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Maracanã, um teste de realidade para a mimada Espanha

Diante de quase 80.000 torcedores, a Fúria, mais do que confiante, colocará à prova seu discurso de supremacia contra a seleção pentacampeã do mundo

Por Celso de Campos Jr., do Rio de Janeiro Atualizado em 7 out 2021, 09h40 - Publicado em 30 jun 2013, 11h06

“A Espanha é o Brasil do presente”, afirmou Fernando Torres, como que apenas contando as horas para um novo Maracanazo

Povo orgulhoso, esse espanhol. Sua seleção demorou quase oitenta anos para conseguir vencer uma Copa do Mundo, tendo sido eliminada, nesse quase interminável intervalo, por times do naipe de Bélgica e Coréia do Sul – isso quando não caiu na primeira fase, ou, pior, nem se classificou para o torneio. Mas a conquista do título em 2010 e o ingresso no rol dos campeões mundiais deixaram os caçulas com uma mania de grandeza poucas vezes vista no esporte. Com o juízo obscurecido pela empáfia, torcedores, imprensa e jogadores confundem o excelente futebol praticado pela equipe com um status que a Fúria, com sua estrelinha solitária acima do escudo, está ainda a anos-luz de merecer. Nada de errado, claro, em trombetear as vitórias recentes e se considerar favoritos em qualquer competição. No entanto, as declarações e atitudes dos ibéricos nesta passagem ao Brasil revelam uma turma mimada e recalcada, que distorce a realidade para colocar sua seleção no centro do mundo.

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Fruto natural do apoio à equipe mais fraca, as vaias que os torcedores brasileiros sempre direcionaram ao lado mais forte na competição – fosse ele a Espanha, a Itália, o Uruguai ou até mesmo a Nigéria, alvo dos apupos diante do Taiti – foi tratada por alguns jornalistas espanhóis como “desrespeito” à Fúria, como se fosse ela a única a sofrer com o fenômeno. Outros foram além e viram nas vaias uma demonstração popular de “medo” – opinião de certa forma compartilhada pelo treinador Vicente Del Bosque, que afirmou que as manifestações contrárias se explicavam por ser sua equipe a maior ameaça do Brasil rumo ao título. As confusões extracampo em que alguns atletas europeus se meteram em Recife e Fortaleza – criadas exclusivamente pelo estrelismo dos jogadores – acabaram virando, nas mãos da apaixonada imprensa espanhola, uma inequívoca “conspiração” dos brasileiros, supostamente unidos para derrubar os vermelhos.

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Os europeus também se mostraram mestres na arte de menosprezar os adversários. Antes da semifinal contra a Itália, os periodistas já falavam como se estivessem na grande final, considerando a Azzurra carta fora do baralho. Pois a passagem só foi carimbada na decisão por pênaltis, com a superpoderosa Fúria não conseguindo superar a fatigada e desfalcada seleção tetracampeã com a bola rolando. Antes da final, o cenário não se altera nem mesmo quando o adversário é o anfitrião e o pentacampeão Brasil. Na véspera da final, na hora da entrevista oficial promovida pela Fifa no palco do jogo, a Espanha escalou os experientes e ponderados Casillas e Xavi para amenizar um pouco a impressão de que a Fúria vem ao Maracanã montada no salto alto. Com um discurso protocolar e diplomático, eles mostraram respeito ao dono da casa. Mas nas inúmeras entrevistas exclusivas que os atletas concedem aos veículos espanhóis – recompensa pela intensa dedicação da tropa de choque jornalística -, nenhum dos interlocutores consegue se segurar. “A Espanha é o Brasil do presente”, afirmou Fernando Torres, como que apenas contando as horas para um novo Maracanazo. Neste domingo, as prima-donas espanholas desfilarão diante de quase 80.000 espectadores – e terão a oportunidade suprema de mostrar se seu futebol é do tamanho de sua língua.

https://youtube.com/watch?v=XBGZ5gz30Mk%3Frel%3D0

Os carecas das Arábias

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O 12º jogador

https://youtube.com/watch?v=_VTV0h4KOCY%3Frel%3D0

A volta por cima

https://youtube.com/watch?v=XerfvMuE69Y%3Frel%3D0

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