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Morre aos 76 o ex-boxeador Rubin “Hurricane” Carter

Injustamente condenado a 19 anos de prisão, americano sofria de câncer e era ícone da luta contra o racismo

Por Da Redação Atualizado em 6 out 2021, 20h20 - Publicado em 20 abr 2014, 16h23

O ex-boxeador americano Rubin Carter morreu neste domingo, em Toronto, no Canadá, vítima de câncer de próstata aos 76 anos. Conhecido como “Hurricane” (furacão, em inglês), Carter teve sua incrível carreira interrompida aos 29 anos, quando foi preso injustamente – em 1966, ele e seu amigo, John Artis foram condenados pelo assassinato de três pessoas em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Carter, considerado um ícone da luta contra o racismo no país, teve sua sentença anulada e foi solto apenas 19 anos depois, após provar inocência (o amigo havia sido liberado quatro anos antes). O juiz que concedeu sua liberdade afirmou que a condenação se deu “com base no racismo e não na razão, assim como na ocultação da verdade”. A história de Rubin Carter foi tema de um clássico da música e ganhou também uma versão cinematográfica no fim da década de 90.

Talentoso em cima do ringue, Carter colecionou 27 vitórias (dezenove por nocaute) em 40 lutas na categoria dos peso-médio. Em artigo dedicado ao atleta neste domingo, o jornal americano New York Times o classificou como um lutador “feroz, carismático, que agradava a multidão, com sua famosa cabeça raspada, cavanhaque, olhar carrancudo e gancho de esquerda devastador”. Desde sua libertação, em 1985, ele organizou diversas campanhas contra o preconceito. Com o auxílio do amigo John Artis, Carter fundou, em Toronto, a Innocence International, organização sem fins lucrativos dedicada ao apoio a presos inocentes.

O boxeador serviu de inspiração para a canção Hurricane, sucesso de Bob Dylan, lançado em 1975. A música, que permaneceu entre as mais tocadas do ano seguinte, serviu como crítica ao preconceito e à violência policial. Em 1999, o filme biográfico Hurricane: o Furacão, dirigido por Norman Jewison e estrelado por Denzel Washington, aumentou ainda mais o mito em torno do ex-pugilista. Enquanto esteve preso, o próprio atleta escreveu o livro O 16º Round, no qual narrou sua trajetória dentro e fora dos ringues. A morte do ex-pugilista foi confirmada nesta manhã por John Artis, seu amigo de toda a vida.

Carter em luta contra Fabio Bettini em 22 de fevereiro de 1965
Carter em luta contra Fabio Bettini em 22 de fevereiro de 1965 VEJA

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