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LaLiga denuncia City e PSG por supostas infrações ao fair play financeiro

Na esteira de negociações com Haaland e Mbappé, liga espanhola informou que buscará medidas legais contra o que chamou de "clubes-estado"

Por Da redação Atualizado em 17 jun 2022, 15h29 - Publicado em 15 jun 2022, 16h14

LaLiga, a liga espanhola de futebol, apresentou nesta quarta-feira, 15, uma denúncia à Uefa contra o Paris Saint-Germain e o Manchester City, por suposto “financiamento irregular”. Em comunicado, a entidade presidida por Javier Tebas alegou que os concorrentes são “clubes-estado” e têm frequentemente violado os regulamentos do chamado fair play financeiro.

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“LaLiga considera que essas práticas alteram o ecossistema e a sustentabilidade do futebol, prejudicam todos os clubes e ligas europeias e servem apenas para inflar artificialmente o mercado, com dinheiro não gerado no próprio futebol”, diz trecho da nota.

Os dirigentes espanhóis alegam que City e PSG são mantidos por governos árabes, o que configuraria uma trapaça nas normas. “LaLiga entende que o financiamento irregular desses clubes é realizado seja por meio de injeções diretas de dinheiro ou por meio de patrocínios e outros contratos que não correspondem às condições de mercado ou fazem sentido econômico”, diz a nota.

O clube de Paris é presidido por Nasser Al-Khelaifi, CEO da empresa QSI, um fundo de investimentos ligado à família real do Catar. Já o detentor do clube inglês é o City Football Group, empresa que tem como matriz o Abu Dhabi United Group, dos Emirados Árabes Unidos.

Na época em que o Real Madrid, que já tinha um acordo apalavrado com o atacante Kyllian Mbappé, teve de desistir da contração, pois o PSG fez uma contraproposta muito acima da média do mercado, o presidente da Liga, Javier Tebas, disse que a manobra era um “insulto ao futebol”.

A Liga também protestou em abril contra a contratação do astro norueguês Erling Haaland, que trocou o Borussia Dortmund pelo Manchester City por 60 milhões de euros (mais de 320 milhões pela cotação atual), e receberá um salário de 375.000 libras (cerca de 2 milhões de reais) por semana. 

LaLiga informou que vai buscar medidas legais junto à União Europeia e à Justiça da França e da Suíça, além de estar “estudando diferentes opções de representação devido a possíveis conflitos de interesse de Nasser Al-Khelaifi decorrentes de suas diferentes funções no Paris Saint-Germain, na Uefa, na ECA (Associação de Clubes Europeus) e na BeIN Sports (rede de televisão do Catar)”. As consequências para os dois clubes podem vir a acarretar sanções esportivas e econômicas.

O que é o fair play financeiro?

De acordo com a definição da Uefa, o fair play financeiro (FFP, na sigla em inglês) “visa melhorar a saúde financeira global do futebol europeu de clubes”. Foi aprovado em 2010 e entrou em funcionamento no ano seguinte. Desde então, os clubes que se qualificam para as competições da Uefa têm de provar que não tem dívidas em atraso em relação a outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais. Em suma: têm de provar que pagam suas contas.

A partir de 2013 os clubes passaram a ter de respeitar uma gestão equilibrada em “break-even”, que por princípio significa que não gastam mais do que ganham, restringindo a acumulação de dívidas. Para avaliar estas questões, o Comitê de Controle Financeiro dos Clubes da UEFA (CFCB) analisa as contas consolidadas dos clubes participantes das competições europeias.

A princípio, a Uefa permitiu que os clubes tivessem, no máximo, 5 milhões de euros de déficit a cada três temporadas. Em 2015, a entidade ampliou o limite para 30 milhões de euros, que poderiam ser pagos com fundos particulares do proprietário do clube. Os dirigentes europeus abriram ainda mais uma brecha: caso comprovem a existência de um plano de negócios plausível para sanar suas dívidas, os clubes podem romper o limite de 30 milhões – uma medida mais voltada a clubes pequenos.

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Outra norma, que se aplica diretamente aos casos de Manchester City e PSG, diz respeito à participação de empresas ligadas aos donos de um clube, cujo aporte não pode representar mais de 30% das receitas totais.

‘Dribles’ na regra –  Há anos, no entanto, a Europa debate as manobras adotadas por clubes endinheirados para burlar o regulamento. A principal delas diz respeito aos contratos de patrocínio Em 2020, o Manchester City foi punido depois que e-mails e documentos vazados indicaram que foi o próprio dono do clube, o xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, da família que governa os Emirados Árabes Unidos, que financiou a maior parcela do montante recebido pelo clube inglês em troca de um pedaço de seu uniforme.

Um dos e-mails sugere que a empresa aérea Etihad, que estampa sua marca na camisa do City, foi responsável por apenas 8 milhões dos 67,5 milhões de libras a título de patrocínio para o clube. O restante teria sido financiado pela empresa de Mansour, o Abu Dhabi United Group, o que é ilegal de acordo com as normas da Uefa.

Neymar e Mbappe
Neymar e Mbappé, contratados em 2017, de forma “criativa” Benoit Tessier/Creative Commons

Já o PSG é constantemente acusado de manobrar nas contas para não levantar suspeitas. Em 2017, o clube fechou a contratação mais cara da história do futebol (222 milhões de euros para tirar Neymar do Barcelona) de forma “criativa”. O governo do Catar contratou o astro brasileiro para ser embaixador da Copa do Mundo de 2022. O pagamento foi suficiente para que Neymar pagasse, “do próprio bolso”, a multa rescisória com o clube catalão, livrando o PSG de ter que responder pelos gastos.

No mesmo ano, o PSG voltou a “pedalar” para contar com o atacante francês Kylian Mbappé. Ele chegou por empréstimo junto ao Monaco, mas com um cláusula que obrigava o time de Paris a comprá-lo na temporada seguinte por 180 milhões de euros. 

Confira a nota de LaLiga na íntegra:

“LaLiga apresentou esta semana uma queixa à Uefa contra o PSG, que se juntará a outra contra o Manchester City de abril, por entender que esses clubes estão violando continuamente os atuais regulamentos de fair play financeiro. LaLiga considera que essas práticas alteram o ecossistema e a sustentabilidade do futebol, prejudicam todos os clubes e ligas europeias e servem apenas para inflar artificialmente o mercado, com dinheiro não gerado no próprio futebol.

LaLiga entende que o financiamento irregular desses clubes é realizado seja por meio de injeções diretas de dinheiro ou por meio de patrocínios e outros contratos que não correspondem às condições de mercado ou fazem sentido econômico.

As reclamações contra o Manchester City perante a Uefa foram feitas em abril e nesta última semana foi apresentada a correspondente ao PSG, embora não seja descartado que nos próximos dias sejam feitas prorrogações de algumas dessas denúncias com as contribuições de novos dados .

Adicionalmente, LaLiga contratou escritórios de advocacia na França e na Suíça, incluindo o escritório francês do advogado Juan Branco, com o objetivo de empreender ações administrativas e judiciais perante os órgãos competentes franceses e perante a União Européia o mais rápido possível.
Na Suíça, LaLiga está estudando diferentes opções de representação devido a possíveis conflitos de interesse de Nasser Al-Khelaifi decorrentes de suas diferentes funções no PSG, na Uefa, ECA e BeIN Sports.

Não é a primeira vez que LaLiga denuncia estas práticas anticompetitivas perante a UEFA. A organização espanhola sempre liderou a defesa do controle econômico. Em 2017 e 2018, ela apresentou à Uefa contra o PSG e o Manchester City por infringir o fair play financeiro, o que resultou em sanções da Uefa contra os dois “clubes-estado”, embora posteriormente tenham sido anuladas devido a estranhas decisões do CAS.

As reclamações de LaLiga, bem como as declarações que a associação de clubes espanhóis vem fazendo nos últimos tempos a esse respeito, são feitas com base em dados e após um acompanhamento e análise detalhados das contas auditadas dos clubes.”

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