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Em Brasília, Del Nero diz que cumprirá mandato e chama Marin de ‘irmão’

Presidente da CBF foi questionado pela Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados e negou participação nos escândalos de corrupção no futebol mundial

Por Da Redação Atualizado em 29 set 2021, 19h54 - Publicado em 9 jun 2015, 16h28

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, passa por sabatina, nesta terça-feira, no Congresso Nacional, em Brasília. Convocado pela Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre os recentes escândalos envolvendo a entidade, Del Nero voltou a negar qualquer participação direta nas negociações que levaram seu antecessor, José Maria Marin – a quem se referiu como um “irmão” -, à prisão em Zurique, na Suíça. Ele admitiu ter participado de algumas reuniões com parceiros da CBF, mas disse que jamais tomou alguma decisão ou teve conhecimento de alguma irregularidade.

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Del Nero lamentou a prisão de Marin, mas disse que prefere aguardar a conclusão das investigações antes de tomar partido. “Nunca tive nenhuma notícia desabonadora sobre o presidente Marin, em hipótese alguma. Mas não posso responder pelos atos de outra pessoa, nem mesmo de um irmão, que era como eu considerava Marin.”

Del Nero reafirmou que cumprirá seu mandato até o fim, em 2019, e ressaltou sua proposta de reduzir o tempo de mandato presidencial da CBF – cada dirigente só poderá ser reeleito uma vez, ficando, no máximo, oito anos no cargo. O presidente da CBF ainda se animou a falar do fracasso esportivo na Copa do Mundo e criticou a “família” criada pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Segundo ele, a seleção dirigida por Dunga venceria “seis de dez partidas” contra a Alemanha no momento. Confira os principais trechos da sabatina:

Limitação de mandatos

“Sobre a reforma estatutária, nossa proposta é de um mandato e mais uma eleição. O mundo tem mudado, nós não podemos viver no passado onde dirigentes ficavam 40 anos no cargo. Essa é a sensibilidade que eu tenho, de conhecer o mundo, eu achava que precisávamos de uma mudança, e eu precisava dar o exemplo. Acho que essa mudança é absolutamente plausível. E acho que poderia ser repetido nos clubes e federações. Temos que fazer reformas, a começar pela nossa casa. Essa era uma ideia antiga minha, já iria colocá-la em prática de qualquer forma.”

Contratos da CBF

“Eu acompanhava a negociação de contratos quando chamado. Eu apenas ouvia e opinava quando era solicitado. Geralmente, os valores dos contratos já estavam estabelecidos, eu só opinava sobre duração, essas coisas. Eu participava desta forma, porque num regime presidencial a palavra é sempre do presidente. Agora a palavra é minha, mas antes era do Marin e do Teixeira. Mas eu participei, sim, algumas vezes.”

José Maria Marin

“São fatos que infelizmente atingem um grande companheiro com quem tive convívio nos últimos anos. Isso machuca muito mais. Eu participava de todos os momentos com ele. O propósito das denúncias a todos surpreendeu, e a mim também. Nunca tive nenhuma notícia desabonadora sobre o presidente Marin, em hipótese alguma. Mas não posso responder nem pelos atos outra pessoa nem mesmo de um irmão, que era como eu considerava Marin. Depois que ele for julgado, vou ter de aceitar ou não.”

Prisão

Às vezes um amigo é até mais importante que um irmão. A gente sente, dói na pele, corta o coração saber que ele está preso. Mas eu peço a Deus que ele tenha força para responder e peço a Deus que ele seja absolvido, mas dói muito. Não consegui falar com o presidente Marin em nenhum momento, só os familiares que podem falar com ele.

Fachada da CBF

“Houve uma determinação da Fifa, do banimento provisório do Marin por 90 dias, por isso seu nome foi retirado da sede. Caso o presidente Marin seja absolvido das acusações, o nome dele vai figurar novamente na sede.”

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Renúncia

“Só renuncia quem tem algo errado na vida e eu não renuncio, vou até o fim do meu mandato. Fui eleito democraticamente com 45 dos 47 votos. Eu tenho a obrigação. Às vezes a gente tem vontade de ir embora. Presidente de clube, por exemplo, tem vontade de largar todo os dias, mas eles tem compromissos a cumprir. E eu vou fazer o mesmo, para preservar a entidade.”

7 x 1

“Quando o Felipão foi contratado, foi uma unanimidade nacional, campeão do mundo. Era o melhor naquela oportunidade. Ele é uma pessoa excepcional, merece todo nosso respeito. Mas como torcedor a gente começa a analisar. Ele gosta daquela coisa de família e foi campeão na Copa das Confederações de forma linda, 3 a 0 contra a Espanha. Mas, passado um ano, a convocação foi praticamente a mesma. Falo como torcedor. Acho que o time não estava bem, não jogou bem, ao contrário da Copa das Confederações. Se não tivesse a história da “família”, acho que teríamos um outro momento. Mas futebol é tragédia e não vamos conseguir voltar atrás. Tenho a impressão que se jogássemos dez jogos com a Alemanha, ganharíamos seis. Tanto que hoje temos mais vitórias que eles depois da Copa.”

Parcerias

“Não contratamos empresas de marketing. As que vão até lá, levando dinheiro, oferecendo um negócio lucrativo, a gente fecha contrato. Não tive sociedade com nenhum deles (J. Hawilla e Ricardo Teixeira), em hipótese alguma.”

Investigações do FBI

“Não tenho a menor ideia de quem seja o cocorruptor número 12 citado nas investigações. Mas sei que não sou eu, porque não fiz nada de errado.”

Escalação

“Nunca ninguém da diretoria interferiu em escalação de jogadores , você pode perguntar a qualquer técnico deste período. Não existe esta possibilidade.”

Eleição da Fifa

“A tendência da Conmebol era votar no Blatter. A gente ia votar em bloco. No dia dos fatos, a Conmebol toda resolveu votar diferentemente. Falei com o Juan Napout, presidente da Conmebol, para ver a situação política de tudo. O Blatter não estava sendo acusado de nada. Ele me telefonou e disse que sete votaram a favor do Blatter, e três, contra.”

Quebra de sigilo

“Não podemos quebrar sigilo assim, eu não fiz nada. Mas o Poder Judiciário tem esse poder e, se tiver que abrir, vai abrir. Ainda assim o promotor requer e o juiz decide. Temos que obedecer a Constituição Federal.”

J. Hawilla

“Eu assisti o momento da rescisão de contrato do J. Hawilla com a Conmebol. A Conmebol recebeu uma proposta muito superior à que ele pagava. Os presidentes ficaram alucinados e quebraram o contrato. Ele entrou com uma ação judicial contra a Conmebol”.

(da redação)

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