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Simplesmente Serena: ‘Agora, US Open e Disneylândia’

A tenista americana abriu seu coração após a conquista da medalha de ouro no torneio de simples da Olimpíada de Londres

Por Alexandre Salvador Atualizado em 8 out 2021, 19h05 - Publicado em 4 ago 2012, 16h52

“Sou peixe pequeno, só ganhei duas medalhas. Vejam o Michael Phelps e suas 21 medalhas. Nunca falei com ele, acredita? Outro dia estava lá e ele passou por mim, mas eu me escondi. Sou muito tímida. Ele nem me viu.”

Foram apenas oito minutos de conversa com os jornalistas, que aguardavam ansiosamente as palavras da campeã olímpica Serena Williams na zona mista do All England Lawn Tennis Club. O tempo porém não é proporcional ao valor das respostas da campeã olímpica, que proporcionou a seus interlocutores preciosos momentos de autenticidade de um atleta. Depois de ter atropelado a russa Maria Sharapova na quadra central do palco lendário do tênis mundial em incontestáveis 6 a 0 e 6 a 1, a tenista americana de 30 anos parecia uma criança ao recordar os momentos da partida, sua experiência como atleta olímpica e o prazer por ter superado diversos problemas, como lesões e doenças.

Além de ter realizado uma das melhores exibições individuais da história dos Jogos, a americana soma agora três medalhas de ouro (duas no torneio de duplas e uma no torneio de simples). Isso a torna a segunda mulher a conquistar o Golden Slam: o feito de acumular os títulos dos quatro Grand Slams (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e o Aberto dos Estados Unidos) e o torneio olímpico – a alemã Steffi Graf também alcançou o feito em 1988.

Como você está se sentindo? Muito bem, estou bastante animada. Esse é um grande momento da minha carreira. Secretamente, sempre quis ganhar uma medalha de ouro. Eu já tinha duas medalhas nas duplas, mas no fundo da minha consciência eu sabia que queria o ouro do torneio de simples. E consegui. É uma sensação maravilhosa, me sinto completa.

Por que você foi tão dominante na final? Eu estava muito focada hoje. A Maria é uma jogadora campeã de Grand Slam, por isso tinha que jogar muito. Joguei tudo o que podia e, mesmo se não conseguisse o título, saberia que tinha dado tudo de mim. Eu nunca tive tanto domínio sobre uma partida em toda a minha carreira. Não sei o que aconteceu hoje. A grama parece tomar conta de mim.

E a dancinha após a vitória? Aquela ali sou eu. Eu adoro dançar. Estava sentindo vontade de pular de um lado para o outro. Eu não planejei nada, a vontade veio na hora.

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E o que a Maria Sharapova falou pra você durante a entrega das medalhas? Me disse “bom trabalho”. Ela é uma grande campeã. Digo isso porque o que faz uma pessoa ser um grande campeã não só como ela encara a vitória, mas também as derrotas. Ela sabe encarar muito bem um resultado ruim, sabe como usar isso para se motivar. E tenho muito respeito por ela.

O que aconteceu com a bandeira (na cerimônia de entrega de medalhas, a bandeira americana foi arrancada do mastro pelo vento)? Estava ventando muito hoje. Aqui mesmo em Wimbledon, quando em joguei contra Venus (Williams, sua irmã) em 2008, o vento me atrapalhou muito, mas eu prometi para mim mesmo que nunca mais ia reclamar do vento. Acho que a bandeira estava querendo sair voando para me abraçar.

Como você avalia essa conquista, depois de ter passado por tantos problemas de saúde? Chegou um momento que eu pensei que nunca mais iria jogar tênis na minha vida. Eu só queria sair do hospital (Em 2011, Serena teve uma séria crise de embolia pulmonar, que quase a tirou das quadras definitivamente). Tenho treinado muito forte nos últimos tempos. As lesões sempre foram desastrosas para mim. Sem elas eu teria conseguido alcançar mais títulos, mas eu não procuro pensar nisso. Sou muito grata por ter conseguido sobreviver a elas. Com certeza, esses problemas me tornaram uma pessoa melhor e, talvez, uma tenista melhor. Talvez eu não tivesse todo esse desejo todo de jogar bem se não tivesse passado por tudo isso. Para mim, essas coisas não acontecem por acaso e sou muito feliz por ter superado os problemas pelos quais passei e ter inspirado outros a fazer o mesmo.

Como você avalia sua experiência em Londres até agora? Minha experiência olímpica tem sido incrível. Só agora depois do jogo eu já ganhei cinco pins, além de muitas outras coisas. O que eu sempre faço com as medalhas é coloca-las no centro dos pins que eu coleciono durante os Jogos. É um sentimento diferente competir pelo seu país. Vocês precisavam ver a Victoria (Azarenka) depois de ter vencido o bronze, é algo do tipo “Meu Deus! Eu consegui uma medalha!” É um momento fantástico, você vai ser lembrado pelo resto da vida e entrará em seleto grupo de atletas. Meu pai me fazia assistir os grandes momentos olímpicos: Greg Luganis, Carl Lewis, Michael Johnson e suas sapatilhas douradas. Para mim sempre foi um barato assistir aos Jogos e agora ter uma medalha de ouro como esses nomes é emocionante. Mas sou peixe pequeno, só ganhei duas medalhas. Vejam o Michael Phelps e suas 22 medalhas.

Você já o encontrou na Vila? Nunca falei com ele, acredita? Outro dia estava lá e ele passou por mim, mas eu me escondi. Sou muito tímida. Ele nem me viu.

Depois de vencer o torneio olímpico, para onde você vai? Agora eu vou para o US Open, e depois para a Disneylândia.

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