CLIQUE E RECEBA EM CASA A PARTIR DE R$ 12,90/MÊS

Enquanto Dilma ignora falhas, sedes acumulam problemas

No rádio, presidente elogiou estádios e festejou ‘pontualidade e competência’. Enquanto isso, a cobertura da Fonte Nova se rompia, o Maracanã continuava incompleto e torcedor se arrependia de ter ido ao Estádio Nacional de Brasília

Por Da Redação Atualizado em 7 out 2021, 11h42 - Publicado em 27 Maio 2013, 15h00

“A construção desses seis estádios mostra que o nosso povo tem determinação, capacidade e competência para fazer a melhor Copa de todos os tempos”, empolgou-se Dilma

Quem ouviu a presidente Dilma Rousseff falando sobre a Copa das Confederações nesta segunda-feira, em seu programa semanal de rádio, ficou com a impressão de que o Brasil está mais do que pronto para receber o torneio – que começa no próximo dia 15, em Brasília. Quem passou por alguns dos palcos da competição no fim de semana e nesta segunda, no entanto, viu a dura realidade do país-sede do evento, considerado um teste importante para o Mundial do ano que vem. Faltando menos de três semanas para a abertura, o Estádio Nacional de Brasília recebeu seu primeiro grande jogo – e o torcedor se arrependeu de ter torrado até 400 reais por um ingresso, já que teve de encarar filas de até quatro horas para entrar na arena mais cara do Mundial. No Rio de Janeiro, palco da grande final do torneio, o Maracanã foi entregue à Fifa na sexta-feira, mas engana-se quem acha que o estádio já ficou totalmente pronto: o local continua sendo frequentado pelos operários, que seguem fazendo os últimos trabalhos da reforma bilionária. Enquanto Dilma discursava no rádio, a Arena Fonte Nova, que receberá partidas importantes, como o superclássico entre Brasil e Itália, sofria um problema imprevisto: as chuvas em Salvador abriram um buraco na cobertura do estádio. Para a presidente, contudo, manifestar dúvidas sobre os preparativos para o evento é coisa de quem torce contra o país.

Leia também:

Estádio de Brasília é reprovado em 1º teste do ‘padrão Fifa’

Prepare o bolso: os elefantes brancos estão à solta no país

Arena Pernambuco: acesso é reprovado no primeiro teste

Um choque de culturas na Copa: a Fifa aprende o ‘jeitinho’

“Parece aquele velho complexo de vira-lata de que falava o nosso Nelson Rodrigues. Mas os trabalhadores que construíram esses estádios, os empresários contratados para fazer essas obras e todos os governos envolvidos provaram que o Brasil é capaz de aceitar desafios e cumprir os compromissos que assume pontualmente”, afirmou Dilma, esquecendo-se de que a Fifa teve de adiar duas vezes o prazo máximo para a entrega dos estádios. A presidente, que participou de todas as seis inaugurações de arenas da Copa das Confederações, se disse “impressionada com a beleza e a modernidade desses novos palcos do futebol”. “A construção desses seis estádios mostra que o nosso povo tem determinação, capacidade e competência para fazer a melhor Copa de todos os tempos”, empolgou-se. A presidente evitou falar dos atrasos nas obras, da falta de tempo hábil para a realização dos eventos-teste em quantidade ideal, dos problemas de organização dos primeiros jogos e das falhas que já apareceram nesses locais. “Eu tenho certeza que o Brasil vai brilhar dentro e fora do campo. Vamos mostrar a todos os que vierem acompanhar os jogos, turistas internacionais e nacionais, jogadores e equipes técnicas, que nós sabemos receber, que somos um país alegre e pacífico. Tenho certeza de que todos que vierem nos visitar vão se apaixonar e vão querer voltar para a Copa do ano que vem”, apostou.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Leia também:

Rivalidade pode fazer Mineirão virar um mico de R$ 695 mi

Cultura do jeitinho deixa país vulnerável a falhas em Copa

O silêncio das caxirolas: chocalho de Brown está proibido

Retirada de ingressos promete emoções fortes ao torcedor

Ao falar sobre a Arena Fonte Nova, Dilma classificou o estádio baiano de “um exemplo da criatividade do povo daquele estado”. Ao mesmo tempo, operários subiam ao teto da estrutura para tentar reparar o rombo surgido na cobertura. Ninguém ficou ferido, mas a pressão da água acumulada sobre o estádio fez com que parte da cobertura, feita de um material flexível, se soltasse de sua armação. O estádio foi inaugurado no começo do mês passado, num evento que contou com a presença de Dilma e do governador da Bahia, Jaques Wagner. Funcionários usaram baldes para tentar escoar a água que se acumulou em vários setores. A cena foi parecida com a que foi vista no Maracanã também no mês passado, pouco antes de uma inspeção da Fifa. O Maracanã, aliás, foi o estádio mais elogiado pela presidente na gravação transmitida nesta segunda. “É uma emoção muito grande olhar para o Maracanã e ver toda aquela imponência, aquela grandiosidade que é, sem sombra de dúvida, o maior símbolo do futebol brasileiro. A reconstrução do Maracanã preservou a sua histórica fachada e, ao mesmo tempo, garantiu conforto e segurança que a gente vê nos estádios mais modernos do mundo.” Poucas horas depois, em uma reunião de integrantes do Comitê Organizador Local (COL), o gerente de Operações do órgão, Tiago Paes, confirmou que o estádio carioca ainda não está pronto. “Cem por cento, o Maracanã só estará no dia 15. Até porque falta a instalação de uma série de equipamentos temporários”, explicou ele.

Acompanhe VEJA Esporte no Facebook

Siga VEJA Esporte no Twitter

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Impressa + Digital no App

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital no App

a partir de R$ 9,90/mês