicas de futebol devem considerar mais ações e cenários mais próximos de nossos valores”.

Além de entidades, dois campeões mundiais, no entanto, mantiveram firme posição contrária nesta semana: o alemão Philipp Lahm, campeão em 2014, e o francês Thierry Henry, vencedor em 1998.

Philipp Lahm em ação pela Alemanha na Copa de 2006 -
Philipp Lahm em ação pela Alemanha na Copa de 2006 – Bongarts/Getty Images/VEJA
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Em sua coluna no diário britânico The Guardian, intitulada “Uma Copa a cada dois anos finalmente mataria a galinha dos ovos de ouro do futebol”, Lahm criticou a ideia de reduzir o intervalo, assumindo uma postura rara entre importantes ex-jogadores, que, por boa relação com a Fifa, se posicionaram à favor da mudança, como os brasileiros Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu, o holandês Clarence Seeford e o português Luís Figo.

“Muito futebol afetaria os torcedores. Os principais torneios estão ancorados em suas memórias; eles moldam muitas biografias. Os gregos puderam se intitular campeões europeus por quatro anos, de 2004 a 2008, os portugueses por cinco e os espanhóis por oito. De 2014 a 2018, a Alemanha ocupou o primeiro lugar no mundo. Acelerar o ciclo tornaria muitas experiências e memórias substituíveis. Um torneio anual seria como um canal de mídia social adicional em seu telefone ou outro aplicativo de streaming.”

O ex-jogador do Bayern de Munique usou exemplos de sua própria carreira para justificar o porquê da Copa do Mundo a cada dois anos ser prejudicial para todos os âmbitos do esporte: “Futebol demais também afetaria os jogadores. ‘Se você joga isso a cada dois anos, mentalmente é difícil’, disse Thierry Henry, que jogou em sete torneios pela França, sobre a ideia de Infantino. ‘Eu saí deles mentalmente despedaçado.’ O que ele quis dizer é: jogar por uma seleção nacional é um trabalho especial”. Usando como exemplo Henry, também contra à mudança, Lahm ainda comparou a situação a seus momentos e decisões de carreira.

Infantino busca ganhar apoiadores para projeto de Copa bienal -
Infantino busca ganhar apoiadores para projeto de Copa bienal – Alexei Druzhinin//TASS/Getty Images

Gianni Infantino segue seu tour pela América do Sul tentando angariar apoio à ideia da Copa bienal. Em Buenos Aires, na última segunda-feira, 18, ele defendeu que a mudança traria “competitividade de alto nível, mais esperança e emoção e mais possibilidades para o mundo todo organizar uma Copa”.

Em setembro, a entidade encomendou uma pesquisa, realizada em julho pelas empresas IRIS e YouGov, mostrando que a maioria das pessoas é a favor da realização da Copa do Mundo a cada dois anos. O presidente da Uefa, o esloveno Aleksander Ceferín, é um dos principais críticos da proposta da Fifa.

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