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Ambicioso, Athletico Paranaense busca o seu 7º título em seis anos

Novamente na final da Sul-Americana, clube paranaense se acostumou a brigar por grandes conquistas nos últimos anos e quer reconhecimento como grande

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 19 nov 2021, 12h13 - Publicado em 19 nov 2021, 11h32

De “patinho feio” a protagonista, a frase que pode definir a década do Athletico Paranaense. De um clube com projeto e estrutura, mas rebaixado em 2011, o Furacão se tornou um dos grandes do país ao entrar, definitivamente, nos eixos e colher o plantio de um projeto iniciado nos anos 90. Hoje, a equipe da capital paranaense é finalista da Sul-Americana – que acontece neste sábado, 20, contra o Red Bull Bragantino, no estádio Centenário, em Montevidéu – e está a uma vitória de levantar o sétimo título em um espaço de seis temporadas, sendo três deles nacionais ou continentais.

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O nascimento

Fundado em 1924 após fusão entre o International Football Club e o América Futebol Clube, o Club Athletico Paranaense (grafia original) escreveu seus primeiros passos com certa relevância no cenário do Paraná. Em uma era na qual os campeonatos estaduais tinham grande peso, o “novato” venceu nove títulos paranaenses em 25 anos de vida e, pelo time que não deu chance para adversários em 1949, foi apelidado de “Furacão” pelos jornais locais. Alcunha que pegou.

Sicupira, que morreu no último dia 7, é um dos maiores ídolos do Athletico -
Sicupira, que morreu no último dia 7, é um dos maiores ídolos do Athletico – Miguel Locatelli/Divulgação

Passou o embalo. Depois, participações tímidas na Taça Brasil (correspondente da época à elite do futebol brasileiro) e queda para a segunda divisão. Em meio a isso, raras montagens de times competitivos e a presença de jogadores relevantes no elenco, como o de 1968, que contava com Djalma Santos e Bellini, campeões mundiais em 1962 com a seleção brasileira, além de Sicupira (1944-1921), maior artilheiro do Rubro-Negro, com 157 gols. Ainda em 1983, o Athletico fez uma boa temporada com o “casal 20”, apelido para a dupla de ataque formada Washington e Assis, ficando com o terceiro lugar do Campeonato Brasileiro. Nada que mudasse o “status” do clube.

A revolução

Em 1995, o Athletico amargurava cinco anos sem vencer um título estadual, jogava a segunda divisão nacional e era derrotado frequentemente por seu maior rival, o Coritiba. Assim, uma diretoria assumiu as rédeas do clube com o intuito de modernizar o que vinha sendo feito. Foram aí que os holofotes viraram para Mário Celso Petraglia, o responsável pela reconstrução de um tradicional clube, a começar pela construção de um novo estádio, a Arena da Baixada, um centro de treinamento moderno, o CT do Caju e a mudança do escudo, que, na época, foi modelado em círculo, mantendo a tradicional sigla CAP e as cores vermelha e preta.

Campeão da Série B em 1995 sobre o Coritiba, o Athletico voltou à elite do futebol brasileiro. Em 2001, já com a força de sua torcida no novo estádio, colhendo frutos de uma estrutura moderno e um time que contava com Alex Mineiro, ídolo do clube, e Kléberson, campeão da Copa do Mundo com o Brasil no ano seguinte, o Furacão foi Campeão Brasileiro. Em um recorte curto, naquele início de século, o time paranaense ainda foi vice do mesmo Brasileirão, em 2004, e da Libertadores, em 2005, ao perder para o São Paulo, que seria campeão mundial, na final. Porém, a moderna e admirável gestão também errou. Sem Petraglia desde 2008, em 2011, após 16 anos consecutivos na elite, o time da capital do Paraná foi rebaixado para a Série B.

Arena da Baixada, um dos estádios mais modernos do país -
Arena da Baixada, um dos estádios mais modernos do país – Athletico/Divulgação
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A figura de Petraglia voltou em 2012 e comandou a diretoria no retorno à Série A. Com o estádio reformado para a Copa do Mundo de 2014 disputada no Brasil, o Athletico passou a ter o primeiro – e único – estádio do país com teto retrátil, o que bem reflete a estruturação moderna do clube. Intensificando uma gestão esportiva, o “modus operandi” para a montagem do elenco se tornou a aposta em jogadores formados no CT do Caju mesclado à contratação de atletas em fase final de formação, sem perder atenção nas oportunidades de mercado. Sem estourar teto de gastos. Nesse sentido, o Rubro-Negro formou, revelou e colheu frutos esportivos e financeiros com diversos atletas nesta década, como Marcelo Cirino, Otávio, Léo Pereira, Renan Lodi, Bruno Guimarães, Rony e Pablo.

A consolidação

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. Arte/Placar

A imagem de um clube responsável financeiramente e preocupado com a infraestrutura conduziu a uma imposição no cenário estadual – venceu quatro das últimas seis edições do Campeonato Paranaense -, mas, principalmente, a voos ainda mais altos com conquistas inéditas. Segundo o SportsValue, o clube tem hoje uma dívida de aproximadamente 200 milhões de reais, quase 100 milhões de reais a menos do que o rival Coritiba e 1 bilhão de reais a menos que o Atlético Mineiro, clube mais devedor.

Foi em 2018, sob comando de Tiago Nunes, que uma equipe repleta de jogadores que despontavam para o futebol, como Santos, Léo Pereira, Renan Lodi, Bruno Guimarães, Raphael Veiga e Pablo, encantou a América do Sul. Contando com os destaques consolidados Thiago Heleno, zagueiro do clube há anos, Lucho González, argentino veterano contratado em oportunidade de mercado e Nikão, atleta identificado e ídolo da torcida, o Athletico venceu a Copa Sul-Americana sobre o Junior Barranquilla, o primeiro título internacional da história do clube.

Em 2018, Athletico tinha Léo Pereira e Pablo no elenco -
Em 2018, Athletico tinha Léo Pereira e Pablo no elenco – Gabriel Aponte/Getty Images
Em 2018, Athletico tinha Léo Pereira e Pablo no elenco -
O técnico do Athletico-PR Tiago Nunes durante a segunda partida da final da Copa do Brasil contra o Internacional – Lucas Uebel/Getty Images/Getty Images

Para o ano seguinte, a diretoria conseguiu manter a base e lucrar com vendas. A identidade visual também era outra. O escudo foi modernizado, o nome passou de Atlético para Athletico, resgantando as origens, e o apelido Furacão foi vendido com mais ênfase. Com a chegada do atacante argentino Marco Rúben, o Athletico se tornou uma potência ofensiva naquela temporada e a saída de Pablo, vendido ao São Paulo, foi suprida também pela consolidação de Rony, que na época tinha 23 anos e estava em fase final de formação. Desse modo, mais um título, a Copa do Brasil, batendo o Internacional, com vitória nos dois jogos da decisão.

Naturalmente, segurar todos os atletas presentes nos dois anos gloriosos foi uma tarefa impossível, o que gerou um 2020 de reconstrução do elenco. Contudo, para 2021, a fórmula de sucesso foi a mesma – e o resultado também. Jovens atletas foram comprados, como David Terans e Matheus Babi, promessas da base foram utilizadas, como Abner, e algumas referências foram mantidas, como Thiago Heleno e Nikão. Assim, apesar de um Brasileirão instável, o Furacão foi avassalador na Copa Sul-Americana, chegando à final contra o Red Bull Bragantino, e na Copa do Brasil o título também pode ser alcançado após chegar à decisão embalado, com direito a 3 a 0 no Flamengo, no jogo de volta da semifinal, em pleno Maracanã.

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