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Delator gravou reuniões da Fifa com ‘grampo’ no chaveiro

Pelo acordo de delação premiada com o FBI, Chuck Blazer devolveu US$ 2 milhões à Justiça dos EUA, revelou o que sabia e realizou trabalhos secretos

Por Da Redação Atualizado em 29 set 2021, 19h43 - Publicado em 16 jun 2015, 09h22

A Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira o acordo de delação premiada que Chuck Blazer, o cartola americano que fez parte do Comitê Executivo da Fifa e foi secretário-geral da Concacaf, assinou em novembro de 2013. O texto mostra que o ex-dirigente se comprometeu a revelar tudo o que sabia, entregar documentos, delatar parceiros, fazer trabalhos secretos e ainda devolver 2 milhões de dólares (6,2 milhões de reais) referentes a propinas que recebeu pela venda irregular de ingressos para as Copas do Mundo realizadas entre 1994 e 2002 e outros delitos.

Blazer, de 70 anos, aceitou colaborar com a Justiça ainda em dezembro de 2011 na esperança de ver sua pena reduzida. Até maio de 2013, quando seria expulso da Fifa, o americano repassou informações para o FBI. No total, ele pode ter gravado 18 reuniões do Comitê Executivo da Fifa, uma espécie de governo do futebol que se reúne em Zurique em uma sala onde os sinais de celulares são bloqueados para evitar que informações sejam vazadas. Blazer tinha, porém, um gravador introduzido em seu molho de chaves. Neste período, foram realizados encontros relativos à organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

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O acordo, de 19 páginas, foi revelado depois que nove veículos de comunicação dos Estados Unidos, incluindo o The New York Times, entraram na Justiça com pedido para sua divulgação. O juiz que cuida do caso, Raymond Dearie, revelou que o governo dos EUA foi contra a publicação do material, alegando que poderia comprometer o andamento das investigações da corrupção no futebol e colocar em risco a própria segurança de Blazer. O juiz, porém, discordou destes argumentos e pediu a publicação. O acordo saiu praticamente sem edição, apenas com algumas assinaturas encobertas com tinta preta.

Além dos 2 milhões de dólares, Blazer se comprometeu a pagar uma quantia adicional que ainda seria definida pela Justiça no momento da assinatura. No mesmo acordo, o cartola se comprometeu a não revelar o que sabia a terceiros, a menos que a Justiça liberasse, e a “colaborar totalmente” com as investigações, inclusive com a entrega de documentos, delação de parceiros e ainda fazendo trabalho secretos a pedido da Justiça para revelar novos réus.

Crimes – Ao assinar o acordo e se mostrar disposto a cooperar, Blazer se livrou de uma sentença de prisão que poderia chegar a 70 anos, no caso da pena máxima. O cartola se declarou culpado de dez acusações, que incluíram corrupção no futebol, extorsão, transferência irregular de pagamentos e evasão de divisas. Ele reconheceu, por exemplo, que aceitou propinas, por volta de 1992, na escolha do país-sede da Copa de 1998, realizada na França.

Blazer também reconheceu irregularidades na venda de ingressos para as Copas do Mundo realizadas entre 1994 e 2002. Também confirmou o recebimento de propinas referentes às edições da Copa Ouro (organizada pela Concacaf) entre 1996 e 2003. Só a pena para o caso de extorsão pode chegar a 20 anos, ressalta o documento.

No início do mês, o juiz Raymond Dearie determinou a divulgação da transcrição, com detalhes editados, do depoimento de Blazer em novembro de 2013. No depoimento, dado em segredo de Justiça, ele revela o recebimento de suborno para as escolhas da França e da África do Sul como sedes das Copas de 1998 e 2010, respectivamente.

(Com Estadão Conteúdo)

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