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Del Nero rejeita renúncia e cede poder aos clubes em troca de apoio

Para conter movimento por liga independente, presidente da CBF prometeu dar aos times maior influência na organização dos campeonatos nacionais

Por Da Redação 9 jun 2015, 09h16

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo del Nero, acuado pelos escândalos envolvendo a entidade, se reuniu com dirigentes de 19 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão para discutir os novos rumos do futebol nacional. No encontro que durou quase cinco horas na sede da entidade, no Rio de Janeiro, Del Nero rejeitou a possibilidade de renunciar ao cargo e revelou que dará mais poder de decisão aos clubes na reforma do estatuto da CBF, que acontecerá nesta quinta-feira. Entre as mudanças estatutárias está o aumento de influência dos times em decisões como a definição do calendário e fórmula de disputa dos campeonatos. A medida agradou os dirigentes e praticamente encerrou a discussão sobre a possível criação de uma liga independente neste momento.

A prisão do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, no recém-revelado escândalo de corrupção na Fifa, não foi discutida na reunião, que teve apenas o Corinthians como clube ausente. Del Nero disse não ter nenhum motivo para renunciar, contrariando uma exigência do movimento Bom Senso FC. No início encontro, o presidente do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, sugeriu que a criação de uma liga independente fosse debatida, mas os cartolas consideram que o momento não era adequado. Os clubes, no entanto, exigiram mudanças no estatuto que lhes conferissem maior autonomia.

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A principal exigência é que a CBF retire o artigo que lhe concede poder de veto nas decisões tomadas pelo conselho de clubes. “Se as federações não concordarem com a mudança na assembleia geral, aí é capaz de os clubes partirem para a criação da liga independente”, afirmou o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar. Encurralada, a CBF prometeu apoiar a mudança, que será votada por dirigentes das federações filiadas à CBF em Assembleia Geral nesta quinta-feira. Caso a alteração seja aprovada, serão os clubes que definirão calendário, fórmula de disputa, premiação, horários dos jogos e até mesmo questões de acesso e descenso. Isso, porém, só poderia valer a partir de 2017, já que o Estatuto do Torcedor veta mudança de regulamentos em prazo inferior a dois anos.

Reeleição – Outra mudança (louvável) pretendida por Del Nero é limitar a apenas uma o número de reeleições do presidente da entidade máxima do futebol brasileiro, com mandato de quatro anos – Ricardo Teixeira ficou 23 anos no cargo. No entanto, Del Nero, não só cedeu: na semana passada, conseguiu convencer os presidentes de federações a aprovar a mudança na norma do estatuto que dá ao vice-presidente mais velho da entidade o direito de assumir a presidência no caso de renúncia do atual mandatário.

A CBF fez lobby com os dirigentes das federações em reunião fechada que não contou com a presença dos opositores – incluindo Delfim de Padua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense e vice que assumiria a CBF no caso de queda de Del Nero. “A ideia de o mais velho assumir remete à ditadura”, declarou Walter Feldman, secretário-geral da CBF. Del Nero e Feldman querem que um eventual sucessor do presidente seja decidido pelo voto dos vices. Se aprovada – o que deverá acontecer -, a mudança terá efeito imediato. Del Nero será sabatinado nesta terça-feira pela Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados, em Brasília, para explicar o esquema de corrupção envolvendo a entidade e a Fifa.

O logotipo da CBF na fachada da sede da entidade no Rio de Janeiro
O logotipo da CBF na fachada da sede da entidade no Rio de Janeiro VEJA

(Com Gazeta Press e Estadão Conteúdo)

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